23/09/2018 às 11h23min - Atualizada em 23/09/2018 às 11h23min

Saiba quais são as posições dos presidenciáveis sobre concessões e venda de estatais

G1 perguntou aos 13 candidatos o que pensam sobre concessões no setor de infraestrutura e o que pretendem fazer com Eletrobras, Petrobras, Correios e Infraero. Nove responderam.

Laís Lis, G1 — Brasília
Os 13 candidatos, em ordem alfabética da esquerda para a direita: Alvaro Dias, Ciro Gomes, Cabo Daciolo, Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Guilherme Boulos, Henrique Meirelles, Jair Bolsonaro, João Amoêdo, João Goulart Filho, José Maria Eymael, Marina Sil

G1 consultou neste mês as assessorias dos 13 candidatos a presidente da República para saber se pretendem manter as concessões ao setor privado na área de infraestrutura, como ferrovias, rodovias e aeroportos.

Também perguntou o que pretendem fazer com quatro das principais empresas estatais: Eletrobras, Petrobras, Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e Correios.

Dos 13, quatro não responderam – Jair Bolsonaro (PSL), Ciro Gomes (PDT), José Maria Eymael (DC) e Cabo Daciolo (Patriota).

Saiba quais são as posições dos demais:

 

Concessões

 

 

  • Alvaro Dias: O candidato disse que pretende manter as concessões e ampliar as ofertas para atrair o investimento privado.
  • Fernando Haddad: “O Plano de Governo confere prioridade absoluta para os investimentos em infraestrutura, sobretudo a partir de parcerias com o setor privado”. Segundo a campanha do PT, a coligação defende um modelo para as concessões que viabilizem os investimentos das concessionárias com o menor custo possível para o cidadão.
  • Geraldo Alckmin: Disse que é favorável à continuidade da agenda de privatizações e que o Estado tem que deixar de ser empresário.
  • Guilherme Boulos: Afirmou que vai avaliar os contratos das concessões já realizadas “e garantir o cumprimento desde que não tenham cláusulas abusivas e cumpram sua obrigação social de serviço”.
  • Henrique Meirelles: Afirmou que pretende manter as concessões de ferrovias, aeroportos, rodovias. “Para facilitar estas concessões, pretende simplificar o processo através da aprovação de um Projeto de Lei, já em discussão no Senado, que simplifica o processo de concessão de ferrovias e estender esta simplificação para rodovias e aeroportos”, afirmou a equipe econômica do candidato.
  • João Amoêdo: A campanha afirmou que Amoêdo defende “avançar e aprimorar os modelos de concessões, como a inclusão de aeroportos menores e regionais, oferecer mais simplicidade e flexibilidade nas próximas concessões de rodovias e a modernização das regras de concessões de ferrovias para incentivar a ampliação do setor”.
  • João Goulart: Para o candidato, várias concessões não têm cumprido as exigências de investimentos feitas nos processos de licitação. “Nós vamos rever todas elas e todas as que o Tribunal de Contas apontar irregularidades. Não pretendemos manter apenas essa forma de gestão”.
  • Marina Silva: A campanha afirmou que Marina Silva vai “manter e atuar para contornar as dificuldades em avançar ou finalizar os processos de concessões”. Segundo a campanha, a candidata adotará estratégia para ampliar o número de concessões em diferentes modais.
  • Vera Lúcia: A candidata afirmou que pretende reestatizar todas as empresas privatizadas. “Vamos colocar tudo sob o controle dos trabalhadores. Concessão é o mesmo que privatização”.
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro — Foto: Reuters/Sergio Moraes

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro — Foto: Reuters/Sergio Moraes

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro — Foto: Reuters/Sergio Moraes

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro — Foto: Reuters/Sergio Moraes

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro — Foto: Reuters/Sergio Moraes

 

Petrobras

 

 

  • Alvaro Dias: Segundo o candidato, nem a Petrobras nem o Banco do Brasil nem a Caixa Econômica Federal devem ser privatizados. “A Petrobras continuará tendo grande importância no segmento de combustíveis, sendo que tomaremos todas as medidas cabíveis para que não volte a ser um centro de corrupção e desvio de dinheiro público”.
  • Fernando Haddad: A coligação informou que é contrária à privatização da Petrobras. “Vamos devolver à empresa o papel de agente estratégico do desenvolvimento brasileiro, restaurando sua lógica de empresa integrada de energia – exploração e produção, refino e distribuição – e ampliando a sua capacidade de refino”.
  • Geraldo Alckmin: O candidato afirmou que não vai privatizar a Petrobras, mas pretende acabar com o monopólio que a estatal tem no setor de refino de combustível e de distribuição. “Temos de ter livre concorrência e setor privado atuante no refino e na distribuição de derivados de petróleo”, afirmou.
  • Guilherme Boulos: O candidato se posicionou contra a privatização da Petrobras e afirmou que vai reestatizar a Petrobras e recuperar a operação das refinarias. “O Brasil tem condições de ser mais do que um simples exportador que precisa de corporações transnacionais para refinar e distribuir o petróleo extraído de nosso território”, afirmou.
  • Henrique Meirelles: O candidato afirmou que pretende continuar a privatização das refinarias, dos oleodutos e gasodutos da Petrobras. “O objetivo é acabar com o monopólio de fato do setor de petróleo e gás”, afirmou.
  • João Amoêdo: A campanha defende a reestruturação da empresa, com a segregação em múltimas unidades e com a privatização de várias dessas unidades, “à semelhança do que foi feito com a Telebras”. “Toda a cadeia, do poço ao posto, deve estar aberta à maior competitividade”, afirmou.
  • João Goulart: Segundo a campanha, “não há por que privatizar uma empresa altamente eficiente e competente e entregá-la para grupos internacionais não tão competentes e muito mais gananciosos sobre as riquezas do país”.
  • Marina Silva: A candidata afirmou que não vai privatizar Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. “O Brasil possui 168 estatais que merecem ser analisadas, a partir dos critérios de custo para a sociedade, eficiência do serviço público, questões estratégicas para o Estado e a não fragilização de setores desfavorecidos”.
  • Vera Lúcia: A candidata afirmou que defende que a Petrobras seja 100% pública. “A Petrobras ainda é chamada de estatal, mas, na prática, está nas mãos de banqueiros e investidores privados estrangeiros”.
Agência dos Correios em Campinas — Foto: Reprodução/EPTV

Agência dos Correios em Campinas — Foto: Reprodução/EPTV

Agência dos Correios em Campinas — Foto: Reprodução/EPTV

Agência dos Correios em Campinas — Foto: Reprodução/EPTV

Agência dos Correios em Campinas — Foto: Reprodução/EPTV

 

Correios

 

 

  • Alvaro Dias: O candidato disse imaginar que seja necessário privatizar os Correios, mas defende uma “análise mais cuidadosa, avaliar a relação custo-benefício da iniciativa”. “Os Correios já foram símbolo de eficiência e orgulho para os brasileiros, mas atualmente a empresa pública agoniza com o acúmulo de prejuízos bilionários”.
  • Fernando Haddad: A coligação é contra a privatização dos Correios. “Os Correios realizam importante função de integração e de inclusão social, papel indispensável para o desenvolvimento nacional”.
  • Henrique Meirelles: O candidato afirmou que é favorável à privatização dos Correios.
  • Geraldo Alckmin: Ao defender a continuidade da agenda de privatizações de estatais, a campanha da coligação encabeçada pelo PSDB afirmou que “a privatização aumenta e eficiência da economia, diminui o escopo possível da corrupção e libera capital público para usos sociais mais legítimos”.
  • Guilherme Boulos: O candidato se posicionou contra a privatização de estatais. O candidato afirmou que falta apoio do Estado com investimento público. “Vamos mexer em privilégios e revogar a Emenda Constitucional 95, que congelou os gastos sociais por 20 anos”, afirmou.
  • João Amoêdo: O candidato defende que os Correios devem ser privatizados para que ofereçam melhor serviço aos usuários.
  • João Goulart: O candidato afirmou ser contra a privatização dos Correios. “Esta é uma empresa eficiente e altamente respeitada pela população. Ela deve se adaptar às novas formas de intercâmbio de mensagens e produtos e aumentar sua eficiência administrativa”, afirmou.
  • Vera Lúcia: A candidata afirmou que é contra a privatização dos Correios. “A privatização dos Correios vai piorar a prestação de serviços à população. Aqui também o objetivo é repassar ao setor privado os serviços mais lucrativos e deixar a estatal cada vez mais sucateada. Quem perde é a população, principalmente mais pobre e que vive nas periferias”.
Saguão de Congonhas, em São Paulo, um dos aeroportos administrados pela Infraero — Foto: Reprodução/GloboNews

Saguão de Congonhas, em São Paulo, um dos aeroportos administrados pela Infraero — Foto: Reprodução/GloboNews

Saguão de Congonhas, em São Paulo, um dos aeroportos administrados pela Infraero — Foto: Reprodução/GloboNews

Saguão de Congonhas, em São Paulo, um dos aeroportos administrados pela Infraero — Foto: Reprodução/GloboNews

Saguão de Congonhas, em São Paulo, um dos aeroportos administrados pela Infraero — Foto: Reprodução/GloboNews

 

Infraero

 

 

  • Alvaro Dias: “A Infraero deverá ser incorporada a um novo fundo previdenciário com gestor independente, que avaliará o melhor momento para privatização.”
  • Fernando Haddad: A campanha defende a manutenção da Infraero como empresa estatal. “A coligação pretende fortalecer as parcerias com o setor privado para alavancar investimentos no setor aéreo”.
  • Henrique Meirelles: O candidato afirmou que é favorável à abertura de capital e concessão do controle da Infraero.
  • Guilherme Boulos: O candidato se posicionou contra a privatização de estatais. O candidato afirmou que falta apoio do Estado com investimento público. “Vamos mexer em privilégios e revogar a Emenda Constitucional 95, que congelou os gastos sociais por 20 anos”, afirmou.
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