25/08/2022 às 12h12min - Atualizada em 25/08/2022 às 12h27min

Sem espadas ou super poderes, mas com muita literatura

SALA DA NOTÍCIA Verbo Nostro
É preciso saber guerrear com espada para ser heroína? Usando essa pergunta como mote, a atriz e mestre em Arte e Educação Giselda Perê conduziu com encantamento o público presente à contação de histórias “Heroínas Negras”, uma das atividades desta terça-feira (23), durante a 21ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto (FIL). Com fala fluída e rimada, e usando sua própria história pessoal como alegoria, Giselda entregou às crianças e adultos a reflexão sobre como, sem espadas ou super poderes, as guerras da vida revelam forças escondidas e mulheres heroínas.

Enquanto algumas heroínas negras eram descobertas na Tenda Sesc, o jornalista Ângelo Davanço, o doutor em Educação Arnaldo Martinez de Bacco Junior e o editor Murilo Pinheiro participaram, no quintal da Biblioteca Sinhá Junqueira, da sessão de autógrafos do livro “Ribeirão Preto para Crianças”. A publicação, com textos de Davanço e ilustrações de Arnaldo Junior, apresenta a história da cidade de forma colorida, divertida e cheia de referências lúdicas para ilustrar, por exemplo, porque a rua Visconde do Rio Branco era chamada de ‘a rua do sapo’. “Em tempos tão tecnológicos, as crianças conhecem mais outras cidades do mundo do que a sua própria”, comentou Ângelo Davanço. “É comum as crianças conhecerem apenas o bairro onde moram e um shopping. Como professor, essa preocupação me acompanha há algum tempo e, nesse sentido, esse projeto proposto pela revista Revide é muito bacana”, emendou Arnaldo Junior.

O fato de ter foco no público infantil não limita o alcance do livro. A estudante Isabela Pereira da Silva, de 30 anos, foi uma das que quis autógrafo em seu exemplar. “É um livro bonito, alegre e historicamente muito interessante. Eu adorei”. O vendedor Vilmar de Almeida Gomes, 60, levou quatro unidades para casa. Duas para as netas, uma para a bisneta e outra para ele. “A criança que vive em mim não entende muito sobre todas as coisas e, por isso, segue lendo”, disse, feliz.

Existência e Resistência

Num encontro bastante concorrido, a poeta e professora goiana Ryane Leão conversou com o público que lotou o auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira sobre sua trajetória literária e seus desafios pessoais, e sobre questões como solidão, reconstruções e como habitar a dor. “A melhor forma de habitarmos as nossas tantas e diversas dores é acreditar que podemos”, enfatizou Ryane. A escritora também comentou o perfil colonial que ainda contorna a sociedade brasileira e como, nesse contexto, a resistência não adormeceu. “As insurgências sempre existiram. Existir e resistir é contínuo. A palavra não nos abandona. A gente que, às vezes, abandona as palavras”, sublinhou. Pela manhã, Ryane Leão participou do projeto Combinando Palavras, que reuniu mais de 1 mil estudantes adolescentes na sala principal do Theatro Pedro II.

E a palavra também deu o tom na Batalha da Art, atividade realizada no espaço Ambient de Leitura, na Esplanada do Theatro Pedro II. Com muita rima e poemas de crítica social e sentimentos diversos, oito jovens participaram da batalha, em duas fases, com confrontos eliminatórios, de semifinal e final. Realizado pela Central Única das Favelas (CUFA-RP), o evento envolveu a plateia de todas as idades e deu o recado da periferia com alegria e responsabilidade.

Na Sessão 200 anos, o pesquisador e escritor gaúcho, Rodrigo Trespach, autor da obra “1824”, debateu a imigração alemã no Brasil. “A chegada dos imigrantes de língua alemã ao Brasil, a formação das primeiras colônias, no século XIX, e todas as dificuldades que os alemães sofreram no passado foram abordadas nesta obra”, disse o autor, destacando que muitas comemorações no Brasil são de influência alemã, como o Natal e a Páscoa. “O contexto e a simbologia dos ovos de Páscoa, assim como a do Papai Noel, são provenientes dos alemães”. Rodrigo Trespach, que também é historiador, destacou a importância da oralidade e de ouvir as histórias. “As pessoas que vivem nas cidades têm histórias. Infelizmente, hoje vivemos a época do individualismo, com poucas memórias afetivas e recordações. E como ficará isso?”, questionou o autor.

A 21ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto segue até domingo (28), e a programação completa pode ser acessada pelo endereço https://www.fundacaodolivroeleiturarp.com/.

Para saber mais dobre a FIL 2022:
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Sobre a Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto

A 21ª edição da Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto acontece de 20 a 28 de agosto deste ano e traz como proposta de reflexão o tema “Do Caburaí ao Chuí: a força da Literatura Brasileira”. A proposição embasa todas as atividades e debates do evento.  A feira consagrou-se como um dos maiores eventos culturais do país: com 21 anos de história e 20 edições realizadas. Em 2020, a feira tornou-se internacional e em 2021 realizou sua 20ª edição, pela primeira vez, no formato on-line, devido à pandemia do Coronavírus.

A intenção dos organizadores é que, neste ano, a FIL ofereça uma programação com atividades presenciais e outras em formato on-line, reunindo palestrantes e participantes de diversas localidades. Todas as atividades são gratuitas e abertas à população. São salões de ideias, conferências, palestras, mesas-redondas, oficinas, shows, espetáculos infantis, performances, contações de histórias, saraus e projetos educacionais, entre outras.

Sobre a Fundação

A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, responsável pela realização da Feira Internacional do Livro da cidade, hoje considerada a segunda maior feira a céu aberto do país.

Com uma trajetória sólida, projeção nacional e agora internacional, ao longo de seus 20 anos, a entidade ganhou experiência e, atualmente, além da feira, realiza muitos outros projetos ligados ao universo do livro e da leitura, com calendário de atividades durante todo o ano. A Fundação do Livro e Leitura se mantém com o apoio de mantenedores e patrocinadores, com recursos diretos e advindos das leis de incentivo, em especial do Pronac e do ProAc.


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