23/08/2022 às 14h19min - Atualizada em 24/08/2022 às 02h00min

Teste do pezinho ampliado ainda encontra obstáculos no SUS

Instituições de saúde mão conseguem arcar com o exame e atrasam a coleta, que deve ser feita dentro de um período específico

SALA DA NOTÍCIA Marcella Carvalho
Mais de um ano após a divulgação da Lei que ampliou o número de doenças detectadas pelo teste do pezinho, os serviços públicos de saúde alegam encontrar dificuldades para conseguir realizar os testes. O número de doenças detectadas foi estendido de 6 para mais de 50, mas maternidades e clínicas que atendem pelo Serviço único de Saúde (SUS) não têm conseguindo arcar com os custos dentro do prazo estipulado pelo Ministério da Saúde, que deve ser realizado entre o 3º e 5º dia de vida do recém-nascido. 

De acordo com o infectologista e diretor da Target Medicina de Precisão, Adelino Melo, é essencial ter-se um único exame que identifique as doenças listadas na Lei, pois a maioria delas não são facilmente detectadas e que, quando acometem a criança, podem ser fatais. O médico explica que o teste é totalmente invasivo, indolor e eficaz. “As doenças detectadas precocemente pelo tipo atual do exame são previa e prontamente tratadas”, explica o médico, “o que facilita a desafogar o serviço público de saúde”. Ainda conforme o especialista, se aumentar o rol de enfermidades, mais rápidos os tratamentos serão aplicados e mais mortes no primeiro ano de vida de crianças serão evitadas. 

A lei só entrou em vigor, graças à insistência de mães que viram a importância da ampliação do exame. Larissa Carvalho, jornalista da TV Globo Minas, foi uma dessas mães que levantou a bandeira, pois não teve o diagnóstico precoce da enfermidade que acomete seu filho, doença que poderia ter sido detectada pelo exame, que é obrigatório a todos os recém-nascidos brasileiros.

As instituições de saúde relatam que os repasses para suprir os gastos com todas as etapas do exame não estão sendo feitos pelo poder público e as entidades, que já apresentam déficits financeiros, não conseguem cumprir a ampliação. O Governo Federal informa que a ampliação será escalonada, conforme prevê a lei, mas que ainda estão sendo discutidos os recursos para as etapas serem implantadas, de acordo com o diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática do Ministério da Saúde, Gregory Carvalho. “A primeira etapa é a inclusão dos diagnósticos para toxoplasmose congênita. No dia 6 de junho o ministério publicou portaria sobre a implantação dessa etapa que agora está sendo discutida e articulada com os estados”. As informações foram repassadas em entrevista concedida pelo diretor ao portal da Câmara do Deputados. 


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