29/07/2022 às 09h43min - Atualizada em 30/07/2022 às 00h14min

Contas públicas registram rombo em maio após 9 meses de alta, mas dívida pública recua, mostra BC

De acordo com o Banco Central, queda da dívida tem a ver com o crescimento do PIB e com o recuo do dólar em maio.

G1
https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/07/29/deficit-das-contas-publicas-sobe-para-r-33-bi-em-maio-e-divida-cai-pelo-7o-mes-seguido-mostra-bc.ghtml
De acordo com o Banco Central, queda da dívida tem a ver com o crescimento do PIB e com o recuo do dólar em maio. As contas do setor público consolidado registraram déficit primário de R$ 33 bilhões em maio deste ano, informou o Banco Central nesta sexta-feira (29). Esse também foi o primeiro rombo fiscal desde julho do ano passado.
O déficit primário acontece quando as receitas com impostos ficam abaixo das despesas, desconsiderando os juros da dívida pública. Quando acontece o contrário, há superávit. O resultado engloba o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.
"Esse resultado deficitário interrompeu sequência de superávits primários que vinha desde agosto do ano passado. Foram nove meses seguidos de resultado positivo", informou o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha.

A dívida pública, por sua vez, recuou pelo sétimo mês seguido (veja detalhes mais abaixo nessa reportagem).
Os dados de maio deveriam ter saído antes, mas greve dos servidores do BC, que durou de abril a julho deste ano, atrasou a divulgação.
De acordo com informações oficiais, o rombo registrado em maio representou aumento frente ao mesmo mês do ano passado — quando o déficit fiscal somou R$ 15,5 bilhões.
Segundo o Tesouro Nacional, a alta do déficit está relacionada, entre outros fatores, com o aumento de R$ 20,7 bilhões no pagamento de benefícios previdenciários (explicado pela antecipação em um mês do calendário de pagamento do 13º salário de aposentados e pensionistas em 2022).
O déficit em maio aconteceu por resultados negativos nas contas do governo federal e das estatais, enquanto os estados apresentaram saldo positivo.
governo federal registrou resultado negativo de R$ 40 bilhões
estados e municípios tiveram superávit de R$ 7,3 bilhões
empresas estatais apresentaram déficit de R$ 307 milhões
Gastos com juros da dívida pública chegam a R$ 448 bi em 2021
Parcial do ano
Apesar da piora em maio, as contas públicas registraram um superávit primário de R$ 115,5 bilhões nos cinco primeiros meses deste ano, novo recorde.
"Podemos dizer que há um superávit primário bastante expressivo", avaliou Fernando Rocha, do BC. Segundo ele, os estados e municípios responderam pela maior parte do saldo positivo deste ano, com um superávit de R$ 69,6 bilhões até maio.
Até então, o maior superávit para o período havia sido registrado em 2008 (+R$ 69,9 bilhões).
De janeiro a maio de 2021, o saldo positivo das contas públicas somou R$ 60,3 bilhões. A série histórica do BC tem início em dezembro de 2001.
Após despesas com juros
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional – houve déficit de R$ 66 bilhões nas contas do setor público em maio.
Já em 12 meses até maio deste ano, o resultado ficou negativo (déficit nominal) em R$ 380,6 bilhões, o equivalente a 4,19% do PIB.
Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.
O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do déficit primário elevado, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, após seis elevações seguidas, a Selic está em 13,25% ao ano, o maior valor em mais de cinco anos.
Segundo o BC, no mês passado houve despesa com juros nominais somaram R$ 33 bilhões. Em doze meses até maio, os gastos com juros somaram R$ 500,5 bilhões (5,5% do PIB).
Dívida bruta
Mesmo com o aumento do déficit fiscal de maio, a dívida bruta do setor público, indicador que também é acompanhado pelas agências de classificação de risco, registrou nova queda no período. Foi o sétimo mês seguido de recuo.
Em dezembro do ano passado, a dívida estava em 80,3% do PIB, somando R$ 6,966 trilhões. Em abril deste ano, atingiu 78,9% do PIB, o equivalente a R$ 7,07 trilhões e, em maio, recuou para 78,2% do PIB, ou R$ 7,09 trilhões.
Esse é o menor patamar desde março de 2020, quando o endividamento estava em 77% do PIB. Ou seja, é o menor nível em pouco mais de dois anos.
De acordo com o Banco Central, esse recuo da dívida em maio é resultado, principalmente, do efeito do crescimento do PIB nominal, além da queda do dólar e dos resgates líquidos da dívida pública.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/07/29/deficit-das-contas-publicas-sobe-para-r-33-bi-em-maio-e-divida-cai-pelo-7o-mes-seguido-mostra-bc.ghtml


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