28/07/2022 às 02h57min - Atualizada em 29/07/2022 às 00h00min

Sinusites virais são mais frequentes em crianças e necessitam tratamento, explica especialista

Larissa Fabbri, otorrinolaringologista, explica que o diagnóstico define o tipo de terapia

SALA DA NOTÍCIA Via Assessoria
Freepik
Coriza, nariz entupido e tosse são sintomas comuns em casos de sinusite. Mas se esse quadro é desconfortável até para os adultos, nas crianças eles podem ser ainda mais incômodos. E pior: mais frequentes. Segundo a médica otorrinolaringologista especialista em atendimento infantil Larissa Fabbri Mendes, as crianças podem apresentar entre sete e dez quadros em um ano, enquanto adultos têm entre três e quatro episódios.

“Os sintomas também são diferentes entre adultos e crianças. As crianças apresentam muito mais tosses do que os adultos. Os adultos têm uma queixa maior de dificuldade de sentir cheiro e dor na face. Até pela dificuldade de as crianças relatarem os sintomas, então a tosse é um sintoma que os pais percebem. Outra diferença é o papel da adenoide. A adenoide é um tecido linfático que fica no fundo da cavidade nasal. Ela é comum entre as crianças e vai diminuindo com o passar dos anos, e some na vida adulta”, explica.


Larissa Mendes explica que, segundo as diretrizes europeias, a sinusite (ou rinossinusite) é uma inflamação que acomete a mucosa dos seios nasais e também a cavidade nasal, mas é bastante confundida pelos pacientes. “É comum você ouvir as pessoas dizendo que têm sinusite. Na verdade, o correto seria dizer que estão com sinusite. Porque as pessoas falam como se sinusite fosse uma doença crônica. Na realidade, a maioria das sinusites é aguda, ou seja, duração com menos de 12 semanas. As pessoas que falam que têm sinusite ou estão com uma sinusite aguda ou têm uma rinite, que, aí sim, tem quadros crônicos”, esclarece a otorrinolaringologista.

Os sintomas mais comuns em quadros de sinusite são obstrução nasal, secreção nasal e a tosse. Podem existir outros sintomas como febre, lacrimejamento e secreção ocular, dores de cabeça e na face. O diagnóstico, geralmente, é clínico, como explica a médica. “De rotina, não é costumeiro pedir exame complementar, quando a suspeita é de sinusite aguda, principalmente em crianças”, afirma.

Mas a médica especialista na área explica que, em casos mais complexos, outros exames são solicitados: “Em alguns casos são solicitados exames complementares, se houver suspeita de sinusite crônica. Para esses casos costumamos pedir a nasofibroscopia, porque em crianças, por exemplo, a sinusite pode ter a ver com a adenoide, também conhecida como carne esponjosa. Outro exame que costumamos pedir é a tomografia de face”.

A duração dos sintomas é uma característica importante para o diagnóstico, segundo a médica Larissa Fabbri Mendes. “Pode ser aguda ou crônica. A sinusite aguda é aquela que dura menos de 12 semanas. E a crônica é aquela que dura mais de 12 semanas. A gente também tem a classificação de sinusite recorrente, que é quando se tem mais de quatro episódios da doença por ano. Isso é importante para definirmos o tratamento”, diferencia.

Outra classificação importante no diagnóstico é por tipo, dependendo do agente causador. Pode ser viral, bacteriana ou fúngica. “A sinusite viral é a mais prevalente tanto em adultos quanto em crianças. Em crianças, porém, ela é muito mais presente. Em algumas crianças, a adenoide, também conhecida como carne esponjosa, pode ficar coberta por bactérias, o que a gente chama de biofilme, que pode causar sintomas nasais persistentes. O nariz não para de escorrer, não desentope, a criança não para de tossir”, descreve a média.
Esse diagnóstico é importante também para definir o tipo de tratamento que o paciente precisa. Para a sinusite aguda viral, o tratamento é de suporte, ou seja, para aliviar os sintomas. “O que nós fazemos para todos os pacientes é a hidratação, a lavagem nasal com soro, e as outras medicações a gente dá conforme os sintomas. As sinusites virais elas vão ter a mesma duração independentemente das medicações”, explica Larissa.

“As sinusites bacterianas têm um tratamento mais específico. A gente também faz a lavagem nasal, mas a gente precisa entrar com o antibiótico. Isso, inclusive, é uma questão de muita confusão entre os leigos. As pessoas acham que sinusite tem que ser tratada com antibiótico e, na verdade, não necessariamente. A minoria dos casos é bacteriana e precisa de antibiótico”, relata a médica.

Citação: “Para todos os quadros virais, que começaram com nariz entupido, coriza, é importante manter as crianças bem hidratadas e fazer lavagem nasal. Tudo isso ajuda bastante a aliviar os sintomas. É importante também ficar atento a alguns sinais, como se a criança apresentar febre acima de 38°C, uma queda no quadro geral – se a criança não estiver tomando líquidos, com risco de desidratação, dor na face... pode ser indicativo de uma sinusite bacteriana, ou seja, precisa entrar com o antibiótico”.
 


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