27/05/2022 às 15h46min - Atualizada em 28/05/2022 às 00h02min

Assédio sonoro: como as caixinhas de som na praia podem prejudicar a audição?

Prática foi proibida nas praias do Rio de Janeiro e especialista em sound branding classifica essa importante questão como saúde pública

SALA DA NOTÍCIA Yasmin Rodrigues Assagra
www.zanna.com.br
Divulgação
Neste exato momento, em algum lugar, existe uma pessoa conectando seu celular a uma caixinha de som para propagar a sua playlist pessoal, sem perceber o que está acontecendo por perto. Mas, esse gesto aparentemente “normal” pode ir além de um momento de descontração ou lazer e gerar consequências mais graves para as pessoas que estão ao redor. Situações como essas podem ser classificadas como “assédio sonoro”, de acordo com a especialista em Sound Branding, Zanna.

Um bom exemplo dessa prática está no uso de aparelhos em volume alto nas praias. Segundo Zanna, essa questão já é classificada como saúde pública já que a poluição sonora provoca estresse e altera os batimentos cardíacos. “O abuso acontece na medida em que nosso espaço sonoro é ocupado por outros, sem que a gente permita. O volume desmedido acima dos limites saudáveis para o corpo, a repetição excessiva de melodias insistentes e informações nas quais não estamos interessados é também uma forma de abuso”, explica a também cantora e CEO da agência Zanna.

Há um mês, a prefeitura do Rio Janeiro emitiu um decreto proibindo a poluição sonora com caixinhas de som nas praias cariocas. A determinação prevê multa de 500 reais e o recolhimento do equipamento, que dividiu opiniões nas redes sociais. A polêmica que explodiu em torno mostra o quanto o assunto é importante. “Algumas vozes se levantaram em protesto, argumentando sobre questões culturais, dizendo que o pessoal dos subúrbios tem hábito de ouvir música alta nas suas caixas e não seria democrático proibir”, avalia Zanna. “Primeiro, não é só o pessoal do subúrbio que usa caixinhas. São todos. E isso cria um caos, uma guerra de frequências, de timbres e ritmos, cujo efeito é saturação, irritação, estresse”, completa a especialista.

Zanna ainda avalia que o reflexo desses sons altos impacta na vida das pessoas que vão à praia para ouvir o barulho do mar, por exemplo. Mas apesar disso, o som também pode acalmar, conforme determinadas situações. “Tudo isso é muito individual. Portanto, sejamos razoáveis, vamos usar fones de ouvido, para não obrigar as pessoas a ouvirem o que queremos”, pontua a cantora.

Na publicidade, Zanna também comenta que o assédio sonoro e o visual, podem acontecer. Exemplo disso, são os jingles repetitivos e até anúncios excessivos pelo Instagram. Muitas marcas, segundo a cantora, abordam sem o consentimento e acabam invadindo o espaço do consumidor. “É muito importante a marca saber bem quem ela é para atrair seu público pela ressonância, pela compatibilidade de interesses e coisas do tipo. Estabelecer relação é sobre comunicar”, aconselha Zanna.

Fundadora da agência que leva o seu nome, Zanna desde cedo canta, toca violão e compõe. Seu primeiro disco solo teve três indicações ao Grammy Latino 2017, incluindo Melhor Álbum de MPB. Entre as faixas mais populares no Spotify estão Vento de Praia Nordeste e Menina de Vento, que fez parte da trilha sonora da novela Orgulho e Paixão (TV Globo). Ela é conhecida por fazer a voz nas linhas do MetrôRio e compôs seu tema musical, presença constante nas playlists das festas de formatura na cidade. A artista também publicou o livro Sound Branding, a Vida Sonora das Marcas onde também apresenta dados científicos sobre o impacto do som.

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