25/05/2022 às 13h06min - Atualizada em 25/05/2022 às 13h06min

Evento de arrecadação para campanha de Bolsonaro reúne investigados e lobistas

AB Notícias News
Bahia.ba
Marcos Corrêa/Presidência da República
Em um evento para arrecadar fundos junto a empresários para a campanha à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniu com investigados nas operações Sanguessuga e Desolata, da Polícia Federal.
Segundo informações do Estadão, o almoço de arrecadação aconteceu neste fim de semana, em uma casa em Brasília, com a participação de 100 convidados, incluindo políticos, ruralistas e lobistas. Um dos organizadores foi o ex-senador Cidinho Santos (União Brasil).
Conforme apurou o jornal, no convite distribuído em um grupo de WhatsApp, os empresários afirmaram que o encontro seria o “primeiro” de uma série voltada para ruralistas, com o objetivo de “pagar os custos da campanha do presidente”.
Os participantes destacaram, entretanto, que o movimento seria “discreto”, “sem divulgação de mídia” e com “pessoas de confiança”. “O objetivo é que esse grupo se espalhe para os 27 Estados para ajudar na campanha”, dizia mensagem obtida pelo Estadão.
Durante o evento, ao lado de Bolsonaro, o ex-senador Cidinho agradeceu a presença dos convidados para a “missão”. Ele foi condenado em 2019 pela 8.ª Vara da Justiça Federal, em Cuiabá, na Operação Sanguessuga, por superfaturar equipamentos hospitalares quando era prefeito de Nova Marilândia (MT). Ele recorreu ao Tribunal Regional Federal e a Procuradoria da República da 1.ª Região emitiu parecer pela anulação da sentença, mas o processo está parado.
Ainda no almoço de arrecadação, Cidinho disse que procurou “Fernandão” para ajudar no evento por ter uma “casa boa”. A pessoa citada, em questão, era Fernando de Castro Marques, dono do laboratório União Química, que fez lobby para tentar vender a vacina russa Sputnik, mas teve resistência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo a publicação, Marques atualmente quer a vaga de suplente da ex-ministra Damares Alves, que deve concorrer ao Senado. Hoje filiado ao Progressistas, em 2018 ele tentou a vaga de senador pelo Solidariedade, mas não conseguiu. À época, declarou um patrimônio de R$ 667 milhões, o maior registrado por um candidato naquelas eleições. Apesar disso, o empresário responde na Justiça por dívida com uma gráfica pela impressão de santinhos. Ele nega.
Quem também participou do evento de arrecadação foi Valdinei Mauro de Souza, o Nei Garimpeiro, investigado na Operação Desolata por garimpo ilegal, em Poconé (MT), e Maurício Tonhá, investigado pela Receita e citado na Lava Jato por vender bois para o doleiro Alberto Youssef.
Estavam no almoço ainda Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro; a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (Progressistas-MS), pré-candidata ao Senado.
Ao jornal, a especialista em Direito Eleitoral, advogada Juliana Bertholdi, explicou que atualmente a forma lícita de arrecadar recursos para campanhas ocorre por meio de vaquinha virtual em plataformas autorizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela destacou que doações de empresas são proibidas. “Pessoa jurídica de forma alguma, em nenhum momento da campanha”, informou.
Procurado pelo Estadão, Cidinho disse desconhecer o convite que citava arrecadação para campanha de Bolsonaro. “Fizemos um almoço lá para a ministra Tereza, em homenagem a ela. Não teve esse objetivo de arrecadar nada, não”, afirmou. “O presidente não estava nem previsto para estar lá”, acrescentou, ainda que a presença de Bolsonaro tenha sido confirmada.


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