11/05/2022 às 16h16min - Atualizada em 13/05/2022 às 00h02min

Após ser diagnosticada com aneurisma, Juliette passa por cirurgia e recebe novo laudo médico

Histórico familiar trágico de aneurisma e AVC acendeu o alerta para Juliette, que descobriu posteriormente se tratar de uma "formação atípica" da artéria

SALA DA NOTÍCIA Feres Chaddad
http://www.fereschaddad.com.br/

Durante uma entrevista ao programa da TV Globo "Conversa com Bial", exibido na quarta-feira (09), Juliette Freire falou abertamente a respeito de um diagnóstico que recebeu em agosto do ano passado sobre um aneurisma cerebral. A negativa da doença foi descoberta cerca de dois meses depois, quando a ganhadora do Big Brother Brasil de 21 foi submetida a uma cirurgia em que os médicos identificaram, na verdade, uma formação anormal da artéria.  

O primeiro diagnóstico foi identificado a partir de um check-up de rotina que a artista decidiu fazer, enquanto levava sua mãe para também realizar exames e uma cirurgia em São Paulo devido a um "buraquinho" que ela tem no coração. Além disso, a mãe de Juliette também já sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 2019, mesmo acometimento que, em decorrência do rompimento de um aneurisma, levou sua irmã, de apenas 17 anos, a falecer precocemente.  

O neurocirurgião Dr. Feres Chaddad, Professor e Chefe da disciplina de Neurocirurgia da UNIFESP e Chefe da Neurocirurgia da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que o histórico familiar é um grande fator de risco para doenças neurológicas, como no caso de Juliette. "Cerca de 15% dos pacientes portadores de aneurisma cerebral vem de famílias em que há a incidência da enfermidade. Por isso, é extremamente importante que pessoas com histórico familiar de aneurismas façam exames de rotina e acompanhamento especializado, avaliando de perto a situação, se existem riscos ou possibilidades futuras de manifestação", finaliza Feres. 

Entenda o funcionamento de um aneurisma e por que ele não desaparece de repente 

"Um aneurisma cerebral não rompido pode manter-se assintomático por muitos anos, principalmente se for pequeno. No entanto, com o passar dos anos, pode pressionar os tecidos cerebrais e nervos, causando: dor acima e atrás de um olho, pupila dilatada, mudança na visão ou visão dupla e dormência de um lado do rosto. É por essa razão que grande parte dos pacientes só descobrem o aneurisma quando ele se rompe", aponta Chaddad. 
 
O aneurisma rompido apresenta como principal sintoma a dor de cabeça súbita e intensa, além de náusea e vômito, torcicolo ou rigidez no pescoço, visão turva ou dupla, sensibilidade à luz, convulsão, pálpebra caída, perda de consciência e confusão mental. Em alguns casos, pode acontecer um pequeno vazamento sanguíneo, que provoca dor de cabeça súbita e extremamente forte. Nesses tipos, geralmente uma ruptura mais grave ocorre após esse vazamento. 

É por esse motivo que, quando há a confirmação do diagnóstico, feita por exames apropriados como uma angiografia cerebral digital, considerada padrão ouro por especialistas, não há a possibilidade de o aneurisma desaparecer. "Como no caso de Juliette, pode acontecer de um aneurisma ser confundido com outras complicações, a exemplo de dobras na artéria e alterações anatômicas, ou ainda uma dilatação da própria artéria cerebral, chamado de infundíbulo", comenta Feres.  

Necessidade de atenção e acompanhamento global 

A grande preocupação com os aneurismas cerebrais é que eles correspondem a uma das mais importantes causas de mortalidade em todo o mundo. A hemorragia subaracnóidea, que tem como principal fator a ruptura de um aneurisma, equivale a 5% de todos os AVCs. Esse tipo de ocorrência é mais prevalente no sexo feminino, com manifestação entre 40 e 60 anos, o que merece atenção das mulheres, em especial àquelas que apresentam predisposição genética. 

O não rastreamento e acompanhamento de sintomas neurológicos leves e intermediários tem se mostrado como um problema grave e urgente. Piora ainda mais quando se fala da dificuldade de pacientes e grupos de risco que não conseguem acessar o sistema de saúde e fazer os exames corretos e precocemente. A falta de atendimentos integrais e acessíveis que observem os impactos na saúde de maneira específica e abrangente é ainda um grande desafio. 

Parte desses pacientes podem apresentar manifestações neurológicas e psicológicas tardias e ter seu tratamento impactado. Por isso, Dr. Feres Chaddad reforça: "o acompanhamento global com equipes multidisciplinares e check-ups médicos regulares é fundamental para os pacientes com aneurismas. Implementar centros de triagem neurológica em hospitais e postos de atendimento é uma necessidade cada vez mais urgente, pois a identificação de alterações neurológicas, de maneira precoce, aumenta as chances de trabalharmos na redução da incidência de danos graves e riscos futuros, podendo evitar mortes por rupturas de aneurismas e AVCs".  

 


Link
Notícias Relacionadas »
Ab Noticias  News Publicidade 1200x90
Mande sua denuncia, vídeo, foto
Atendimento
Mande sua denuncia, vídeo, foto, pra registrar sua denuncia