11/05/2022 às 21h21min - Atualizada em 12/05/2022 às 12h47min

Maternidade tardia avança no país, mas não contribui para a retenção no mercado de trabalho

Segundo dados do IBGE, metade das mães de 25 a 49 anos, que têm crianças de até três anos em casa, estão desempregadas

SALA DA NOTÍCIA Redação
https://www.oya.care/
Camylla Battani/Unsplash

Com o ingresso da mulher no mercado de trabalho e o avanço dos debates sobre os diferentes tipos de maternidades, movimento childfree e maternidade compulsória, as mulheres estão adiando ou até mesmo deixando de lado a decisão de ser mães para focar em outras áreas, principalmente, no desenvolvimento da carreira profissional. 

De acordo com pesquisa divulgada pelo Datasus, o número de mulheres que foram mães após os 40 anos no país aumentou cerca de 49% nas últimas duas décadas. Com base neste cenário, a femtech Oya Care e a B2Mamy, único hub de inovação focado em tornar mães e mulheres líderes e livres economicamente por meio de educação, pesquisa e comunidade, se uniram para falar sobre o impacto da maternidade tardia na vida profissional e pessoal das mulheres.

Postergar a maternidade faz com que as mulheres tenham que se planejar e entender melhor seu corpo e sua fertilidade, além de não ser garantia de um espaço no mercado de trabalho. A Oya Care é a primeira empresa no Brasil a tratar a fertilidade de maneira preventiva. Seu principal serviço, chamado Descoberta da Fertilidade, é composto por um exame que consegue indicar a reserva ovariana por meio da coleta de sangue, uma consulta médica online e um relatório, que pode ajudar nesse mapeamento de possibilidades.

"É muito raro que a mulher olhe para a fertilidade de maneira preventiva aos 20 ou 30 anos; muitas vezes, o tema só é abordado com o ginecologista quando elas começam a tentar engravidar. Porém, com essa decisão sendo cada vez mais adiada, é preciso que as mulheres entendam como anda a fertilidade delas para que assim consigam tomar uma decisão embasada e com mais autonomia", ressalta Natália Ramos, ginecologista especializada em reprodução humana pela Santa Casa de São Paulo e membro-fundadora da Oya Care.

 

Mercado de trabalho ainda precisa avançar

Porém, engravidar mais tarde não é garantia de mais oportunidades de carreira. Os estudos mostram que o mercado de trabalho continua pouco receptivo para as mães. Uma pesquisa realizada pela FGV aponta que após 24 meses da licença-maternidade, quase metade das mulheres estão fora do mercado de trabalho. A maior parte das saídas se dá sem justa causa e por iniciativa do empregador, sendo que as mulheres com menor nível educacional são as mais afetadas. Nesse grupo, a queda de emprego 12 meses após o início da licença é de 51%, contra 35% em mulheres com maior escolaridade.  

O levantamento do estudo Estatísticas de Gênero, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março de 2020, corrobora esse cenário ao indicar que apenas 54,6% das mães de 25 a 49 anos que têm crianças de até três anos em casa estão empregadas. A maternidade tem um entrave ainda maior para mulheres negras: menos da metade delas está inserida no mercado de trabalho (49,7%).

"Estamos observando que ampliar a licença-maternidade para 120 dias não é suficiente para reter as mães no mercado de trabalho. Precisamos que o mercado se adapte para receber melhor essas profissionais, adotando benefícios específicos, como o auxílio-creche, e também investir na capacitação dessas mulheres para que elas consigam crescer na carreira e conciliá-la com a maternidade.", afirma Dani Junco, fundadora e CEO da B2Mamy.


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