05/05/2022 às 16h57min - Atualizada em 12/05/2022 às 00h02min

Ex-morador de rua se torna empresário de sucesso no Brasil

Antônio Silva começou a empreender após assistir um vídeo aleatório na internet

SALA DA NOTÍCIA Vanessa Moraes
Divulgação
Ele nasceu de um estupro, foi forçado por seu padrasto a cometer pequenos furtos quando criança, aos 10 anos se tornou morador de rua, viveu numa delegacia – não como detento – por cerca de quatro anos e já foi devedor de mais de 2 milhões de reais. Mas a despeito de todas as provações e necessidades que passou na vida, ele deu a volta por cima. Hoje, Antônio Silva, de 54 anos, é empresário e através das  criptomoedas conseguiu uma vida confortável junto aos seus 15 filhos, 25 netos, cinco genros e quatro noras.

A realidade que Antônio vive atualmente jamais havia sido sonhada. Tudo começou em São Luís de Montes Belos, em Goiás, quando sua mãe foi abusada sexualmente e engravidou. Após a família dela descobrir a gestação, expulsou-a de casa. Ao dar à luz, aos 16 anos, a mulher entregou o bebê a um catador de reciclagem, que o batizou com o nome de Antônio Silva. Quase seis anos depois, a criança voltou para os braços da mãe biológica, que havia se casado com um homem que cometia roubos na rua. Ele forçava o enteado a praticar os pequenos delitos também. Certo dia, o homem foi pego e quase linchado pelos populares. “Depois de apanhar, ele fugiu e nunca mais o vimos”, recorda Antônio.

Um lar na rua

O segundo casamento da mãe foi com um homem muito religioso que impunha regras rígidas à família. “Como eu não estava acostumado com aquela maneira de viver, ele me fez decidir entre sair de casa ou nos expulsar de lá. Na época, em vez de obedecê-lo, o que era bem melhor, resolvi sair de casa. E de alguma forma isso funcionou, porque ele viveu com minha mãe até o dia em que morreu. Viveram juntos por 40 anos”, ressalta.

Sem recursos, Antônio fugiu de casa e andou até Goiânia. Levou uma semana para chegar lá. Como não tinha para onde ir, fez da rua o seu lar.
 
A fome

A fome foi uma de suas maiores dificuldades. “Cheguei a ficar sete dias sem comer nada. E para mim, roubar não era uma opção, eu não queria. Por causa disso, uma vez tive que comer lixo. Lembro até hoje de quando fui atrás de uma churrascaria em Goiânia, pegava um latão de lixo, separava os pedaços de carne e muitas vezes tinha bicho. Eu tirava os bichos e comia a carne”, narra.

Na rua, Antônio conversava com as pessoas e compartilhava o sonho de ter uma família. Ele acreditava que desta forma não passaria fome nem frio. “Achava que minha solução era ter uma família. Até meus 45 anos eu nunca sonhei em ficar rico, em ganhar muito dinheiro, nada. Meu único sonho era ter uma família. E acho que exagerei, né?!”, brinca.

Um lar na delegacia

As pessoas lhe diziam que para ter família era preciso “ser alguém na vida”, e para isso, era necessário estudar. Então, aos 14 anos, ele pegou um caderno, lápis e borracha e invadiu uma escola, a fim de estudar. “Era governo militar e a polícia me tirou de lá à força. Depois de descobrir que eu não queria fazer mal a ninguém, o delegado ouviu minha história e me deixou morar num cantinho da sala do escrivão. Lá havia uma estante cheia de livros”, comenta.

Antônio morou na delegacia até os 19 anos, quando seu benfeitor foi transferido para outro lugar. “O delegado foi o pai que não tive. Ele me dava conselhos. Foi com ele que aprendi tudo sobre ética, moral e como ser um homem de verdade”, afirma.

Um professor sem formação

O trabalho social passou a fazer parte da rotina de Antônio. Com a experiência obtida nas ruas e com o conhecimento que adquiriu dos livros da delegacia, dava palestras nas escolas e ensinava os jovens a se distanciarem das drogas, além de dar dicas para conseguir emprego e revelar as estratégias que usou para sobreviver e não se envolver no mundo do crime. “Me levaram para dar palestras nas faculdades e um dia alguém me convidou para ser professor substituto. Eu dava aulas de administração, ergonomia e gestão de pessoas. Só perguntavam qual era a minha área de atuação e após três ou quatro meses, no momento da efetivação, descobriam que eu não tinha diploma nem formação nenhuma”, confessa.

Em Palmas, Tocantins, Antônio concluiu o Ensino Médio por meio do EJA (Educação de Jovens e Adultos). Com o passar dos anos, ele também fez curso superior em teologia, pós-graduação em gestão de pessoas e comportamento humano e coleciona dezenas de cursos técnicos.

Família

Quando se mudou para o Mato Grosso, tentou, por diversas vezes, construir uma família, mas não obteve sucesso. Foi então que conheceu a atual esposa, com quem convive há mais de 30 anos e tem nove filhos. “E levei para ela alguns dos filhos que tive dos relacionamentos anteriores. Todos vivem ou trabalham comigo”, menciona.

Dos 16 filhos que o empresário teve, 13 foram criados por ele. Um faleceu de insuficiência renal e dois ele conheceu quando eram maiores. Atualmente, o primogênito tem 35 anos e o caçula, 7. “Os filhos que não moram comigo têm um bom relacionamento com a família. Meus genros e noras trabalham nas minhas empresas. Não somos uma família perfeita, mas somo uma família. Minha esposa Lila sempre ensinou os mais velhos a cuidarem dos mais novos e os mais novos a respeitarem os mais velhos. E eu acho que deu certo”, argumenta.
Empreendedorismo

Antes do sucesso, Antônio já vendeu pão na rua, e em pouco tempo, montou uma padaria. Vendeu filtros de água, literaturas e teve uma distribuidora de livros que faliu posteriormente. Ele sempre foi empreendedor e se considera um vendedor de alto nível. “Sempre vendi e criei coisas novas. Falam que eu tiro ‘leite de pedra’. Mas acredito que quando você é honesto, tem foco, busca conhecimento e uma ideia na cabeça, consegue qualquer coisa”, motiva.

Com a falência da empresa de livros, em 2010, Antônio contraiu uma dívida de cerca de 2 milhões de reais por causa dos empréstimos que fez. Chegou a ter dívidas em 12 bancos diferentes. “Quando cheguei ao fundo do poço, em 2012, fiquei nas mãos dos agiotas. As coisas ficaram complicadas e eu fugi do Norte para Santa Catarina. Mas eu fugi mesmo, para não morrer. Eu não conseguia emprego, meus filhos maiores trabalhavam e ganhavam um salário mínimo e minha esposa trabalhava como faxineira em um bairro de luxo onde moramos hoje. Adoeci, entrei em depressão e até tentei me matar, mas não tive coragem. Na época, minha esposa, que era filha de pastores, sempre me falava de Deus e isso me dava paz”, expõe.

Oportunidade na igreja

Com o passar do tempo, Antônio conheceu uma igreja e fez amizade com o pastor. Ao contar ao líder religioso sobre suas dificuldades financeiras, fez um acordo: levaria suas filhas para fazer faxina na igreja e o pagamento seria a autorização para usar o computador e a internet do templo para tentar arrumar um trabalho. Durante suas pesquisas, Antônio assistiu a um vídeo sobre bitcoin, uma criptomoeda que funciona como dinheiro eletrônico. “Aquilo me chamou muito a atenção. Comecei a estudar sobre como produzir bitcoin e seis meses depois eu tinha a ideia de minerar essa criptomoeda”, relata.

Com persistência, muito suor e as pessoas certas, Antônio se tornou o maior minerador da América Latina com um parque na China, na Islândia e quatro parques no Paraguai. “Mas em 2019 houve uma crise no mercado de criptomoedas e comecei a falir outra vez. Fui, então, a Alemanha e abri uma empresa de custódia de criptomoedas, mas devido à falta de regulamentação, falta de leis e os riscos altíssimos das criptomoedas, direcionei os negócios para outro rumo. Hoje construo usinas de energia solar através da tokenização. Eu desenvolvi um token que é lastreado em usinas de energia solar”, salienta.

Antônio mergulhou no mundo da tokenização, um termo usado para se referir ao processo de transformação de qualquer ativo, bens ou produtos tangíveis ou intangíveis em frações chamadas de tokens. “Hoje temos uma operadora de celulares parceira em Santa Catarina, um banco digital tokenizado na Alemanha, uma usina solar construída de forma colaborativa em Montes Claros, Minas Gerais, e estamos construindo agora, para 2022, outra usina em Bebedouro, São Paulo”, lista.

Desafios

Para Antônio, seu maior desafio nos negócios é criar e regulamentar um mercado novo que, segundo ele, praticamente não existe. “A economia colaborativa está começando agora. E a regulamentação para a tokenização de ativos está apenas no início. O desafio é popularizar isso e ajudar o maior número de pessoas a empreenderem”, destaca.

O empresário garante que qualquer pessoa que possua celular com internet é capaz de trabalhar e obter uma renda extra pela internet. “Eu ensino isso todo dia. No meu perfil no Instagram, @antoniosilva16, todas as manhãs faço lives com séries gratuitas que ensinam as pessoas sobre espiritualidade, dinheiro, negócios, empreendedorismo, relacionamento, família, enfim, tudo o que contribui para uma vida feliz em todos os aspectos. Eu não falo sobre riquezas, apenas sobre prosperidade. Eu não gosto de ensinar a multiplicar dinheiro ou investimentos, gosto de ensinar a produzir, a fazer dinheiro a partir do zero, trabalhando. Depois que a pessoa aprende isso, vai se especializando e todo dia aprendendo um pouco mais, afinal, na internet tem conhecimento de sobra”, sugere.

Sonhos

Ao falar sobre sonhos, o empreendedor afirma que já realizou todos os que dizem respeito a bens materiais. Desde carros luxuosos a mansões e viagens. Mas seu principal sonho é manter a família unida e ver um mundo melhor para seus filhos. “Minha família e eu praticamos trabalho voluntário e serviço social porque gostamos de ajudar as pessoas. Se eu consegui, todos os que estão dispostos a aprender conseguem. Aquele delegado, quando me deu uma chance, não ajudou apenas uma pessoa. Ajudou a mim e a milhares de pessoas que já ajudei, sejam funcionários, parceiros ou quase clientes em várias partes do mundo. Se cada pessoa pudesse ajudar a tirar mais um Antônio da rua, pudesse ajudar alguém, posso afirmar que o mundo seria muito melhor”, conclui Antônio.






 


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