19/09/2019 às 11h04min - Atualizada em 19/09/2019 às 22h11min

Inovação como negócio é aposta da in-cosmetics para setor em crescimento

Feira reflete os desafios de inovação para a indústria de beleza e cuidados pessoais e traça um panorama do impacto da crise econômica no setor

DINO


A in-cosmetics Latin America reuniu ontem, 18 de setembro, inúmeros profissionais do setor na discussão de temas que permeiam a indústria de beleza e cuidados pessoais. O evento, sediado em São Paulo, no Expo Center Norte, tem o apoio da Abiphec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) e realização da Reed Exhibitions.

Em sua 6ª edição, o Workshop Técnico do ABIHPEC, realizado em paralelo ao evento, trouxe insights importantes para uma indústria que movimenta no Brasil, em torno de US$ 30 bilhões ao ano.  O tema inovação como business foi explorado por Sérgio Gonçalves, diretor de marketing e negócios da Chemyunion.“As pessoas confundem inovação com invenção. Não é só tecnologia e ciência, tem que ter essência de negócio. Percebemos nos últimos anos uma aceleração do processo de inovação, o mercado está mais rápido, a tecnologia está mais ágil, o ciclo de vida dos produtos está mais curto e nós precisamos aumentar nossa capacidade de inovar”, esclarece.

Essa consciência e a necessidade de inovar traz os principais nomes do varejo para a feira. André, Matos, pesquisador do O Boticário, revela que o evento faz parte do calendário obrigatório do Grupo. “A in-cosmetics tem um diferencial importante por ser global e trazer as principais tendências e lançamentos para que nós possamos desenvolver produtos cada vez mais inovadores para o mercado e nossos consumidores”, comenta.

A L’Oreal também é outro exemplo de indústria que busca novidades na in-cosmetics. “O formato da feira é propício para uma troca real com os fornecedores sobre o que é tendência e o que está acontecendo. Participar dessa feira é algo muito esclarecedor para inovação e desenvolvimento na área de cosméticos”, revela Fabiana Munhoz, gerente de pesquisa avançada.   

Impactos da crise econômica no setor

A indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos obteve alta de 1,5% entre janeiro e julho de 2019, em comparação com o resultado registrado no mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) durante a abertura da in-cosmetics 2019.

Embora o resultado referente ao faturamento em vendas tenha crescido, o volume de produção retraiu 10,9%, com um total de 1,2 mil toneladas de itens produzidos nas categorias de higiene pessoal, cosméticos, perfumaria e tissue.

De acordo com o presidente-executivo da associação, João Carlos Basilio, os resultados dos sete primeiros meses do ano seguem o mesmo patamar de 2018 e ainda refletem os inúmeros desafios que o setor vem enfrentando desde 2014, em decorrência da crise econômica do país.

“A indústria de HPPC vem reagindo com esforço contínuo de toda a cadeia de valor para superar barreiras. Ainda assim, não somos resilientes a preços e à diminuição do consumo. Hoje temos 14 milhões de pessoas desempregadas. Sem emprego, as pessoas deixam de comprar produtos que são essenciais para a prevenção de doenças e a manutenção da saúde e do bem-estar”, explicou Basilio.

Um mundo de tendências

As indie brands estão com tudo e mostram bem como as gerações Y e Z têm ditado os rumos das principais tendências. Suprindo lacunas de mercado ligadas as necessidades individuais, saúde, bem-estar, sustentabilidade e com valorização de ingredientes brasileiros, faturaram R$ 400 milhões em 2018, de acordo com agências especializadas.

Juliana Martins, especialista sênior de beleza e cuidados pessoais da Mintel, reforça o impacto das empresas independentes para a América Latina. “Essas são empresas menores, mas que pensam em toda cadeia de produtividade, desde os ingredientes escolhidos até a sustentabilidade do produto final e como o consumidor vai usar”, esclarece.

A indústria vem se preparando para o “Do It Yourself – DIY” (Faça Você Mesmo) há algum tempo. É o conceito de que o consumidor manipula ingredientes para alcançar o resultado de cor, textura e efeito que deseja. O maior controle também é parte da tendência “On-The-Go”, onde a praticidade é a palavra de ordem, reduzindo produtos a formatos de bolso para aplicação rápida em qualquer lugar.

Outra aposta de especialistas é a explosão dos cosméticos asiáticos e o Korean Beauty, que é para o setor de beleza o que o K-Pop é para a música, com grande destaque para o skin care, aproveitando que, como na América Latina, o continente asiático é marcado por características culturais que guiam a indústria.

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