13/09/2019 às 13h41min - Atualizada em 13/09/2019 às 13h51min


Como funciona a cirurgia de hérnia e por que Jair Bolsonaro continua afastado por mais quatro dias

Uma hérnia é uma falha na parede abdominal que permite que vísceras dentro do abdômen saiam e fiquem saltadas, cobertas apenas pela pele. As vísceras dentro do abdômen estão protegidas e circundadas pela parede abdominal, que é formada por músculo e uma membrana muito resistente chamada aponeurose. No caso do Presidente, a abertura foi na região do corte de sua cirurgia prévia.

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Dr. Caetano Marchesini durante Congresso Mundial da IFSO, em Madri (setembro)


Desde domingo, Jair Bolsonaro se recupera de uma cirurgia a fim de tratar uma hérnia, causada durante a cicatrização de procedimentos anteriores. O Presidente foi submetido a várias intervenções após levar uma facada no estômago, durante um comício em Juiz de Fora (MG), no ano passado. Nesta quarta-feira, ele passou a ser alimentado de forma endovenosa (pela veia), segundo o boletim médico divulgado pelo Hospital Vila Nova Star, onde continua internado. 

Nesse sentido, surgem algumas dúvidas e questionamentos. O que é uma hérnia e como corrigir? Por que Bolsonaro teve que ficar mais tempo no hospital? A reportagem falou com dois dos maiores especialistas no assunto do Brasil.

Uma hérnia é uma falha na parede abdominal que permite que vísceras dentro do abdômen saiam e fiquem saltadas, cobertas apenas pela pele. As vísceras dentro do abdômen estão protegidas e circundadas pela parede abdominal, que é formada por músculo e uma membrana muito resistente chamada aponeurose. Existem hérnias de nascença, hérnias que acontecem por falhas de fraqueza dessa estrutura de músculo e aponeurose. No caso do Presidente, a abertura foi na região do corte de sua cirurgia prévia.

“Sempre que fazemos uma cirurgia no abdômen, a região do corte é um local potencial de se formar uma hérnia. A correção de hérnias da parede abdominal pode ser feita por meio de um corte que abrange toda a abertura e então dar pontos aproximando os lados dessa abertura, ou através da videolaparoscopia, pequenos orifícios. Geralmente fixa-se uma tela, como um "manchão" para ocluir o defeito. Muitas vezes são cirurgias trabalhosas e demandam habilidade”, esclarece o conselheiro da Federação Internacional para a Cirurgia da Obesidade e Distúrbios Metabólicos (IFSO), cirurgião especialista em bariátrica e cirurgias de alta complexidade no aparelho digestivo, e ex-presidente da SBCBM, Dr. Caetano Marchesini.

Este tipo de cirurgia é considerado frequente. Nos primeiros seis meses deste ano foram realizadas 11.718 cirurgias de reparo de hérnia incisional, pelo SUS, em todo o Brasil, segundo dados do DataSUS. “Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia de colocação de tela para correção de uma hérnia incisional. Foi abordada cavidade abdominal, desfeita aderências oriundas das cirurgias prévias, e fechamento da parede com uma tela. “O tempo cirúrgico foi um tanto estendido para o procedimento, mas não causa estranheza pelo fato de que desfazer aderências requer meticulosidade e atenção redobrada para não ocasionar lesões intestinais”, explica o Dr. Ricardo Cotta, cirurgião do aparelho digestivo, ex-presidente do Capítulo Rio de Janeiro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD-RJ) e atual conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.

Marchesini diz que Bolsonaro precisou ficar mais tempo no hospital, porque quando o cirurgião vai corrigir hérnias como a do Presidente, muitas vezes precisa identificar as estruturas e fechar o defeito, soltar aderências que envolvem alças intestinais. “A manipulação de alças intestinais pode levar a uma reação inflamatória, que faz com que o intestino pare. Como numa fratura de um osso, o membro precisa ser imobilizado, no caso do intestino, o melhor tratamento é o jejum, para deixar ele se restabelecer. Outra possibilidade é que o processo inflamatório provoque uma oclusão intestinal, o que pode levar à necessidade de outra cirurgia. Conheço bem o Dr. Macedo e conheço sua capacidade como cirurgião. Temos sempre esperança que o Presidente Jair Bolsonaro evolua bem e logo tenha alta”, avalia o especialista.

A previsão inicial era de que o presidente reassumisse o cargo já nesta sexta-feira. No entanto, Jair Bolsonaro seguirá afastado até a próxima terça-feira (17). "A equipe médica da Presidência da República decidiu mantê-lo afastado do exercício da função de chefe do Poder Executivo por mais quatro dias, a contar de 13 de setembro de 2019, com a finalidade de proporcionar maior de descanso", informou o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, no início da noite, em comunicado. 



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