23/07/2018 às 10h15min - Atualizada em 23/07/2018 às 10h15min

Seleção treina em clube que consagrou Calisto e internou Chulapa

Bruno Marinho

Agência O Globo -
Agência O Globo -

Kazan - Aloísio ainda não era conhecido por chamar cerveja de danone e nem pelo bordão "acaba não, mundão" quando desembarcou em Kazan em2003, cidade onde a seleção brasileira enfrentará a Bélgica, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo. Foi o brasileiro de maior nome a jogar pelo Rubin, mas foi o que deixou menos saudades.

Para poupar o gramado da Arena Kazan, a seleção brasileira jogou no Estádio Central de Kazan, ex-casa do Rubin. A única referência ao Chulapa perto do estádio foi um brasileiro que apareceu na recepção aos jogadores da seleção na cidade com uma camisa com o rosto do folclórico atacante.

O folclore de Aloísio conta com uma passagem louca por Kazan. Aloísio Chulapa costuma lembrar que passou sua primeira noite no manicômio da cidade russa, porque o clube não conseguiu um quarto para ele pernoitar. História que não é muito conhecida pelas bandas da Rússia.

- Quando ele jogou aqui, teve muitos problemas de lesão. As pessoas diziam também que teve problemas com sua família. Nunca ouvimos falar que ele esteve em um manicômio aqui. Talvez seja uma história que ele conte somente no Brasil - afirmou Vladimir Kerinsky, torcedor do Kazan.

Certo mesmo é que a passagem de dois anos contou com apenas 15 jogos disputados e um gol. O saldo maior foi de decepção. Pelo menos por parte dos russos, que também lamentam a passagem de Carlos Eduardo, ex-Grêmio e Flamengo, por aqui.

- Eles chegaram com status de astros, vistos como jogadores de alto nível que eram, já conhecidos na Europa, mas não mostraram praticamente nada - lamentou Kerinsky: - O clube pagou muito por Carlos Eduardo e ele infelizmente passou muito tempo emprestado para outros clubes.

Por outro lado, há brasileiros que são queridos em Kazan. O atacante Roni, velho conhecido das torcidas de Fluminense e Goiás, entre outros clubes, deixou saudades no Rubin. Foi uma passagem curta, de apenas uma temporada, mas de gols que conquistaram a torcida do clube - ofuscado de certa forma na cidade pelo sucesso do time de hóquei de Kazan, campeão russo e uma das potências do país.

Mas quem fez sucesso mesmo no Rubin Kazan foi Calisto. O lateral-esquerdo, pouco conhecido no Brasil, com passagens por Vasco e Atlético Mineiro, é reverenciado na capital da República do Tardaquistão. Foram cinco temporadas no clube, suficientes para escrever seu nome na história. Este ano, o Rubin comemorou 60 anos de fundação e reuniu alguns dos principais jogadores. Calisto foi convidado, compareceu a Kazan e foi homenageado pelo clube.

- Dois brasileiros fizeram os torcedores se apaixonarem e lembrá-los para sempre: o atacante Roni e o lateral Calisto. Aloísio foi apenas um número aqui - resumiu Sergey Kruglov, torcedor do Rubin Kazan.


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