27/01/2022 às 15h43min - Atualizada em 28/01/2022 às 00h01min

Mundo: estrutura e conjuntura em 2022

André Frota (*)

SALA DA NOTÍCIA André Frota
A conjuntura de 2022 reserva incertezas de escala global. A primeira é o risco associado às novas ondas de contaminação derivadas das mutações do coronavírus. O mundo ainda se encontra submetido a uma condição de pandemia e os índices de reprodução do vírus são demasiadamente altos para encerrar o ciclo de contaminação global iniciado em 2020.

Três são as razões que mantêm esse como primeiro horizonte a ser observado em um ensaio de previsão. A primeira é a assimetria na distribuição de vacinas no espaço geográfico. A forma como as vacinas são produzidas e distribuídas contém uma irracionalidade diante da disseminação global das novas variantes virais. Os centros de produção são concentrados em um número restrito de países, e as capacidades logísticas dos sistemas de saúde nacionais implementarem programas de vacinação são irregulares. Irracionalidade e irregularidade criam gargalos produtivos e distributivos para uma vacinação em escala global.

A segunda razão é a desinformação associada às vacinas. Setores da sociedade norte-americana e europeia resistem aos programas de vacinação aplicados pelos seus países. Esses núcleos de indivíduos não imunizados abrem espaço para novas variantes surgirem e iniciarem novos ciclos de contaminação regional e global.

A terceira razão são os potenciais efeitos econômicos de novas ondas de transmissão global. Uma nova retração na demanda por produtos, seguida de uma desaceleração na oferta dos bens e, portanto, de uma diminuição no volume de trocas realizadas, é um cenário de retorno às incertezas próprias, que marcaram os dois anos de pandemia.

Do ponto de vista conjuntural, a evolução da pandemia é o fator que ainda deve permanecer como principal incerteza para o ano que está por vir.

Já os fatores estruturais, que devem seguir constrangendo a forma como as relações internacionais ocorrem, derivam das relações entre EUA, China e Rússia. Os três países representam os principiais centros de decisão militar no sistema internacional, e a posição que ocupam no tabuleiro geopolítico impõe tensões para esses três grandes estados.

O caso que está na agenda do começo do ano é uma potencial invasão russa na Ucrânia, seguida de uma reação em cadeia entre os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O início de uma guerra no Leste Europeu pode induzir a um cenário de degradação nas relações entre a Rússia e o Ocidente, o que gera um alto nível de incerteza em relação ao desenvolvimento de uma guerra clássica na fronteira russa.

Do ponto de vista teórico, a guerra e a ameaça da guerra são uma constante, em um ambiente caracterizado pela inexistência de uma entidade militar supranacional. A aparência de normalidade na vida cotidiana civil escapa à perenidade dos conflitos, que fazem parte do cotidiano dos cálculos militares.

Em vias de síntese, a estrutura das relações internacionais em 2022 tende a constranger as grandes potências ao conflito e a insegurança. Enquanto a pandemia mantém um horizonte carregado de incertezas para toda população mundial.


*André Frota é professor de Relações Internacionais, Ciência Política e Geografia do Centro Universitário Internacional Uninter

 
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