20/01/2022 às 18h13min - Atualizada em 21/01/2022 às 00h01min

Transformação das cadeias produtivas: o impacto da pandemia que reverberou em projetos digitais acelerados

*Por João Alfredo Pimentel

SALA DA NOTÍCIA Agência Oliver Press

Por meio das incertezas que vieram junto com a pandemia, passamos a observar o impacto desta crise em aspectos sociais, econômicos, culturais e políticos. Diversas mudanças afetaram, inclusive, o mundo dos negócios, uma vez que vários segmentos do mercado precisaram se adaptar à nova realidade. A resposta para todo esse processo foi apenas uma: aceleração em massa da transformação digital.

De acordo com uma pesquisa da McKinsey, empresa de consultoria empresarial americana, as organizações aceleraram a digitalização de suas interações com clientes, cadeias de suprimentos e suas operações internas em até três e quatro anos. Já a participação de produtos digitais em seus portfólios foi acelerada em sete anos – quase todos os entrevistados disseram, ainda, que suas empresas levantaram pelo menos soluções temporárias para atender às novas demandas que lhes foram feitas.

Foi diante deste cenário que passamos a contar com um colapso das cadeias produtivas, especialmente pela falta de suprimentos e de sincronização de processos produtivos entre os elos da cadeia de supply chain – fluxo de materiais e atividades relacionadas ao longo dos processos de produção – que estavam desalinhados. Além disso, foi possível observar a falta de tecnologia em procedimentos tradicionais, como vendas da cadeia de distribuição, atendimento ao cliente, serviços e relacionamento, ao qual estavam atrelados, anteriormente, a métodos tradicionais e com pouca tecnologia embarcada.

No entanto, muitas dessas inovações já estavam no mercado, porém com uma baixa aderência dos players voltados às cadeias de distribuição, que, infelizmente, postergaram sua aplicação. Porém, nos dias atuais, passamos a contar com uma adoção em massa destas tecnologias digitais emergentes, voltadas à transformação digital das cadeias produtivas.

Só para se ter ideia, dados da Statista apontam que, enquanto em 2018 as empresas transformadas digitalmente representavam 13,5 trilhões de dólares do Produto Interno Bruno (PIB) nominal global, em 2023, elas devem representar 53,3 trilhões de dólares, mais da metade do PIB nominal geral – isso significa que as organizações perceberam que, além de ajudar a tornarem seus processos mais eficientes, a transformação digital foi um importante agente no enfrentamento à pandemia.

Está havendo uma profunda transformação digital nos processos de vendas, além de novos canais digitais e do incremento das experiências de todos os contatos com o consumidor, uma vez que passamos a contar com a integração do físico com online, criando uma nova visão integrada ao consumidor em uma experiência dos mais variados canais de contato. Existem várias tecnologias que estão impactando profundamente as cadeias produtivas, assim como o marketplace B2B2C, ao qual integra todos os elos da cadeia de valor (indústria, importadores, distribuidores, lojistas e consumidores).

Além disso, os serviços de crédito e serviços financeiros estão alavancando ainda mais os negócios, acelerando o processo de digitalização e financeirização das cadeias produtivas, por exemplo. Já os aplicativos de delivery trouxeram uma evolução radical na experiência com compras online, trazendo ao consumidor final o conforto em receber suas compras com praticidade, conveniência e agilidade nas entregas. Soluções de cashback (palavra em inglês que significa "dinheiro de volta"), também ajudaram os consumidores em sua jornada de experimentação de novos produtos, auxiliando a indústria no lançamento de novos produtos  e campanhas de fidelização, o que acabou gerando recorrência nas compras.

 

*Empreendedor digital serial na área da Tecnologia da Informação, João Alfredo Andrade Pimentel foi sócio-fundador da NetMicro e depois, como CorpFlex, consolidou a maior plataforma de Private Cloud no Brasil, cybersecurity e serviços gerenciados. O investidor fez seu primeiro exit da CorpFlex, em 2020. O segundo exit foi da startup Fix, em 2021, da qual foi investidor-anjo. Atualmente, Pimentel é investidor fundador do SCALEXOPEN, fundo de investimento para startups em estágio seed e pré-seed de base tecnológica com alto poder de escalabilidade.


 
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