13/01/2022 às 18h21min - Atualizada em 13/01/2022 às 18h21min

Obesidade prejudica imunidade e pode aumentar risco de infecções

Tecido gorduroso produz substâncias que afetam o sistema imunológico, por isso os obesos estão mais suscetíveis a problemas de saúde. Além disso, a obesidade aumenta os níveis de inflamação do organismo.

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Tribuna da Bahia
Divulgação

A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de gordura corporal e traz riscos, principalmente, para o coração, mas também aumenta as chances de infecções e diversos outros problemas de saúde, como explica a gastroenterologista da Diagnoson a+, do Grupo Fleury. 

Segundo a especialista, nem todos sabem que o excesso de peso pode também afetar o sistema imunológico, por isso é importante um alerta, pois o sistema imune sofre diversas alterações em decorrência direta da obesidade e tais alterações podem contribuir para essa suscetibilidade aumentada ao desenvolvimento de doenças crônicas e infecciosas.  

“A obesidade aumenta o risco de outras doenças por dois principais motivos: primeiro por conta do estado de inflamação crônica, principalmente associado ao acúmulo de gordura visceral, levando a consequências metabólicas, como Diabetes Mellitus, Hipertensão Arterial Sistêmica, Doença Hepática Gordurosa Não-Alcóolica. E segundo por ocasião do impacto mecânico do acúmulo de gordura, associado a osteoartrose, SAHOS (Síndrome da Apneia-Hipopneia do Sono) e DRGE (Doença do Refluxo Gastroesofágico)”, alerta a médica.   

Ela explica ainda que a obesidade, principalmente quando há maior acúmulo de gordura abdominal, está associada a um aumento de produção de mediadores inflamatórios, levando a um estado de inflamação crônico leve. Esse ambiente inflamatório afeta o funcionamento do sistema imunológico com diminuição da resposta imune frente a alguns patógenos.  

“Ao prejudicar a imunidade, a obesidade aumenta o risco de infecções, principalmente o risco associado a doenças virais. Na pandemia pelo SARS-CoV-2, por exemplo, os pacientes obesos apresentam um maior risco de evolução para hospitalização, necessidade de uso de ventilação mecânica e mortalidade”, comenta.  

Além das doenças crônicas como diabetes tipo 2 e hipertensão, a Dra. Virgínia relaciona outras doenças que também podem ser desencadeadas ou agravadas pela obesidade, como:   

  • Doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, insuficiência cardíaca, dislipidemia; 
  • DHGNA (Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica); 
  • SAHOS (Síndrome da Apneia-Hipopneia do Sono); 
  • SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos); 
  • Insuficiência renal crônica; 
  • Osteoartrose; 
  • Neoplasias em locais como mama, ovário, útero, rim, vesícula biliar, esôfago, estômago, cólon, fígado e pâncreas, e próstata; 
  • Asma; 
  • DRGE (Doença do Refluxo Gastro-Esofágico); 
  • Litíase de vesícula biliar; 
  • Hiperuricemia; e 
  • Doenças psiquiátricas, como depressão.  
     

Também há alguns alimentos que podem prejudicar o sistema de defesa do corpo em uma pessoa obesa e são chamados de pró-inflamatórios, como os ricos em gorduras saturadas (fast foods, por exemplo) e ultra processados (refrigerantes, sucos industrializados, biscoitos industrializados, refeições industrializadas congeladas).  

De acordo com a gastroenterologista, como a obesidade é uma doença crônica, é muito importante o acompanhamento médico, tanto para o tratamento dessa doença quanto de outras que podem estar relacionadas. “Manter hábitos de vida saudáveis, como a diminuição de consumo de alimentos ultra processados e gorduras saturadas e a prática de exercício físico regular (mínimo de 150 minutos por semana, de intensidade moderada), diminui o risco de evolução para doenças cardiovasculares e outras patologias associadas a obesidade”, conclui. 
 


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