08/01/2022 às 09h30min - Atualizada em 08/01/2022 às 09h30min

Políticos buscam vaga no Congresso após derrotas em 2018

O presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), vê na eleição de caciques regionais uma maneira de aumentar a bancada do partido na Câmara

AB NOTICIAS NEWS
O Estado de S.Paulo
Reprodução

Atingidos pela onda de renovação que dominou as eleições de 2018, políticos que exerceram cargos importantes em governos ou no Congresso no passado vão tentar uma redenção nas urnas em 2022. Nomes como a ex-ministra e ex-presidenciável Marina Silva (Rede-AC), o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MBD-CE), o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB-PR) e a ex-senadora Heloísa Helena (Rede-AL) pretendem se candidatar à Câmara após derrotas sofridas quatro anos atrás. A estratégia de partidos como MDB, PT, PSDB, PSB e Rede é apostar nos mais experientes nas eleições para deputados federais.  

O presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), vê na eleição de caciques regionais uma maneira de aumentar a bancada do partido na Câmara. "Vamos eleger mais de 50 deputados federais. São puxadores de votos", disse ele ao Estadão. Antes de 2018, a sigla disputava com o PT o título de maior bancada na Câmara, com mais de 60 representantes, mas hoje é apenas a sexta, com 34. 

Além de Eunício, o partido deve lançar ex-governadores Roseana Sarney (MDB-MA) e Germano Rigotto (MDB-RS) como candidato a deputado, enquanto os ex-ministros e ex-senadores Garibaldi Alves (MDB-RN) e Romero Jucá (MDB-RR) devem tentar voltar ao Senado. 

Líder do PT na Câmara, o deputado Reginaldo Lopes (MG) também afirmou que sua sigla deve apostar em candidaturas de ex-governadores e ex-senadores para ajudar o partido a manter um bom número de representantes na Casa. "Queremos eleger uma grande bancada, pelo PT e também na federação partidária", afirmou. Os ex-governadores Fernando Pimentel (PT-MG), Agnelo Queiroz (PT-DF) e o ex-senador Lindbergh Farias (PT-RJ) estão na lista dos que vão tentar se eleger deputado em 2022. 

A nova tentativa acontece após a maioria desses políticos sofrerem derrotas para novatos. Em Minas Gerais, por exemplo, Pimentel fracassou na tentativa de reeleição a governador e não chegou nem ao segundo turno, que foi vencido pelo estreante Romeu Zema (Novo). No Ceará, Eunício Oliveira não conseguiu renovar o mandato de senador e perdeu para Eduardo Girão (Podemos), também em sua primeira eleição. Mesmo caso se repetiu no Espírito Santo, onde Magno Malta (PL-ES) foi derrotado na tentativa de renovar o mandato de senador e viu nomes fora da política como Fabiano Contarato (Rede) e Marcos do Val (Podemos) se elegerem. Agora, Malta, que recusou ser vice de Bolsonaro quatro anos atrás, vai tentar uma vaga na Câmara. 

Cláudio Couto, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), avalia que as eleições municipais de 2020 já começaram a sinalizar uma mudança em relação ao interesse do eleitor em eleger os chamados "outsiders" como visto em disputas anteriores. "A eleição de 2020 já foi um certo retorno à política normal, na comparação com aquilo que a gente viveu nesses últimos anos, pelo menos em 2016 e 2018, já na onda do que começou a acontecer em 2013", afirmou. 

Partidos consolidados, como MDB, PSD e Progressistas foram os principais vencedores das disputas locais, que também contou com a volta de antigos governantes, caso de Eduardo Paes (PSD), que assumiu a prefeitura do Rio pela terceira vez. 


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »