19/07/2018 às 14h00min - Atualizada em 19/07/2018 às 14h00min

Em meio a guerra comercial, preço da soja brasileira tem maior alta em quatro anos

Valorização ocorre por causa do aumento da presença do grão no mercado chinês

Agência O Globo -
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Foto: RR Rufino

WASHINGTON — Os preços da soja nos EUA e no Brasil, as nações que respondem por cerca de 80% das exportações globais, tomaram caminhos drasticamente diferentes graças às disputas comercial entre as duas maiores potências econômicas do planeta, acentuadas por Donald Trump.

Nos EUA, os preços médios da saca do grão caíram para cerca de US$ 7,79 por bushel (medida usada pelo mercado internacional, equivalente a 27 quilos) esta semana, a maior perda em quase uma década, segundo um índice compilado pela Minneapolis Grain Exchange, empresa americana especializada no comércio de grãos. As tarifas da China sobre bens americanos, incluindo produtos agrícolas, entraram em vigor depois que os EUA implementaram uma série de tarifas no início de julho. Em meio a isso, o presidente Trump ameaçou mais retaliações contra os produtos chineses.

Enquanto isso, no Brasil, as exportações de soja passam por bons momentos em meio às disputas entre China e EUA. A soja que será carregada em agosto no porto de Paranaguá, no Paraná, alcançou US$ 2,21 a mais por bushel do que os contratos futuros de Chicago, a maior diferença desde que os dados começaram a ser compliados, em 2014. A diferença entre o preço da soja brasileira e americana triplicou desde o final de maio, segundo dados do Commodity 3, portal de referência sobre produtos agrícolas.

— As diferenças de preço refletem a crescente possibilidade de a China ser cada vez mais dependente da soja brasileira — disse Luis Fernando Roque, analista da consultoria Safras & Mercado.

 

A melhora nos preços significa que a diferença de valor adicional para o fornecimento da soja brasileira é igual a cerca de dois terços do custo das tarifas que a China está planejando cobrar em relação aos embarques dos EUA, de acordo com um relatório da consultoria americana INTL FCStone.

Até agora, boas margens de esmagamento dos grãos estão ajudando a manter a robusta demanda chinesa em relação ao fornecimento brasileiro de soja, mesmo com o aumento dos preços. A China comprou cerca de 1,1 milhão de toneladas de soja do Brasil na última semana, enquanto nenhuma compra dos EUA foi divulgada, de acordo com o Centro Nacional de Informações sobre Grãos e Óleos da China.

Esse é um movimento incomum para esta época do ano, quando a China geralmente começa a reservar a oferta dos EUA nos meses que antecedem a colheita da América do Norte. Os suprimentos no Brasil começam a cair depois que os embarques atingem o pico da temporada em maio.


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