04/12/2021 às 09h07min - Atualizada em 04/12/2021 às 09h07min

Qual o dress code ideal para Salvador?

Após episódio envolvendo o cantor Jau, CORREIO foi às ruas perguntar qual é o look oficial da cidade

AB Notícias News
CORREIO 24HR
Reprodução

Com clima quente e úmido, mesmo quando chove em Salvador, dificilmente os termômetros marcam um número abaixo de 22°C. É de se esperar que os soteropolitanos, principalmente os que prezam pelo conforto, se vistam conforme a sensação térmica.

O episódio envolvendo o cantor Jau e sua equipe na noite de quinta-feira (2), quando ele e um amigo foram barrados no Sette Restaurante, na Barra, por não se vestirem conforme exigia o e local, deu o que falar.

O estabelecimento alega que o artista e a equipe usavam chapéu e bermuda e que, por isso, estavam em desacordo com o código de vestimenta. Em um vídeo publicado no Instagram, Jau mostra o seu “look” e acusa o Sette de racismo. O cantor registrou um boletim de ocorrência na delegacia da Barra nesta sexta (3). A situação levantou uma questão: qual o dress code que combina com Salvador?

O CORREIO foi às ruas perguntar qual deveria ser o código de vestimenta oficial da capital, além de ouvir a opinião das pessoas sobre o ocorrido.

Kal Gabriel de Jesus, 42 anos, é dono de uma loja que vende acessórios para celulares. Além da regata que leva o número do seu comércio, ele costuma usar bermuda e sandália de dedo para trabalhar. “A gente mora em um país tropical, acho que bermuda e camiseta é um visual adequado”, afirma. Sobre a havaiana que calçava, ainda brincou dizendo que “os gringos não aguentam ver uma que querem comprar”.

 

Já a fisioterapeuta Tairene Silva, de 29 anos, que esperava um colega, também justificou a sensação térmica como motivo principal para a definição do look ao sair de casa: “Nesse calor que a gente está atualmente, um chinelo, uma bermudinha e uma blusa básica são adequados". Enquanto a mulher aguardava o colega usando shorts jeans, o termômetro marcava 28°C.

Sobre o ocorrido com Jau, Tairene afirma que a maioria dos moradores de Salvador se veste dessa forma. “Independente de ter dinheiro ou não, a pessoa quer se sentir confortável”, completa. Apesar do calor, César Costa, 52, diferentemente da maioria dos pedestres do bairro de São Cristóvão, vestia uma camiseta polo, calça e sandália fechada enquanto trabalhava no seu comércio - uma bicicleta que leva os lanches e bebidas que vende.

 

O homem defende que cada um deve se vestir da forma que preferir e ainda diz que muitos estabelecimentos olham para a cor de pele das pessoas ao barrarem a entrada em certos locais: “Cada um anda como achar que deve. A roupa pode ser qualquer uma, o importante é estar vestido. Às vezes, olham até a cor, mas não se pode julgar ninguém pela aparência”

O músico Daniel Melo, 34, trabalhava como locutor em um comércio na avenida Aliomar Baleeiro, na sexta-feira à tarde. Vestia bermuda, camiseta e tênis, além, é claro, do topete na cabeça. “Nós temos que ter o livre arbítrio de andar como quiser”, cravou o rapaz. “Se eu vou entrar em um restaurante, eu vou de sandália e de bermuda, não vou andar de calça nesse calor de Salvador”, ressalta.

Nice Oliveira, de 64 anos, levou em consideração o racismo ao opinar sobre a situação que o cantor enfrentou no restaurante: “O cara tinha que estar como? De terno e gravata?” questiona. “Eu acho que o pessoal está sem noção, essa história de roupa não tem nada a ver, o preconceito está aí agindo sobre todos, principalmente sobre quem é negro que nem eu”, complementa.

 

“Você que faz a sua moda”, defende Mery Santana, 54. Este poderia ser o slogan da loja de roupas da qual é dona. Enquanto trabalhava, a comerciante afirmou que ultimamente só anda de sandália de dedo, porque acha “chique”. “Cada um tem que andar como quer e como acha que deve se vestir”, diz. Quem compartilha da mesma opinião é o segurança José Vitor Conceição, de 24 anos. O jovem destaca que o respeito deve vir em primeiro lugar sempre.

“Dependendo do nosso estilo, a gente deve usar o que a gente gosta e se sentir bem e confortável. Jamais alguém deve chegar e dizer que não estamos bem com a roupa que escolhemos”, é o que acredita o rapaz. José destacou que a proibição de frequentar estabelecimentos por conta de vestimenta não deveria existir no Brasil.

 

 


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