14/07/2018 às 05h00min - Atualizada em 14/07/2018 às 05h00min

As perguntas sem resposta sobre a interferência russa

Investigação resultou no indiciamente de 12 agentes russos

Agência O Globo -
Agência O Globo -
 Presidente da Russia vradimir Putin durante a Coletiva de Imprensa em Sanvollina, na Finlandia (Lehtikuva/Martti Kainulainen/Reuters)

WASHINGTON — Uma coisa ficou clara no indiciamente dos 12 espiões russos nessa sexta-feira: o Departamento de Justiça acredita que o governo russo usou hackers para acessar emails do Partido Democrata durante a campanha eleitoral para minar as chances de Hillary Clinton de ganhar a eleição. No entanto, os indiciamentos deixaram algumas importantes questões em aberto, sobre quem teria feito contato com os hackers e por que. Essas são questões para as quais, em pelo menos alguns casos abaixo, o “Washington Post” tem possíveis respostas.

 

Segundo os documentos, os hackers entraram em contato com “uma pessoa próxima a membros do alto escalão da campanha de Trump”, oferecendo ajuda. Jornalistas do “Washington Post” afirmam que essa pessoa seria Roger Stone, um confidente de Trump que atuou como conselheiro não oficial de sua campanha. Embora o inquérito não tenha esclarecido quão frequentes seriam esses contatos, passagens dos indiciamentos indicam que a comunicação com os hackers era frequente, e envolveu comentários sobre documentos roubados da campanha democrata.

 

A tarefa de divulgar a maior parte dos documentos roubados coube a uma organização descrita na investigação como “Organização 1”, que buscava causar o maior impacto possível na campanha de Hillary. Segundo o “Post”, essa organização seria o WikiLeaks, que publicou e-mails roubados do Comitê Democrata. Stone confirmou que teve contato com o site durante a campanha, e que seu fundador, Julian Assange, “mostraria ao país quem era Hillary”. Pouco depois, o WikiLeaks divulgou e-mails roubados do chefe de campanha da democrata, John Podesta.

 

Os documentos apontam que, em julho de 2016, os hackers acessaram os computadores de uma junta eleitoral estadual e roubaram informações a respeito de pelo menos 500 mil eleitores, incluindo nomes, endereços, e números de seguro social. A investigação não soube precisar o que foi feito com essas informações, mas aponta que a operação foi repetida diversas vezes, em estados considerados cruciais para a eleição presidencial como Flórida, Iowa e Geórgia. Nos três estados, o candidato republicano saiu vencedor.

 

Em julho de 2016, durante uma coletiva, Trump disse: “Rússia, se você estiver ouvindo, espero que encontrem os 30 mil e-mails perdidos”, em referência aos e-mails que Hillary não entregou ao FBI ao ser investigada. Embora não haja nenhuma conexão evidente entre a frase de Trump e as ações russas, os documentos apontam que, no mesmo dia do pronunciamento, hackers tentaram acessar ilegalmente 76 endereços de e-mail ligados à campanha de Hillary, o que mostra que estavam atentos às movimentações do republicano durante a campanha eleitoral.

 

O documento não menciona qualquer influência direta do resultado das eleições, mas analistas apontam que isso é o menos importante, já que um governo estrangeiro atuou para influenciar a eleição. O número 2 da Justiça dos EUA, Rod Rosenstein, disse que não cabe ao Departamento de Justiça analisar o impacto da tentativa de interferência. No entanto, Hillary afirmou que a divulgação dos e-mails de Podesta custou a ela a eleição, e o ex-diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, disse em maio que os russos não só influenciaram a eleição, mas a “viraram do avesso”.


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