27/10/2021 às 19h16min - Atualizada em 27/10/2021 às 19h16min

Saab pede que tribunal de Miami controle divulgação ilegal de vídeos

AB NOTICIAS NEWS
Agência EFE
Reprodução
O empresário colombiano Álex Saab, suposto testa de ferro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu ao tribunal dos Estados Unidos onde responde a acusações de lavagem de dinheiro para que controle a divulgação ilegal de vídeos gravados durante as audiências realizadas por meio da plataforma Zoom.


Várias fotos e vídeos do primeiro comparecimento de Saab a uma audiência de um tribunal de Miami, em 18 de outubro, foram divulgados em jornais e portais de internet, apesar de a prática ser ilegal.

Pelo menos 350 pessoas, o máximo permitido pela plataforma Zoom, se conectaram à audiência daquele dia, que mostrou Saab usando uniforme de prisão laranja em uma cela no presídio federal onde está detido desde que foi extraditado de Cabo Verde.

Saab, que tem agendada uma segunda audiência para a próxima segunda-feira, solicitou "que o tribunal tome medidas razoáveis para impedir novas violações da Regra 53," que proíbe tais gravações e publicações.

O réu, de 49 anos e que foi extraditado em 16 de outubro, pediu para que o tribunal "exija o acesso público a futuras audiências por telefone e limite o acesso aos vídeos apenas às partes necessárias, à família de Saab e a um número limitado da imprensa e organizações credenciadas com um registro comprovado de adesão às restrições da Regra 53".

No pedido, apresentado pelo advogado Henry P. Bell, Saab solicitou a participação apenas daqueles que "afirmem que cumprirão a regra 53 antes de serem admitidos" nas audiências, que estão sendo feitas por Zoom devido à pandemia de covid-19.

Durante a primeira audiência, embora o juiz John O'Sullivan tenha deixado claro à imprensa que é "ilegal" gravar e publicar vídeos, fotos ou áudios da audiência, o conteúdo foi publicado em grande escala.

Para que decida sobre a moção, o juiz Robert N. Scola pediu nesta quarta-feira à Procuradoria dos EUA para que se pronuncie sobre o pedido da defesa de Saab, apresentado na terça-feira.

"Este tribunal abordará esta questão para todas as audiências futuras assim que receber a resposta do governo", explicou Scola.

Entretanto, Scola confessou estar "confiante" de que os juízes "tomarão as medidas adequadas para responder às preocupações do acusado".

RECOMPENSA MILIONÁRIA.

Na audiência da próxima segunda-feira, espera-se que a defesa peça fiança para Saab, que enfrenta um julgamento que pode gerar delações contra o governo de Nicolás Maduro e revele esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro.

A acusação alega que entre novembro de 2011 e pelo menos setembro de 2015, Saab e o sócio, Alvaro Pulido, que está em liberdade, conspiraram com outras pessoas para encobrir os lucros de uma rede de corrupção baseada em propinas de licitações públicas e fraude no sistema de controle cambial.

Como resultado do esquema, Saab e Pulido transferiram aproximadamente US$ 350 milhões da Venezuela através dos EUA para contas que possuíam ou controlavam em outros países, de acordo com a Procuradoria-Geral dos EUA.

O Departamento de Estado anunciou na sexta-feira passada uma recompensa de US$ 10 milhões por informações sobre o paradeiro de Pulido e disse acreditar que ele reside na Venezuela.

Saab é alvo de oito acusações desde julho de 2019 nos EUA: sete por lavagem de dinheiro e por conspiração para cometer este crime, segundo o Departamento de Justiça americano. 


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