21/10/2021 às 10h39min - Atualizada em 21/10/2021 às 10h39min

Por que o preço do petróleo está disparando no mundo todo? Entenda

A resposta a essa pergunta, segundo os especialistas, inclui não apenas fatores tradicionais, mas também uma nova estratégia das empresas produtoras de petróleo nos Estados Unidos.

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BBC News Mundo
Geraldo Falcão / Agência Petrobras
O preço do barril de petróleo do tipo WTI ultrapassou US$80 (R$ 436) na última segunda-feira (11/10) - foi a primeira vez em quase oito anos. A cotação do West Texas Intermediate (WTI), tipo de petróleo cru que serve como referência de preço nos EUA, fechou a US$ 80,52, confirmando a trajetória de alta que vem registrando há meses.


A pandemia Covid-19 e as medidas de restrição à circulação adotadas em diversos países para fazer frente ao novo coronavírus derrubaram os preços. Há apenas um ano, o WTI custava apenas US$ 40. Com o fim da pandemia se aproximando, contudo, os preços dispararam. O que está por trás desse aumento significativo?

A resposta a essa pergunta, segundo os especialistas, inclui não apenas fatores tradicionais - como o desempenho dos países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) - ou conjunturais, como a pandemia, mas também uma nova estratégia das empresas produtoras de petróleo nos Estados Unidos. "Há uma grande correlação entre a situação de pandemia e o aumento dos preços do petróleo", diz Mark Finley, pesquisador especializado em energia e petróleo da Rice University, nos EUA.
O especialista explica que, assim como em 2020 houve uma forte ligação entre a pandemia e a queda do preço do petróleo, neste ano a recuperação influenciou tanto a demanda quanto a oferta de petróleo.

"Esse é o principal fator. Do lado da demanda, estamos vendo uma reativação da economia e da mobilidade após o impacto da covid-19, então após termos experimentado a maior queda registrada no ano passado na demanda por petróleo, este ano nós provavelmente registraremos o maior aumento", afirma. "Do lado da oferta, há uma combinação de cortes de produção pela Opep e por outros produtores, como a Rússia (que faz parte do que hje é conhecido como Opep+), e uma queda na produção nos Estados Unidos e em outros lugares devido aos baixos preços que registraram o barril no ano passado", acrescenta Finley. A Opep, a Rússia e outros produtores mantêm um acordo para aumentar progressivamente a oferta com o objetivo de eliminar os cortes de produção que aplicaram para fazer frente à queda da demanda devido à pandemia.

Esses aumentos, no entanto, não são automáticos, uma vez que os países reúnem mensalmente para avaliar o mercado e decidir sobre sua aplicação. Um elemento novo que tem contribuído para o aumento do preço do petróleo bruto é a restrição também por produtores de petróleo nos Estados Unidos. Esta é uma estratégia incomum para essas empresas, que costumavam aumentar a produção sempre que os preços do petróleo eram favoráveis. "Uma das histórias surpreendentes no mercado de petróleo este ano é que os produtores nos Estados Unidos foram muito disciplinados", diz Finley.


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