19/10/2021 às 15h56min - Atualizada em 19/10/2021 às 16h31min

E agora, o que vai ser?

(*) Alessandra de Paula

SALA DA NOTÍCIA NQM
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Divulgação

Quanto mais aumentam os índices de pessoas imunizadas contra a Covid-19, mais a incerteza sobre o fim do trabalho remoto domina os colaboradores de empresas que optaram por essa modalidade de trabalho. Vista no momento inicial como forma de preservar a saúde (e a vida) de seus funcionários, agora, com as novas informações, os gestores começam a planejar o retorno ao ritmo “normal” de trabalho.

Esse conceito de “normalidade” é exposto por David Solomon, que descreve o home office como uma aberração, prestes a ser corrigida, conforme publicações de grande circulação nacional em seus endereços eletrônicos. O executivo não comenta que seu grupo, um dos maiores do mundo, funcionou em 2020 com menos de 10% dos funcionários nos escritórios e, ainda assim, os lucros da instituição somaram 7 bilhões de dólares no primeiro trimestre de 2021, percentual 464% maior do que no mesmo período em 2020.

Esse resultado aponta que o trabalho em home office pode ser realizado com a mesma seriedade e comprometimento que o colaborador demonstra quando está na sede corporativa, com pontos positivos: maior convivência familiar; melhor aproveitamento do tempo, pois não há o desgaste físico e emocional dos deslocamentos; alimentação, quando em domicílio, mais saudável e mais barata; mais economia, porque não está sujeito à fascinação das vitrines e anúncios; liberdade para autogerenciamento do tempo de trabalho e realização das tarefas.

Também podem ser apontados aspectos negativos: espaço inadequado para o trabalho; manutenção do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional; aumento dos gastos com energia elétrica, entre outros. Mesmo com pontos negativos, os funcionários em home office foram mais produtivos e acreditam ser essa a melhor forma para realização de um bom trabalho, com comparecimentos ao escritório ou à sede corporativa apenas para reuniões e discussões pontuais. Alguns gestores apontam que a adoção desse modelo híbrido seria o ideal, com o colaborador próximo à empresa, favorecendo sua permanência no conforto de casa.

Domenico de Masi, sociólogo, que esteve recentemente no Brasil, apontou que “enquanto a tecnologia está fazendo seu trabalho no mundo pós-industrial, as ciências humanas têm falhado naquilo que lhes compete na construção de modelos para indivíduos e sociedade”. Segundo ele, haverá uma mudança de paradigma, por volta de 2030, determinando a mudança do modelo econômico que, ao invés de se voltar para o mercado, como agora, estará voltado para o humano, originando um novo pacto social com riqueza, trabalho, poder, saber e oportunidades distribuídos equitativamente.

Essas previsões já estão acontecendo, identificadas no desejo do trabalhador em continuar em home office para garantir a qualidade de vida conquistada. Visando esse benefício muitos deles, quando a empresa acena com o retorno ao escritório, não hesitam e solicitam o desligamento. Vão procurar outros espaços que lhes permitam usufruir as conquistas recentes ou, com mais ousadia, investem na abertura do próprio negócio.

No entanto, há outros funcionários que estão felizes com o retorno ao escritório. Esses apontaram como pontos negativos do home office o volume maior de horas trabalhadas, a falta de convivência com os colegas de trabalho, dificuldade de comunicação e, até mesmo, problemas em manter o foco, a concentração.

Enquanto alguns procuram mudanças, outros sonham com o retorno ao “bom e velho normal”. A conferir como será o mundo profissional em novos tempos.

 (*) Alessandra de Paula é professora da Escola Superior de Gestão, Comunicação e Negócios do Centro Universitário Internacional Uninter


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