08/07/2018 às 05h00min - Atualizada em 08/07/2018 às 05h00min

Delação de doleiros, presos em 2014, permanece em segredo

Leonardo Meirelles e Nelma Kodama foram presos na primeira fase da Lava-Jato

Agência O Globo -
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Folha Press

SÃO PAULO - Os doleiros Nelma Kodama e Leonardo Meirelles têm alguns aspectos em comum, além da profissão. Ambos foram presos em março de 2014, na primeira fase da Operação Lava-Jato, quando as autoridades desmantelavam uma organização criminosa de lavagem de dinheiro — ainda não havia Petrobras, delatores, políticos e empresários. Ambos fecharam acordos de delação premiada. Curiosamente, o que eles disseram ainda segue em sigilo.

Ligada ao doleiro Alberto Youssef, Nelma foi condenada a 14 anos de prisão, passou cerca de dois anos na cadeia e hoje cumpre pena em regime aberto domiciliar, com tornozeleira eletrônica. Conhecida pelo bom humor, Nelma saiu da prisão em junho de 2016 depois de fechar acordo com a Polícia Federal, que teve de ser referendado pela força-tarefa do Ministério Público Federal.

Em maio passado, entrou com pedido para rever o acordo homologado pelo juiz Sergio Moro, por considerar que foi prejudicada na negociação, por ter aberto mão de bens de família e estar em depressão. Até hoje Nelma não foi chamada a depor como testemunha em nenhuma ação. Na avaliação de fontes ouvidas pelo GLOBO, o acordo dela foi pífio. Nelma teria dado poucas informações para quem, no início da Lava-Jato, era apontada como a “doleira do PT” e mantinha uma casa de câmbio no ABC paulista.

O acordo inicial foi revisto pelo Ministério Público Federal, que até agora não se pronunciou sobre o pedido de segunda revisão apresentado pelo advogado Adib Abdouni, novo defensor de Nelma.

— Não existe colaboração quando só uma das partes ganha — diz Abdouni, que assumiu com o acordo já firmado.

Dinheiro apreendido pelA PF

Fontes da Lava-Jato dizem que Nelma delatou outros doleiros e o deputado Adail Carneiro, que foi do PP, um dos três partidos que lotearam a Petrobras, e migrou para o Podemos. Em 2016, a Polícia Federal apreendeu R$ 6 milhões no cofre de uma locadora em Fortaleza. O deputado disse que havia se desligado da empresa, que pertencia ao irmão.

Condenado a cinco anos de prisão pelo juiz Sergio Moro e alvo de uma segunda ação parada desde 2016, Leonardo Meirelles ficou preso menos de um mês e fechou acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República. Ele surgiu na operação como sócio da Labogen, laboratório usado para fazer remessas ilegais.

Meirelles foi condenado pela lavagem de R$ 18,6 milhões, mas disse que movimentou R$ 440 milhões. Em 2015 foi autorizado a viajar para a China em busca de provas. O Ministério Público Federal afirma que investigações derivadas da delação de Meirelles prosseguem sob sigilo, sem dar detalhes.

Em maio de 2017, ele viajou pela segunda vez, desta vez a negócios, e informou ter voltado a trabalhar para um laboratório de Alagoas. O advogado dele não retornou aos contatos feitos pelo GLOBO.


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