13/10/2021 às 18h32min - Atualizada em 13/10/2021 às 18h32min

Filha de ex-ministro diz que pai foi assassinado pelo governo da Venezuela

AB NOTICIAS NEWS
Agência EFE
Reprodução
A filha do ex-ministro da Defesa da Venezuela, Raúl Isaias Baduel, Andreina Baduel, acusou nesta quarta-feira o governo do país de assassinar o pai, enquanto ele estava cumprindo pena de prisão.
 

Ontem à noite, o procurador-geral do país, Tarek William Saab, foi o responsável por informar que o general do Exército, ex-aliado de Hugo Chávez e preso político desde 2009, havia falecido de uma parada cardiorrespiratória em decorrência de covid-19, doença essa que Andreina negou ter ocorrido.

"O regime assassinou meu amado e valente pai. Recentemente, tivemos fé na vida dele. É falso que tinha covid-19. Ele nos disse, repetidamente, que não se prestaria às palhaçadas da tirania e que seu único propósito era nos deixar um legado de dignidade e fé", garantiu a filha.

O advogado da família Baduel, Omar Mora Tosta, garantiu, em entrevista à emissora "VPI", que a causa da morte do militar precisa ser investigada e que já foi feito pedido para a entrega do corpo.

"Que não aconteça como em outros casos, em que eles se desfaçam ou cremem as pessoas ao bel-prazer", disse o representante.

Além disso, Mora Tosta garantiu que irá fazer pedido por uma investigação por uma "comissão internacional" para determinar as causas da morte do ex-ministro, garantindo não haver credibilidade na versão do procurador-geral.

Em 29 de setembro, Andreina Baduel, filha do general, denunciou que seu pai tinha sido transferido do local onde estava preso, no subsolo do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), conhecido como "A Tumba", para outra sede desse órgão em Caracas.

De acordo com o advogado da família, o antigo integrante do governo vinha se queixando das "muitas consequências dessa detenção injusta, desse isolamento e tortura branca" em "A Tumba", como é conhecida a prisão que fica no subsolo da sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).

EX-ALIADO.

Baduel, que foi um fiel aliado do falecido ex-presidente Hugo Chávez, foi considerado o artífice do retorno dele ao poder após o golpe de Estado que o derrubou por 48 horas em abril de 2002. O general também foi ministro da defesa entre 2006 e 2007.

Posteriormente, Baduel posicionou-se contra uma guinada totalitária do líder chavista e a reforma constitucional que ele propôs.

Em 2009, o general foi preso e proibido de exercer cargos públicos até o final de sua sentença. Em 2015, ele recebeu liberdade condicional sob condições que, segundo a Justiça venezuelana, não cumpriu, o que o fez voltar à prisão em 2017, ano em que deveria completar sua pena.

O caso contra Baduel foi incluído em diversos relatórios da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.


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