05/07/2018 às 18h00min - Atualizada em 05/07/2018 às 18h00min

Tribunal nega habeas corpus mantém ex-secretário de Alckmin preso

Desembargador citou testemunhas que afirmam que Laurence Lourenço triturava documentos

Agência O Globo -
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PRÓXIMOS - A confiança do ex-governador fez Lourenço (à esq.) acumular a presidência da Dersa e uma secretaria (Gilberto Marques/Governo do Estado de São Paulo/.)

SÃO PAULO — O (TRF-3) manteve a prisão de ex-secretário de Logística e Transporte durante a gestão de (PSDB) como governador de São Paulo. Outra decisão também manteve o ex-diretor da Dersa, , na cadeia.

Laurence está preso desde o dia 21, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Pedra no Caminho por supostas fraudes em licitações das obras do trecho norte do Rodoanel, anel viário que liga as principais estradas de São Paulo

Segundo a decisão, o desembargador André Nekatschalow considerou que o aprofundamento das investigações justificaram a conversão pela juíza da 5ª Vara Federal, Maria Isabel do Prado, da prisão temporária em prisão preventiva

Notadamente pela notícia de que o paciente destruiu ou fez destruir documentos, o que denota o risco de que venha a se valer dos mesmos expedientes para suprimir outras provas que interessem à investigação", afirmou o desembargador.

Após a prisão de Laurence, duas ex-secretárias dele afirmaram que Laurence triturava documentos em seu escritório e também pedia às duas funcionárioas que o fizessem. Uma delas, que trabalhou com o ex-secretário na Dersa, disse que, ao deixar o cargo, ordenou a destruição de documentos não-identificados, pessoalmente entregues por Laurence para as duas.

A secretária disse também que Laurence destruia documentos pessoalmente e pedia, ao menos duas vezes por semana, para que as secretárias esvaziassem a picotadeira.

Na decisão desta quinta-feira, o desembargador considerou que, apesar da prisão ser uma medida grave, ela preserva possíveis provas, além de exluir o risco de coação de testemunhas e outros implicados

Ante o exposto, indefiro o pedido liminar", determinou o juiz.

O GLOBO procurou a defesa de Laurence Casagrande Lourenço, mas não teve retorno. O ex-secretário, nas audiências com a juíza Maria Isabel do Prado, nega as acusações.

Laurence afirma que, como a licitação foi feita com recursos internacionais, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, seguiam regras que permitiam o estabelcimento de preços provisórios, o que teria ocorrido após a OAS, responsável por um dos lotes, pedir um contrato aditivo para aumentar o valor da obra devido à presença de matacões (rochas) não esperadas. O mecanismo teria sido utilziado para evitar a paralisação das obras.

A Dersa teria, então encomendado um estudo do Instituo de Pesquisas Tecnológicas, que conluiu que os blocos de rocha eram esperados e, portanto, os aditivos eram indevidos. Após a comunicação à OAS, foi formada uma Junta de Conflitos para resolver à divergência, que decidiu que a empreiteira tinha razão.

Em nota após a prisão de Laurence, Alckmin afirmou que reitera seu total apoio às investigações. Se houve desvio, o tucano diz que defende punição exemplar. Caso contrário, que o direito de defesa prevaleça.

Com relação ao caso mencionado pela reportagem, o ex-governador de São Paulo reforça que todas as informações solicitadas foram prestadas pela Dersa ao TCU, que ainda não julgou o caso", disse o ex-governador por meio de sua assessoria.


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