05/07/2018 às 09h55min - Atualizada em 05/07/2018 às 09h55min

Equipes aceleram preparação para resgate de meninos na Tailândia

Medo de chuvas torrenciais faz com que autoridades desistam de esperar passagem de monções

Agência O Globo -
Agência O Globo -

BANGCOC - Apesar do bom estado de saúde dos 12 meninos e de seu treinador de futebol presos há 12 dias numa caverna inundada na Tailândia, constatado na quarta-feira com um novo vídeo da Marinha, autoridades se preparam para tentar um rápido resgate, temendo que novas inundações no local ponham a operação a perder. Enquanto bombeiam a água buscando facilitar a passagem por trechos onde será necessário mergulhar, equipes de socorro procuram ainda algum buraco pelo qual poderiam extrair os jovens e evitar uma arriscada travessia submersa. E, no meio tempo, os garotos já recebem treinamentos intensivos para o perigoso mergulho.

— Foram dadas instruções pelo rei (Vajiralongkorn) para que todos tragam as crianças o mais rapidamente possível — explicou o vice-primeiro-ministro Prawit Wongsuwan a repórteres. — A água é muito forte, e o espaço é estreito. Extrair as crianças exige muitas pessoas (...) Estamos ensinando as crianças a nadar e mergulhar. Se o nível das águas e a correnteza diminuírem, elas serão retiradas rapidamente.

Buscando acalmar o público que acompanha o dramático caso — que tomou manchetes de jornais, sites e TVs mundo afora — a Marinha divulgou na quarta-feira um novo vídeo do grupo, gravado um dia antes. Nas imagens, 11 dos 12 meninos fazem uma saudação, dizem seu nome e revelam: “Estou bem de saúde”. A Marinha não explicou por que o 12º menino e o treinador não gravaram suas mensagens. Um outro vídeo mostra um médico tratando pequenos ferimentos no pé de um dos meninos.

— O que vocês 13 têm a dizer para seus fãs? Todos, no mundo inteiro, estão acompanhando as notícias sobre vocês — diz um dos médicos nas imagens.

Nos vídeos, os jovens parecem estar em condição estável:

— Estou muito feliz — reagiu a mãe de um dos meninos, Bew, ao ver o vídeo exibido pelos socorristas em uma tela sob uma barraca perto da entrada da caverna. — Ele está magro.

Mas cresce a preocupação por um mergulho apressado, já que estão previstas novas chuvas intensas para sexta-feira e, sobretudo, para o domingo. Como é temporada de monções, a caverna fica sujeita a novas inundações — o que poderia tornar ainda mais delicada uma saída submersa do grupo e diminuir a área de segurança onde estão, elevada e seca.

— Se a chuva começar de novo, a caverna vai ficar completamente inundada — advertiu Ruengrit Changkwanyuen, coordenador da equipe tailandesa que lidera o grupo de mergulhadores em contato com os garotos. — Se isto acontecer, ficará quase impossível mandar suprimentos ou manter contato com eles.

‘Momento de pânico pode ser fatal’

A preparação para um eventual mergulho tem apoio de equipes que tentam “secar” o local com centenas de bombas para diminuir a quantidade de mergulhos antes que comecem as chuvas mais fortes. O local é estreito e com obstáculos, enquanto a água tem péssima visibilidade. Até a noite de terça-feira, a média de esvaziamento das zonas alagadas às quais equipes tiveram acesso somava 1,6 milhão de litros por hora.

— O mais importante é baixar o nível da água. Já diminuiu muito, mas não adianta (bombear) quando estiver chovendo — afirmou Narongsak Osatanakorn, governador da província de Chiang Rai, onde está o complexo de cavernas. — O tempo é limitado para tirar os garotos de lá.

No cenário atual, especialistas dizem que os mergulhadores precisaram de três horas para alcançar os meninos, a cerca de quatro quilômetros da entrada da caverna. A volta, com corrente a favor, levou 50 minutos. E, mesmo que eles estejam acompanhados por profissionais com muita experiência, não faltarão riscos.

— Este resgate na Tailândia é um dos mais complicados que já vi — afirmou à CNN o experiente mergulhador Anmar Mirza, que coordena a Comissão Nacional de Resgate em Cavernas. — Ensinar habilidades de mergulho é o mais perigoso. É extenuante fisicamente ir por baixo d’água, em um total breu, em zonas estreitas por centenas de metros. Mesmo mergulhadores experientes de cavernas passam centenas de horas treinando para isso. E um momento de pânico ou a perda do regulador de respiração podem ser fatais para um novato, e podem ainda colocar em perigo a vida de quem estiver orientando-o.

Mas pode haver um outro caminho. De acordo com o mergulhador dinamarquês Claus Rasmussen, que integra as equipes de resgate, os garotos “ouviram cães latindo, galos cantando e crianças brincando”, levantando a possibilidade de haver alguma abertura no teto da caverna. As equipes procuram a suposta saída para tentar retirar o grupo, evitando que seja necessário mergulhar.

As equipes de resgate detectaram vários poços na vertical da caverna. Nos últimos dias, a floresta sofreu alguns desmatamentos perto de buracos na superfície para permitir o pouso de helicópteros visando a uma possível retirada aérea, mas não está provado que qualquer poço esteja ligado ao trecho da caverna onde está o grupo.

— Não estou preocupado se as crianças tiverem que nadar e mergulhar — disse à Reuters o pai de um dos meninos, Somboon Sompiangjai, que demonstrou confiança “na experiência e no profissionalismo” dos socorristas. — Eu me sinto muito melhor vendo as imagens dos garotos de bom humor, mesmo tendo ficado por lá por mais de dez dias.


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