26/08/2021 às 14h06min - Atualizada em 26/08/2021 às 14h06min

PIB menos promissor no mundo e melhor no Brasil, apesar da inflação e juro

Volatilidade e incerteza minam expectativas, atrapalham negócios e não são privilégio do Brasil; Boletim Macro FGV IBRE descreve o momento

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Volatilidade e incerteza minam expectativas e atrapalham os negócios, financeiros ou não. Neste momento, essas duas variáveis não são privilégio do Brasil, a despeito de tensões políticas locais – sinal preocupante de um lado, mas tranquilizador de outro. Afinal, não estamos sós.

O mundo entra em nova fase neste segundo semestre. Menos assustadora que a do auge da pandemia, mas menos brilhante. No primeiro semestre, a recuperação das economias exibia maior vigor. “O momento é de expectativa de acomodação do ritmo de crescimento nos países desenvolvidos. Um bom crescimento, mas não mais espetacular”, informa Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro FGV IBRE.

Na edição de agosto, que acaba de ser divulgada, a economista, que assina o documento com Armando Castelar Pinheiro, afirma que os Barômetros Econômicos Globais Coincidentes do FGV IBRE – um sistema de indicadores que permite a análise do desenvolvimento econômico global fruto de parceria com o Instituto Econômico Suíço KOF – registraram quedas em julho e agosto. Contudo, embora mais fracos, os indicadores são elevados, compatíveis com a continuidade da retomada da economia mundial, mas trazem informações relevantes.

Em termos setoriais, cinco setores pesquisados desaceleraram em várias regiões, mas a indústria contribuiu mais para a queda da atividade em agosto, após ter sido grande protagonista da recuperação da economia mundial até meados de 2021. Em termos regionais, o grupo que mais sofre é Ásia, Pacífico e África. Ainda assim, porém, o PIB chinês deve crescer 8,7% este ano, em grande parte pelo carregamento estatístico, que está em torno de 6%.

Na Europa, a indústria alemã tem surpreendido negativamente, sugerindo recuo mais intenso no ritmo de crescimento. Aqui, o resultado se explica por gargalos na oferta de bens intermediários, em especial de semicondutores, o que tem prejudicado a produção de veículos no mundo todo. Já nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção do crescimento – com políticas de estímulo –, mesmo com as restrições de oferta e riscos inflacionários. O FGV IBRE avalia que as políticas fiscais por lá devem seguir expansionistas, sendo o cenário iminente, portanto, o de retirada de estímulos monetários pelo Federal Reserve, o BC americano.

E o Brasil?

Para o FGV IBRE, o Brasil está em melhor situação. “Mantemos nossa projeção de crescimento do PIB para este ano, de 5,2%, e para o segundo trimestre, de 0,1% em relação ao primeiro, alterando marginalmente a composição setorial”, diz Silvia Matos para quem o avanço da vacinação e o aumento da mobilidade devem favorecer o setor de serviços, o mais prejudicado pela pandemia.

“Os serviços prestados às famílias, em particular, fecharam o segundo trimestre com crescimento de 3,7%, ante o anterior. Mas essa atividade ainda está 22,8% abaixo do patamar pré-pandemia. Esperamos que esse hiato se feche totalmente ao longo deste semestre, ou perto disso, tendência corroborada pelos indicadores antecedentes”, avalia a economista.

Matos informa também que a retomada do setor de serviços produziu efeito favorável no emprego. Mas à medida que mais pessoas passaram a procurar ocupação, a taxa de desemprego permaneceu elevada. Para este segundo semestre, a estimativa do FGV IBRE é de recuperação mais acelerada do emprego informal – o mais impactado pela pandemia.

Apesar das perspectivas mais favoráveis para o Brasil, a economista da FGV chama atenção para a inflação elevada – distante das metas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para este ano e para o próximo – e para o fato de o Banco Central (BC) ter acelerado a alta da Selic, na tentativa de conter as expectativas inflacionárias para os próximos anos.

“Também por aqui, portanto, temos um cenário de desaceleração de crescimento que será comprometido pela inflação mais alta e pelo fim dos estímulos monetários. Mesmo com a recuperação esperada dos serviços, mantemos a previsão de crescimento de 1,6% para o PIB em 2022”, diz Silvia Matos que considera desafiadora a consolidação fiscal no médio prazo, graças ao aumento dos riscos fiscais e das incertezas políticas – condições que pressionam os juros longos e desencorajam os investimentos. Isso, sem contar com mais incertezas contratadas pela crise hídrica.


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