26/08/2021 às 10h35min - Atualizada em 26/08/2021 às 13h50min

Cursos relacionados à energia solar estão em alta: área é a que mais gera emprego no setor elétrico

Qualificação profissional é fundamental para aproveitar uma das 147 mil vagas que devem ser criadas só este ano

SALA DA NOTÍCIA Juliana Boniatti Bolson Wolffenbuttel
Divulgação
Há alguns anos a instalação de painéis solares para geração de energia fotovoltaica era algo muito distante da maioria dos brasileiros. Além do alto custo, até 2012, a troca de energia com a rede elétrica não era regulamentada no país. Foi a partir de 2017 que esta fonte começou a crescer, e de forma acelerada. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), em 2020, o setor trouxe ao Brasil R$ 13 bilhões em investimentos e mais de 86 mil novos empregos. Desde 2012, a modalidade gerou mais de 224 mil empregos acumulados no período, oportunidades espalhadas pelas cinco regiões, já que segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) cerca de 90% dos municípios brasileiros têm energia solar. Vagas que ganham ainda mais importância neste momento em que o Brasil registra alta taxa de desemprego, dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 14,8 milhões de pessoas estão buscando por uma espaço no mercado de trabalho no país. 

Além de contribuir para amenizar esse problema social, o setor de energia solar é uma das grandes apostas para enfrentar a grave crise hídrica no Brasil, que provoca aumento nas contas de energia elétrica e expõe a necessidade de preservação dos recursos naturais. Nesse contexto, o setor faz projeções otimistas, que apontam que a fonte solar fotovoltaica deverá gerar mais de 147 mil novos empregos aos brasileiros em 2021. As perspectivas para o setor são de chegar ao final de 2021 com um total acumulado de mais de 377 mil empregos no Brasil desde 2012, distribuídos entre todos os elos produtivos do setor. Outro fator que contribui para as projeções otimistas é que está para ser votado na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei que cria o marco legal da geração própria de energia renovável, o que, segundo a Absolar poderá trazer R$ 139 bilhões em novos investimentos ao país até 2050 e gerar mais de um milhão de novos empregos nos próximos anos.

A necessidade de preparar novos profissionais

Com o mercado crescendo rapidamente, aumenta também a procura das empresas do setor elétrico por especialistas na área. “Já estamos sentido a carência de profissionais com formação especializada em energia solar fotovoltaica há algum tempo, principalmente nas áreas de planejamento e gestão. Muita gente acaba se moldando no mercado mesmo, e buscando a atualização - fundamental nos dias de hoje - por conta própria”, afirma o gerente da área de solar da Quantum Engenharia, Dilsonei Rigotti. A empresa, com sede em São José, na Grande Florianópolis, está há 31 anos no mercado. Consolidada na área de iluminação pública, desde 2014 atua também no setor de energias renováveis. Para atender à crescente demanda nessa modalidade a empresa passou a desenvolver produtos ligados à geração fotovoltaica. Um trabalho que vai desde o projeto, a instalação e o monitoramento remoto do funcionamento.

Para atender esse mercado tão promissor, cursos de qualificação nesta área estão em alta. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) concluiu recentemente o treinamento de 20 instrutores de dez escolas técnicas em todo o país, em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e o Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica-UFSC). Essa foi a primeira etapa do plano, que pretende ampliar a formação na área fotovoltaica. Outras 60 escolas do SENAI espalhadas em 14 estados já oferecem cursos. 

Preparar profissionais para as mudanças no setor de energia também é uma preocupação do governo federal. Recentemente o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou o estudo "Profissões do Futuro na Área de Energia e Implicações para a Formação Profissional", o trabalho concluiu que a modernização do setor elétrico cria oportunidades de atuação em diversos campos, e para aproveitar esse movimento é fundamental identificar os novos perfis profissionais demandados e contribuir para que a formação deles ocorra no tempo correto e dentro das características que o setor necessita. O estudo também aponta que as oportunidades para atuação no setor serão tanto de nível superior, como engenheiros e administradores, quanto de nível médio e técnico, como instaladores e eletricistas. Em relação a energia solar fotovoltaica, especialistas apontam que os profissionais mais contratados pelo setor nos próximos anos serão projetistas, engenheiros, técnicos elétricos, técnicos de instalação e profissionais de manutenção dos sistemas.

 
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