30/06/2021 às 23h16min - Atualizada em 30/06/2021 às 23h16min

Redemar Brasil alerta para risco de acidentes com baleias no litoral de Salvador

Reprodução
Temporada de jubartes na Bahia acontece entre julho e novembro
 
As baleias jubartes (Megaptera novaeangliae) que, anualmente, migram para a costa brasileira para terem seus filhotes estão se aproximando do litoral baiano, após passarem por estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Um comportamento atípico desses grandes mamíferos tem chamado a atenção de ambientalistas e defensores da vida marinha: ao se aproximarem mais da faixa litorânea do que, em geral, costumam fazer, alguns desses animais têm ficado presos em redes de pesca. A partir deste alerta, representantes do Instituto Redemar Brasil, com apoio da Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia (ACEB), do Programa de Extensão Interdisciplinar de Preservação do Oceano da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (Ocean Care BR) e da Aquamar, lançaram o Projeto Baleias Soteropolitanas (PBS). O objetivo é monitorar os animais com o intuito de prevenir acidentes durante a temporada das baleias, que vai de julho a novembro.
 
O projeto pretende criar um mapa de avistamentos das jubartes no litoral de Salvador, facilitando a identificação da rota das baleias na região. Além de preservar a vida desses animais, o PBS tem um viés educacional forte, já que visa conscientizar a população sobre a importância não apenas das baleias, mas também do próprio oceano na vida cotidiana da cidade. “Nem todo soteropolitano sabe que Salvador é a capital da Amazônia Azul. Quem mora nessa bela cidade litorânea precisa aprender a preservar a vida marinha para tomar posse de uma verdadeira cidadania oceânica. Essa conscientização fomenta a preservação ambiental e, ao mesmo tempo, o que chamamos de TOBE ou Turismo de Observação de Baleias Embarcado”, destacou o presidente do Redemar Brasil, William Freitas.
 
Uma das justificativas do PBS é o uso intenso da costa de Salvador para atividades portuárias, pesqueiras e turísticas, entre outras que podem representar riscos para as jubartes. “Precisamos considerar o trânsito dos ferryboats, lanchas particulares ou que fazem o percurso Salvador x Mar Grande, catamarãs que fazem o translado para Morro de São Paulo, canoas havaianas, atividades de pesca e tudo o mais que possa se colocar no caminho das baleias. Quem avistar os borrifos de água de uma baleia ou uma coloração mais escura na água deve diminuir a velocidade da embarcação, desligar os motores e esperar que ela se afaste. Os pescadores precisam redobrar a atenção ao lançarem suas redes ao mar”, alertou William Freitas. 
 
Baleias vivas - As baleias transitam no litoral brasileiro desde muito antes da colonização. Em Salvador, esses gigantes do mar abasteceram por muito tempo a indústria do óleo de baleias, considerado uma matriz energética que em muito contribuiu para o crescimento econômico da cidade. “Felizmente, a sociedade compreendeu que as baleias valem muito mais vivas. Cabe a nós preservá-las”, frisou a presidente da ACEB, Marinalva Nunes, apoiadora do PBS. 
 
A jubarte é uma espécie-chave que, quando retirada de um ecossistema, causa a morte de diversas outras espécies. Como predadora de topo de cadeia que se alimenta de uma grande variedade de outros animais, este tipo de baleia controla diversas populações e evita que a biodiversidade seja afetada. Suas fezes são ricas em nutrientes, como o Ferro e o Nitrogênio, necessários para a sobrevivência do plâncton. Este, por sua vez, além de produzir oxigênio através da fotossíntese, é responsável por capturar cerca de 40% de todo gás carbônico (CO²) lançado na atmosgera. Estudos apontam que as baleias também acumulam este gás e por isso ajudam a controlar o aquecimento global.
 
Além do Projeto Baleias Soteropolitanas (PBS), o Redemar Brasil realiza o Festival das Baleias e os projetos “O mar não está para plástico” e “Mantas do Brasil”. O Instituto está alicerçado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relativos à proteção ambiental até 2030 e na valorização da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, mais conhecida como Década do Oceano (2021-2030). “Preservar as baleias é uma das nossas prioridades, mas não podemos fazer isso sozinhos. Através da educação oceânica, pretendemos difundir este propósito por toda a sociedade”, concluiu William Freitas. 
 
 

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