18/05/2021 às 18h24min - Atualizada em 18/05/2021 às 19h20min

Sobrecarga, opressão misógina e solidão

*Por Suzana Pires

SALA DA NOTÍCIA Luna Marina Oliva da Conceição
https://institutodonadesi.com.br/
Divulgação/Instituto Dona De Si
Sabemos que o desemprego e o mercado de trabalho cada vez mais concorrido são problemas enfrentados por boa parte da população brasileira. Mas, para nós, mulheres, o buraco é mais embaixo. Essas situações que são tão comuns a todos os trabalhadores acabam se agravando quando se trata de uma profissional mulher. Do nosso lado, precisamos ultrapassar e domar leões diariamente, para conseguirmos crescer dentro de uma empresa ou até mesmo começar o próprio negócio.

Não estou aqui para impor uma opinião pessoal. Os números simplesmente não me deixam mentir. De acordo com um estudo divulgado pelo Sebrae, as mulheres são mais da metade dos empreendedores iniciais, mas correspondem a apenas 43% dos empreendedores estabelecidos - negócios com mais de três anos de existência. Ou seja, elas estão falindo, ou desistindo de seus negócios, mais do que os homens! Mas por qual motivo isso aconteceria? Quais são as dores e problemáticas vivenciadas por essas profissionais?

Uma coisa é certa: não podemos dizer que estão falindo ou desistindo de seus empreendimentos porque são menos competentes. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), as mulheres possuem mais escolaridade em relação aos homens donos de negócios, sendo, em média, 9,9 anos de estudo, versus 8,5 anos dos homens.

Então, por qual motivo possuímos mais dificuldade para nos estabelecermos na vida profissional? Esse questionamento, que pode parecer simples, transformou a minha vida. Quando comecei a empreender e ter mais contato com empreendedoras, percebi que todas nós vivenciávamos dores comuns e me pus a fazer uma pesquisa, através do Instituto Dona de Si, que revelou três situações: sobrecarga, opressão misógina e solidão. Esse combo de fatores é o principal motivo que leva tantos talentos à falência ou à desistência. Isso deixa mulheres que não possuem uma rede de apoio estruturada se sentindo cansadas, incapazes de seguir.

sobrecarga é o fator que sentimos primeiro, sem dúvida nenhuma. A profissional que se torna líder em uma empresa, ou começa o seu próprio negócio, enfrenta dificuldades que, normalmente, o homem desconhece. Precisamos lidar não só com as responsabilidades do trabalho, mas com a família, a casa, a estética - entre tantas outras coisas. Essa pressão da sociedade - de que a mulher ideal pode dar conta de tudo - torna a vida praticamente insuportável, criando pessoas ansiosas demais para lidar com a rotina.

Depois, vem um dos fatores mais preocupantes: a opressão misógina, que pode se apresentar de diversas maneiras. A mulher que é chefe, por exemplo, caso resolva assumir uma postura mais controladora, é muito menos compreendida que os homens e isso gera uma série de preconceitos e frases machistas, como dizer que ‘a chefe tá de TPM’; se ela possui uma postura mais leve, muitas vezes não é levada a sério - de toda forma, sempre será criticada. Outro exemplo é que, quando uma mulher vai pedir um empréstimo, ela tem que se provar três ou quatro vezes mais.

Com tudo isso, vem a fase final, que leva muitas profissionais à falência: a solidão. A rotina pesada, mais a sobrecarga e a opressão misógina fazem com que elas se sintam sozinhas diante de situações que acreditam não serem capazes de resolver. Mas, são! Por isso, reforço a importância de termos uma rede de apoio sólida, que consiga nos levantar nos momentos difíceis. Você, caríssima, pode encontrar isso nos seus familiares, amigos, ou até mesmo no psicólogo, ou com outras mulheres que estão vivendo situações parecidas com a sua. Mas é importante que entenda: você não está sozinha. Independente do problema que está enfrentando no trabalho, saiba que outras de nós vivenciamos ou estamos passando pela mesma coisa, neste exato momento.

Não posso dizer que a sobrecarga, a opressão misógina e a solidão do mercado de trabalho irão acabar de um dia para o outro. Sinto, sim, que as coisas podem e estão melhorando, mas o processo nem sempre é tão rápido quanto gostaríamos. Por isso, o que eu posso realmente afirmar é que precisamos hackear esse sistema machista e, por mais difícil que possa parecer, ultrapassarmos todas essas situações, até chegarmos ao sucesso.Não posso dizer que a sobrecarga, a opressão misógina e a solidão do mercado de trabalho irão acabar de um dia para o outro. Sinto, sim, que as coisas podem e estão melhorando, mas o processo nem sempre é tão rápido quanto gostaríamos. Por isso, o que eu posso realmente afirmar é que precisamos hackear esse sistema machista e, por mais difícil que possa parecer, ultrapassarmos todas essas situações, até chegarmos ao sucesso.

Estamos vivendo um momento em que precisamos repensar as nossas vidas e nos tornarmos protagonistas de nossas histórias. Por isso, afirmei, no começo deste artigo, que descobrir esses fatores mudou a minha vida. Foi a partir dessa convicção que consegui, por meio do Instituto Dona De Si, mostrar para tantas mulheres talentosíssimas que elas já possuíam a força necessária para vencer dentro de si mesmas. Só precisavam enxergar isso.

Não deixe que nenhuma situação te faça desistir de se tornar a mulher que nasceu para ser.
 
Suzana Pires é atriz, autora, empresária, empreendedora social e fundadora do Instituto Dona De Si

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