28/04/2021 às 13h16min - Atualizada em 28/04/2021 às 14h30min

Cantigas de mudar

Julio Cezar Bernardelli (*)

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Em tempos de pandemia e isolamento, devemos lembrar que Alceu Valença já falava que “a solidão é fera, a solidão devora. É amiga das horas, prima irmã do tempo, e faz nossos relógios caminharem lentos”. E ela pode trazer problemas para a saúde física e emocional.

Quebrar essa solidão, segundo Ivan Lins, “depende de nós. Quem já foi ou ainda é criança. Que acredita ou tem esperança. Quem faz tudo para um mundo melhor”. Tem pessoas que desanimaram diante dessa situação que parece não ter fim, e ao serem questionadas sobre o que farão, buscam a resposta na canção do Skank: “vou deixar a vida me levar para onde ela quiser”.

Será esse o caminho? Desistir? Desesperar? Para Ivan Lins a ordem é “desesperar jamais. Aprendemos muito nesses anos. Afinal de contas não tem cabimento, entregar o jogo no primeiro tempo”. Sim, o jogo não acabou. Estamos “vivendo e aprendendo a jogar. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar”, ensina Guilherme Arantes.

Quero concordar com Lulu Santos, “eu não pedi para nascer. Eu não nasci para perder. Nem vou sobrar de vítima das circunstâncias”. E continua dizendo “você é bem como eu, conhece o que é ser assim. Só que dessa história, ninguém sabe o fim”. No final tudo dá certo, se não deu certo ainda é porque não chegamos ao fim.

Aproveite as oportunidades que surgem, mesmo em situações de crise. Siga a dica do Gabriel (o Pensador) e “não pare, não pare na pista. Todo mundo no Brasil é artista. Eu tô na lista, pode conferir. Eu tô na lista para entrar e para sair. E você está lista vip”. Então desistir não é uma opção, Silvio Cesar já pediu, “vamos dar as mãos, vamos dar as mãos. Vamos lá, e vamos juntos cantar” e celebrar as oportunidades que a vida ainda nos oferece.

Valorize quem está ao seu lado, pois o importante é ter na vida uma vida para conviver. Que graça tem viver a vida sem ter outra vida para com sua vida viver? Você deve ter achado confuso, mas Renato Russo já tinha dito: “sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas”? Valorize o momento, o hoje, o agora. E o futuro, como diz Toquinho, “é uma astronave que tentamos pilotar. Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar. Sem pedir licença muda nossa vida e depois convida a rir ou chorar”.

Aproveite o momento imposto para diminuir o ritmo e aproveite o conselho de Oswaldo Montenegro. “Faça uma lista de grandes amigos. Quem você mais via dez anos atrás? Quantos você ainda vê todo dia? Quantos você já não encontra mais”? Retome contatos. Afaste a solidão. Para Montenegro, estamos vivendo “como se a vida fosse um perigo. Como se houvesse facas no ar”. É preciso cuidado, muito cuidado, e é necessário tornar esse fardo mais leve ou, quem sabe, sermos a força que alivia o fardo dos outros.

A receita deixada por Gonzaguinha é “viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz”. O mundo está mudando todos os dias, você precisa mudar. Esqueça a síndrome de Gabriela, retratada por Dorival Caymmi, de que “eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim”. Seja você sem esquecer-se do coletivo. Seja você seu maior motivo de alegria. Seja você a razão para sua mudança. Coloque música em sua vida. Cante. Aceite o convite de Montenegro e cante “uma canção bonita, falando da vida em ré maior. Canta uma canção daquelas de filosofia e mundo bem melhor”.

(*) Prof. Me. Julio Cezar Bernardelli é professor da Escola Superior de Gestão, Comunicação e Negócios do Centro Universitário Internacional Uninter

 
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