19/09/2020 às 11h36min - Atualizada em 19/09/2020 às 11h36min

Bahia melhora no ranking nacional sobre insegurança alimenta

O total de residências com insegurança alimentar cresceu 21,8% no estado, entre 2013 e 2018, o que significou mais 397 mil domicílios nessa condição, no período

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Tribuna da Bahia, Salvador Por: Cleusa Duarte
Por: Cleusa Duarte

A insegurança alimentar grave esteve presente no lar de 10,3 milhões de pessoas ao menos em alguns momentos entre 2017 e 2018. Dos 68,9 milhões de domicílios do país, 36,7% estavam com algum nível de insegurança alimentar, atingindo, ao todo, 84,9 milhões de pessoas. É o que retrata a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018 sobre Análise da Segurança Alimentar no Brasil, divulgada ontem, (17) pelo IBGE. No mesmo período na Bahia, 2,221 milhões de domicílios (45,3% do total), onde viviam 7,4 milhões de pessoas (50,0% do total), sofriam algum grau de insegurança alimentar. O total de residências com insegurança alimentar cresceu 21,8% no estado, entre 2013 e 2018, o que significou mais 397 mil domicílios nessa condição, no período. Apesar disso, a Bahia foi o único estado brasileiro em que se reduziu o número absoluto de domicílios em insegurança alimentar grave.

Após registrar quedas sucessivas entre 2004 e 2013, a proporção de domicílios com algum grau de insegurança alimentar voltou a crescer na Bahia e chegou a 45,3% do total em 2017-2018. Isso significa que, naquele ano, em 2,221 milhões de residências no estado (de um total de 4,897 milhões) havia desde uma preocupação ou incerteza quanto a ter regularmente alimentos na quantidade necessária (insegurança leve) até a efetiva redução quantitativa e falta de comida (insegurança moderada), podendo chegar à ocorrência de fome (insegurança grave).

No total de domicílios baianos com algum grau de insegurança alimentar, viviam 7,387 milhões de pessoas em 2017-2018, o que correspondia a metade (50,0%) da população do estado à época (14,768 milhões de habitantes). Em 2004, metade dos domicílios na Bahia (50,2%) enfrentavam algum grau de insegurança alimentar. A partir de então, essa proporção vinha em queda e chegou a seu menor patamar em 2013: 37,8%, o que representava 1,823 milhão de residências.

Nos cinco anos que se seguiram, esse número absoluto cresceu 21,8%, chegando aos 2,221 milhões de 2017-2018, o que significou mais 397 mil domicílios baianos em algum grau de insegurança alimentar no período.

Esse mesmo movimento foi verificado no Brasil como um todo. A proporção de domicílios em algum grau de insegurança alimentar partiu de 34,9% em 2004, recuou seguidamente até 2013, quando atingiu seu menor patamar (22,6%), e voltou a avançar, indo a 36,7% em 2017-2018, maior percentual da série histórica do IBGE.

Entre 2013 e 2018, o percentual de domicílios com algum grau de insegurança alimentar aumentou em quase todos os estados brasileiros. A única exceção foi o Piauí, onde essa proporção diminuiu de 55,6% em 2013 para 46,0% em 2017-2018.

Apesar de significativo, o crescimento da insegurança alimentar na Bahia entre 2013 e 2018 foi um dos mais baixos do país. Por isso o estado na verdade acabou perdendo posições no ranking nacional sobre o tema, o que significa que melhorou na comparação com as demais unidades da Federação.

De acordo com Mariana Viveiros, Supervisora de Disseminação de Informações da Unidade Estadual do IBGE na Bahia, a pesquisa aponta que “ apesar de significativo, o crescimento da insegurança alimentar na Bahia ficou entre os mais baixos do país, por isso o estado melhorou nesse ranking. Em 2013, a Bahia tinha o maior número absoluto de domicílios com algum grau de insegurança alimentar (1,823 milhão) e o 5o maior percentual (37,8%).”

Em 2017/2018, o estado foi superado, em termos absolutos, por São Paulo (4,808 milhões de domicílios em algum grau de insegurança alimentar) e Minas Gerais (2,228 milhões de domicílios) e caiu, em termos percentuais, para a 14a posição. “Além de ter sido menor do que na maioria dos estados, o aumento na proporção de domicílios com algum grau de insegurança alimentar na Bahia, entre 2013 e 2018, foi puxado por aqueles em que havia uma insegurança alimentar leve”, Constata Mariana.

Um total de 612 mil domicílios na Bahia enfrentavam insegurança alimentar moderada em 2017/2018, o que representava pouco mais de 1 em cada 10 lares do estado (12,5%), onde viviam 1,986 milhão de pessoas (13,4% da população). Domicílios com insegurança alimentar moderada já enfrentam redução na quantidade de alimentos e pode faltar comida para os adultos.

A proporção de residências nesse grau de insegurança alimentar também cresceu em relação a 2013, quando era de 9,4%. O aumento de 3,1 pontos percentuais representou mais 160 mil domicílios, em cinco anos.

Já os domicílios baianos com insegurança alimentar grave somavam 310 mil em 2017/2018, ou 6,3% de todas as residências do estado, abrigando 987 mil pessoas (6,7% da população). O percentual de residências nessa pior situação teve uma discreta variação negativa em relação a 2013, quando era de 6,6%, o que representou, em cinco anos, menos 7 mil domicílios no estado com risco de passar fome.

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