17/02/2019 às 14h29min - Atualizada em 17/02/2019 às 14h29min

Previdência: rodada de conversas com bancadas começa na semana que vem, diz líder

Primeira reunião para debater a proposta será com o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. Estratégia visa a conquistar apoio para aprovar a reforma, que muda as regras de aposentadoria.

Fernanda Calgaro, G1 — Brasília
O líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL) — Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), disse nesta sexta-feira (15) que o governo começará na semana que vem a rodada de conversas com cada uma das bancadas partidárias para discutir a reforma da Previdência Social. O primeiro partido será o PSL, do presidente Jair Bolsonaro.

A iniciativa faz parte da estratégia para conquistar apoio à medida, considerada prioritária pela equipe econômica para ajustar as contas do país.

Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), a reforma precisará contar com o apoio mínimo de três quintos dos deputados (308 dos 513), em dois turnos de votação, para ser enviada ao Senado.

A proposta vai prever, entre outros pontos, idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens e de 62 anos para mulheresao final de um período de transição de 12 anos.

O texto deve ser enviado ao Congresso na próxima quarta-feira (20). No dia seguinte, o secretário da Previdência Social, Rogério Marinho, a pedido do líder na Câmara, receberá os parlamentares do PSL, em um auditório no Ministério da Economia.

"Vamos fazer a primeira rodada de conversas, e o primeiro vai ser o PSL", afirmou Vitor Hugo.
 

Articulação política

 

Alvo de críticas em relação à articulação política, o governo também pretende lançar mão de outras frentes para tentar formar uma base aliada.
 

Segundo Vitor Hugo, Bolsonaro receberá deputados e senadores do PSL para um café da manhã no Palácio da Alvorada na quarta-feira. No dia seguinte, será a vez dos líderes dos partidos que "tendem a compor a base" do governo. Somente PT, PSOL, Rede, PCdoB e PPL não serão chamados.

"Eu propus um café da manhã com a bancada do PSL e também sugeri na quinta um café com os líderes, e o presidente topou", afirmou Vitor Hugo. "Em relação aos partidos da oposição, o presidente determinou o convite ao PSB e ao PDT", disse.

O Palácio do Planalto também quer definir em breve a escolha dos deputados que ocuparão as 15 vagas de vice-líder às quais o governo tem direito na Câmara. Como missão, eles terão o papel de defender as medidas do governo tanto nas votações no plenário e nas comissões, como nos bastidores, convencendo os demais deputados da sua aprovação.

"Com essa modificação dos partidos – com deputados indo para um lado e para outro –, a gente não sabe exatamente como vai ficar, mas a minha intenção é que o PSL fique com mais de um vice-líder do governo porque é o partido do presidente, e depois uma vice para cada partido grande que vier para nós e, para os partidos menores, uma vice-liderança que consiga agregar", disse.

Vitor Hugo afirmou já ter uma ideia de nomes, mas que, antes de defini-los, irá conversar sobre o tema com os líderes de cada partido.

Sobre o tamanho da base do governo, o líder ponderou ainda que não há o número fechado de deputados.

 

'Margem de negociação'

 

De acordo com o líder do governo na Câmara, há "margem de negociação" para eventuais mudanças no texto. Acrescentou que o governo vai "estar aberto para interagir".

"Apresentar o projeto não quer dizer que o governo quer que seja aprovado aquele projeto. Ele sabe que o Congresso tem possibilidade de amadurecer, discutir, de incorporar modificações, sensibilizações, perspectivas regionais, tudo isso o Congresso sabe fazer, muito mais do que um órgão técnico", disse.

E acrescentou: "Na liderança do governo, nós não temos a pretensão de que essa proposta seja a ideal. Imagina. Nós temos aqui 513 deputados e 81 senadores. O contraste de ideias, de visões, de origens, de credos políticos e religiosos, tudo isso faz com que qualquer proposição que entre aqui saia muito melhor. E isso, com certeza, vai acontecer com a reforma da Previdência”.


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