16/02/2019 às 21h25min - Atualizada em 16/02/2019 às 21h25min

Análise: Carlos Bolsonaro gestou um incêndio com reflexo no Congresso

Movimentação do filho raivoso do presidente terá consequências de gravidade ainda incerta

O Globo Paulo Celso Pereira
O vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro Foto: Sérgio Lima / AFP
BRASÍLIA —O primeiro a atrapalhar foi Eduardo, dizendo que bastava um soldado e um cabo para fechar o STF. Depois, foi a vez do primogênito Flávio protagonizar a crise, ainda aberta, envolvendo os repasses financeiros milionários de seu assessor Fabrício Queiroz. Na sexta-feira, com menos de 50 dias de mandato, o terceiro filho, Carlos, conseguiu atingir um objetivo antigo — seu desafeto Gustavo Bebianno deve deixar o governo nos próximos dias, como primeiro ministro defenestrado pelo pai.

Governos precisam de paz para trabalhar. Quem está no comando do Executivo tem problemas de sobra, como bem r essaltou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso É por isso que tradicionalmente o Poder Executivo gasta energia para montar bases parlamentares amplas, impede a criação de CPIs, atua para minimizar conflitos internos. Bolsonaro chegou ao Planalto prometendo uma nova forma de fazer política. O que se viu esta em Brasília semana foi, de fato, novo.

O imbróglio que levou à queda de Bebianno começou com a revelação pela “Folha de S.Paulo” de que uma candidata do PSL ligada ao presidente da legenda, Luciano Bivar, teria recebido R$ 400 mil e obtido apenas 274 votos. A suposta “candidata laranja” pouco tinha a ver com Bebianno, ainda que ele presidisse o partido durante a campanha e repassasse os recursos para os estados.

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A crise poderia ter sido retirada do Palácio do Planalto com a simples justificativa, usada por Bebianno, de que sua tarefa era protocolar e que era responsabilidade do diretório pernambucano escolher as candidatas que receberiam recursos. Só que o mais recluso entre os filhos do presidente decidiu jogar gasolina no que era uma fagulha.


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