03/02/2019 às 17h11min - Atualizada em 03/02/2019 às 17h11min

Emerson Fittipaldi venceu única corrida de Fórmula 1 disputada em Brasília, há 45 anos

Prova extracampeonato disputada na capital federal teve 12 carros; nos bastidores, Nelson Piquet trabalhou nos boxes da Brabham e limpou carro do futuro rival Carlos Reutemann

Globo Esporte Fred Sabino — Rio de Janeiro
Reprodução

O automobilismo brasileiro viveu um momento único há exatos 45 anos: no dia 3 de fevereiro de 1974 foi disputada pela primeira e última vez uma corrida de Fórmula 1 no autódromo de Brasília. Foi, é bem verdade, uma prova extracampeonato para inaugurar o circuito na capital federal. A contenda com 12 carros foi batizada com o nome de GP Presidente Emílio Médici - este era o terceiro chefe de estado da ditadura militar perpetrada no Brasil entre 1964 e 1985.

Na corrida vencida por Emerson Fittipaldi, uma semana depois do triunfo no GP do Brasil válido para o campeonato em Interlagos, uma curiosa situação de bastidores seria revelada muito tempo depois: o futuro tricampeão Nelson Piquet, em busca de uns trocados para investir na oficina e, claro, querendo conhecer o ambiente da F1, trabalhou nos boxes da Brabham. Após perder o título de 1981 justamente para Piquet, Carlos Reutemann soltou uma frase que ficaria eternizada:

- Perdi para o garoto que um dia limpou as rodas do meu carro.

 
Nelson Piquet trabalhou nos boxes da Brabham em 1974 — Foto: Reprodução

Nelson Piquet trabalhou nos boxes da Brabham em 1974 — Foto: Reprodução

Nelson Piquet trabalhou nos boxes da Brabham em 1974 — Foto: Reprodução

Nelson Piquet trabalhou nos boxes da Brabham em 1974 — Foto: Reprodução

Nelson Piquet trabalhou nos boxes da Brabham em 1974 — Foto: Reprodução

Reutemann por sinal era um dos favoritos à vitória, com seu arrojado Brabham BT44 projetado por Gordon Murray. Além dele, outros 11 pilotos estavam inscritos: os brasileiros Emerson Fittipaldi (McLaren), José Carlos Pace (Surtees) e Wilsinho Fittipaldi (Brabham), os franceses Henri Pescarolo (BRM) e Jean-Pierre Beltoise (BRM), os alemães Jochen Mass (Surtees) e Hans-Joachim Stuck (March), o sul-africano Jody Scheckter (Tyrrell), o italiano Arturo Merzario (Iso), o neozelandês Howden Ganley (March) e o inglês James Hunt (March). A grande ausência entre as equipes era a Ferrari.

Em Brasília, os pilotos encontraram um traçado de 5.475 metros e 12 curvas, todas de média e alta velocidade. Na época do chamado "Milagre Econômico", Brasília era mais uma cidade a ter um novo autódromo, e os elogios foram gerais por parte dos pilotos. Reutemann conquistou a pole position, com uma média de 175 km/h. Emerson ficou em segundo no grid, apenas 0s09 atrás, enquanto Scheckter e Pace fizeram o mesmo tempo de 1m51s40 - não havia cronometragem com três casas decimais. Wilsinho, que não corria o campeonato para preparar o projeto da equipe Copersucar, foi o sétimo.

 
 
Wilsinho Fittipaldi à frente de Henri Pescarolo em Brasília, em 1974 — Foto: Reprodução

Wilsinho Fittipaldi à frente de Henri Pescarolo em Brasília, em 1974 — Foto: Reprodução

Wilsinho Fittipaldi à frente de Henri Pescarolo em Brasília, em 1974 — Foto: Reprodução

Wilsinho Fittipaldi à frente de Henri Pescarolo em Brasília, em 1974 — Foto: Reprodução

Wilsinho Fittipaldi à frente de Henri Pescarolo em Brasília, em 1974 — Foto: Reprodução

Pontualmente às 11h30, a corrida começou Reutemann manteve a liderança após a largada, seguido de perto por Emerson, com Merzario pulando para terceiro, à frente de Scheckter e Pace. Os dois primeiros colocados rapidamente abriram, já que Merzario trancava quem vinha atrás dele.

Scheckter, que corria ainda com um Tyrrell 005 usado por Jackie Stewart em 1973, passou Merzario logo na terceira volta, e partiu para cima dos líderes. Sentindo a aproximação do sul-africano, Emerson passou a apertar Reutemann, que na sexta de 40 voltas deu uma espalhada numa curva e permitiu ao brasileiro assumir a liderança, levando o público candango ao delírio.

 
Wilsinho Fittipaldi completou prova extracampeonato de Brasília em quarto — Foto: Reprodução

Wilsinho Fittipaldi completou prova extracampeonato de Brasília em quarto — Foto: Reprodução

Wilsinho Fittipaldi completou prova extracampeonato de Brasília em quarto — Foto: Reprodução

Wilsinho Fittipaldi completou prova extracampeonato de Brasília em quarto — Foto: Reprodução

Wilsinho Fittipaldi completou prova extracampeonato de Brasília em quarto — Foto: Reprodução

 

O motor da Brabham de Reutemann começou a falhar logo em seguida, e Scheckter não teve problemas para tomar-lhe o segundo lugar. O argentino permaneceu na pista até o 11º giro, quando o motor Ford foi pelos ares de uma vez. Quem também teve problemas foi Pace, que não demorou muito a entrar nos boxes, o que resultou na perda de várias voltas.

Enquanto o irmão Emerson disparava na frente, Wilsinho fazia boa corrida de recuperação e chegava até o quinto lugar. Fittipaldi chegou a ser ultrapassado por Stuck, mas voltou ao top 5 depois que o alemão abandonou.

 
Emerson recebeu a bandeirada 12 segundos à frente de Scheckter em Brasília — Foto: Reprodução

Emerson recebeu a bandeirada 12 segundos à frente de Scheckter em Brasília — Foto: Reprodução

Emerson recebeu a bandeirada 12 segundos à frente de Scheckter em Brasília — Foto: Reprodução

Emerson recebeu a bandeirada 12 segundos à frente de Scheckter em Brasília — Foto: Reprodução

Emerson recebeu a bandeirada 12 segundos à frente de Scheckter em Brasília — Foto: Reprodução

Controlando com tranquilidade a vantagem sobre Scheckter, Emerson recebeu a bandeirada com 12 segundos de frente, enquanto o piloto da Tyrrell também manteve sem problemas o segundo lugar, já que Merzario estava mais de um minuto atrás. Além deles, completaram a prova Mass, Wilsinho, Ganley, Pescarolo e Beltoise.

Saudado pelo público, Emerson cruzou a passarela que ligava o pit lane à tribuna presidencial, onde recebeu um mastodôntico troféu das mãos de Médici. A tal passarela foi demolida para que a reta dos boxes virasse pista para os desfiles das escolas de samba. Hoje em dia, o próprio autódromo, que passou a se chamar Nelson Piquet, também está demolido para obras de modernização que até agora não ocorreram.

 
 
 — Foto: Infoesporte

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