27/01/2019 às 00h29min - Atualizada em 27/01/2019 às 00h29min

Ministério da Justiça diz que não houve omissão e que investiga ameaças a Jean Wyllys

Em nota, ministério diz que há inquéritos abertos pela Polícia Federal para identificar agressores. Ao desistir de tomar posse, deputado do PSOL acusou governo de omissão ao apurar ameaças.

Por G1 — Brasília
O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) — Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Em nota divulgada neste sábado (26), o Ministério da Justiça e da Segurança Pública afirma que não houve omissão por parte das autoridades do governo e da Polícia Federal com relação às ameaças relatadas pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Na última quinta (24), Wyllys informou que não tomará posse para o novo mandato, que se inicia em fevereiro deste ano. Segundo ele, a decisão foi tomada após ser alvo de constantes ameaças de morte e de conteúdo falso na internet.

O deputado do PSOL também disse que desde março do ano passado o governo brasileiro foi omisso com relação a essas ameaças e ignorou um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos, que reconheceu que ele estava sob "risco iminente de morte".

"Lamenta-se a decisão do deputado de deixar o pais, mas não corresponde à realidade a afirmação de que há omissão das autoridades constituídas", diz a pasta na nota (leia a íntegra do texto ao final da reportagem).

Na nota, o ministério também diz repudiar a conduta daqueles que "se servem do anonimado da internet para covardemente ameaçar qualquer pessoa e em especial por preconceitos odiosos".

E afirma ainda que, ao longo de 2017 e de 2018, a PF instaurou "diversos" inquéritos para apurar as ofensas e ameaças contra Jean Wyllys. Segundo a pasta, ainda há investigações em andamento e, inclusive, um dos autores de ameaças contra o parlamentar já foi identificado e preso.

O homem preso no ano passado, Marcelo Valle Silveira Mello, já foi condenado a 41 anos, seis meses e 20 dias de prisão por associação criminosa, divulgação de imagens de pedofilia, racismo, coação, incitação ao cometimento de crimes e terrorismo cometidos na internet.

A defesa de Silveira Mello foi procurada, mas não tinha sido localizada até a última atualização desta reportagem.
 

Escolta

 

Um dia depois de anunciar a decisão de não assumir o terceiro mandato consecutivo para o qual foi eleito, Jean Wyllys disse, em mensagem enviada à TV Globo, que viver sob escolta por conta de ameaças recebidas e sob constante difamação "não é viver plenamente".

Ele também disse que o governo brasileiro foi omisso e que apenas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reconheceu o risco das ameaças e destacou uma escolta da polícia legislativa para realizar a sua segurança. Mesmo assim, disse Wyllys, o efetivo "estava longe da segurança exigida para uma vida plena".

 

Nota

 

Leia a íntegra da nota divulgada pelo Ministério da Justiça e da Segurança Pública:

Nota do MJSP sobre ameaças ao deputado federal Jean Wyllys

Ao longo de 2017 e 2018, foram instaurados diversos inquéritos pela Policia Federal para apurar ofensas e ameaças contra o deputado federal Jean Wyllys.

As investigações estão em andamento, mas já foi possível identificar um dos autores, Marcelo Valle Silveira Mello, preso em 2018, membro do grupo autointitulado "Homens Sanctos", e que se servia da identidade de Emerson Setim para fazer ameaças ao deputado.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública repudia a conduta dos que se servem do anonimato da internet para covardemente ameaçar qualquer pessoa e em especial por preconceitos odiosos.

Lamenta-se a decisão do deputado de deixar o pais, mas não corresponde à realidade a afirmação de que há omissão das autoridades constituídas.


 
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