09/12/2018 às 13h33min - Atualizada em 09/12/2018 às 13h33min

Médium João de Deus é acusado de abuso sexual

Folha Universal
Foto: Divulgação

Na última sexta feira (7), o programa Conversa com Bial, exibido pela Rede Globo, revelou casos de abusos sexuais, ligados ao médium brasileiro, João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus. Em uma conversa cautelosa e marcada pelos traumas, quatros mulheres contaram seus depoimentos sobre os abusos sexuais que dizem ter sofrido, de João de Deus. Ao todo, 10 mulheres apresentaram suas denúncias à equipe de reportagem, mas apenas quatro gravaram entrevistas.

Das quatro entrevistadas, duas escolheram não se identificar, pois dizem ter medo de revelar suas próprias identidades. As outras duas, no entanto, são a coreógrafa holandesa Zahira Nieleke Lous e a americana Amy Biank.

 Abuso em nome da fé

De acordo com as denúncias, João de Deus utilizava da boa fé das pessoas para satisfazer-se sexualmente, sem consentimento de suas vítimas. “Pegava a minha mão para colocar no pênis dele. E eu tirava a mão e ele falava ‘Você é forte! Você é corajosa. O que você está fazendo tem um valor enorme’. Eu não estava fazendo nada. Eu estava ali, sabe? Sendo abusada”, recordou uma das vítimas que não quis se identificar.

Uma das vítimas afirma que o médium abusava sexualmente das mulheres em nome da “pureza”. Segundo ela, ele dizia que o ato de tocar o órgão genital dele daria energia a ela.

Outra mulher revelou ter sido submetida a fazer sexo com o médium. “Eu comecei a chorar e a ficar desesperada. Eu só pensava assim: como é que eu vou sair daqui?”, lamentou outra mulher que também não quis ser identificada. 

Saiu da Europa e foi abusada no Brasil 

A holandesa Zahira Nieleke decidiu vir a público denunciar João com o intuito de encorajar outras mulheres que possam ter sido abusadas por ele. “Eu realmente espero poder ajudar outras mulheres a saírem dessa sombra, porque nós não precisamos sentir vergonha. Ele quem deve sentir e todas as pessoas que o protegem, para que ele continue fazendo o que faz”, desabafou a coreógrafa ao apresentador do programa.

Há quatro anos, Zahira Niekele viajou ao Brasil especialmente para se consultar com João. Em sua consulta, uma experiência traumática: “Ele agarrou a minha mão direita e colocou para trás de mim na calça dele. Eu congelei e pensei: ‘Por que isso está acontecendo? Por que eu tenho que tocar no seu pênis para que eu possa ser curada?’ Ele tinha um grande sofá no banheiro dele. Ele me puxou até lá e me colocou de joelhos na frente dele”, contou Zahira.

 Entenda o escândalo

De acordo com as testemunhas ouvidas, a princípio, João de Deus realizava suas seções espirituais na presença de outras pessoas que buscavam cura. As mulheres que chamavam sua atenção, no entanto, eram convidadas a retornar, posteriormente, para um atendimento individual em busca da cura almejada. “Você, de certa forma, se sente especial e pensa: ‘Eu vou receber a cura. Uau! Finalmente isso está acontecendo’”, disse Zahira Lieneke.

Em nota, a assessoria de imprensa de João de Deus disse que repudia “qualquer prática imprópria em seus atendimentos”.


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