20/09/2018 às 19h05min - Atualizada em 20/09/2018 às 19h05min

Novo presidente da FAEB promete maior diálogo

Humberto Miranda novo presidente da FAEB, concedeu entrevista exclusiva a reportagem da Tribuna da Bahia

Tribuna da Bahia
Divulgacao-FAEB
Nesta quinta-feira (20), às 19h, o produtor rural e médico veterinário Humberto Miranda toma posse como presidente Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) para o exercício 2018-2022. O evento acontece na sede da Federação, no bairro do Comércio. Em entrevista à Tribuna, ele falou sobre os desafios da gestão, além de fazer um panorama da agricultura e pecuária no estado.

TRIBUNA DA BAHIA - Como o senhor avalia a gestão do senhor João Martins, que o antecedeu, à frente da FAEB?

HUMBERTO MIRANDA - Foi uma gestão extremamente exitosa. Dr. João Martins, durante o tempo que esteve à frente da Federação, tanto a estruturou do ponto de vista físico, com instalações adequadas, um bom ambiente de trabalho para os seus funcionários e formando uma grande equipe que presta relevantes serviços à Bahia, como também fortaleceu a imagem da instituição, com credibilidade e independência junto à sociedade e aos poderes constituídos, sejam eles públicos ou privados. Foi um divisor de águas na consolidação da importância da FAEB para a defesa do produtor rural e na participação de discussões e resoluções de questões que afligem o segmento agropecuário. Uma administração que consolidou também a importância do sistema sindical no estado.

TB - O senhor foi eleito com quase 99% dos votos. Isso aponta uma coesão por partes dos dirigentes da FAEB quanto a defesa e os interesses da Federação em todo o estado?

HM - Sem dúvida o percentual de votos, quase uma unanimidade entre os presentes, aumenta a nossa responsabilidade e demonstra também o reconhecimento dos Sindicatos dos Produtores Rurais da Bahia junto à Federação da Agricultura. Os presidentes reconheceram o importante papel que a FAEB vem desenvolvendo, por isso depositaram esse voto de confiança na diretoria que irá assumir, a partir de agora, comando da Federação. Tenho certeza de que unidos somos mais fortes. É com esse sentimento de união que vamos pautar a nossa administração. Vamos fazer com que as decisões sejam colegiadas e as discussões interiorizadas, junto a esses legítimos representantes dos produtores baianos, que são os sindicatos, para que os posicionamentos da Federação estejam sempre em sintonia com as demandas que vêm do homem campo. Temos grande capilaridade no estado, conseguimos atender mais de 300 municípios, portanto possuímos a representatividade e legitimidade para falar em nome dos produtores rurais baianos e lutar pelos seus interesses.

TB - Quais são os seus planos à frente da Federação? Quais os principais desafios?

HM - Primeiro vamos manter tudo o que foi conquistado até agora: a independência, a credibilidade e a legitimidade da Federação na representação dos produtores. A segunda iniciativa é criar um ambiente de diálogo com associações e cooperativas, que representam os produtores em todas as regiões do estado, para construir pautas comuns e discutir o setor de uma forma colegiada. Ressalto, mais uma vez, que iremos

interiorizar as ações da Federação, seja através dos nossos Centros de Capacitação Regionais espalhados pela Bahia ou através dos parceiros locais. A Federação estará cada vez mais próxima do produtor, através de uma gestão municipalista. Para isso vamos ainda fortalecer, cada vez mais, a liderança sindical. Precisamos ter presidentes nos sindicatos que sejam verdadeiros líderes, pessoas que representem a essência das demandas do produtor naquele município.

Em relação aos desafios, o maior deles é a reinvenção do sistema sindical. Precisamos rediscutir esse modelo de sindicalismo, modernizar nossas ações, prestar serviços para o produtor rural que contribui com o nosso Sistema. Fazer com que nós tenhamos um sistema sindical renovado, participativo, presente nas demandas do produtor, fazendo a interlocução com os governos municipal e estadual, seguindo, inclusive, o exemplo do que é feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, acompanhando projetos de lei e as demandas de políticas públicas para o Agro.

TB - Como o senhor avalia o atual cenário da agricultura e pecuária no estado da Bahia?

HM - O Agro já provou sua importância e atualmente vive o melhor momento da sua história. Na Bahia e no Brasil lideramos todos os índices de crescimento. O estado lidera a produção nacional de cacau, coco, graviola, maracujá, manga, possui o maior rebanho de caprinos e ovinos do país e é segundo maior produtor de limão, cupuaçu e algodão. Sem falar que também é destaque na produção de citrus, cafés espaciais, guaraná, banana, uvas de mesa, melancia, entre outras culturas. É um cenário extremamente positivo. A Bahia é um estado extremamente diverso, temos três biomas e mais de 564 mil km², superando países como a França, em extensão territorial.

No Oeste, por exemplo, temos uma atividade agrícola muito forte, de primeiro mundo, celeiro da produção de grãos. Há também uma diversificação de culturas com a expansão da fruticultura nessa região.

Temos também o Extremo Sul, que produz desde o café e frutas variadas, até florestas, contribuindo expressivamente com as exportações da Bahia. Temos ainda a região do Semiárido, com potencial reconhecido mundialmente em fruticultura, no Vale do São Francisco. Na Chapada Diamantina, destaque para os cultivos de morangos, uvas, produção de vinhos finos, batata e tomate, gerando renda para a região. A agricultura da Bahia tem um cenário extremamente promissor, também pelas novas áreas prospectadas dos aquíferos do Oeste e de Tucano, no norte do estado, região que já é uma grande produtora de milho e de feijão nas safras de inverno e que também está expandindo a fruticultura, com a atração de diversos empresários de outros estados.

Na pecuária não é diferente. A Bahia tem uma diversidade de clima que é extremamente propícia para essa atividade no Semiárido, por exemplo, que ocupa mais de 70% do nosso território e possui o maior rebanho de caprinos e ovinos do País. Temos notável potencial de expansão da pecuária de leite, para atrair novas indústrias para investir no estado. Na pecuária de corte, temos as regiões do Sudoeste e Extremo Sul já consolidadas como polos no estado, com um dos maiores rebanhos da Bahia. O futuro

do nosso estado é muito promissor e estamos prontos para continuar apoiando esse crescimento.

TB - Quais os principais desafios, na sua opinião, que terá o futuro governador da Bahia nos dois segmentos à partir de 2019?

HM - Os principais desafios continuam sendo os mesmos. A Bahia possui uma produção agropecuária fantástica, mas um dos gargalos é a infraestrutura logística de escoamento da produção. Enfrentamos deficiência nas rodovias e nos portos. Outro problema é a falta de segurança jurídica em algumas regiões que sofrem com as invasões de terras.

A violência também é um grande problema enfrentado em todo o País. A insegurança no campo tem impactado na produção rural também, porque os produtores e trabalhadores rurais têm evitado morar nas fazendas por medo. Eles trabalham e precisam voltar para a sede do município, à noite. O roubo de cargas tem se intensificado em regiões importantes como o Oeste. O furto de gado tem crescido no Sul da Bahia.

Outra grande carência é a assistência técnica. A organização do produtor é fundamental para o desenvolvimento da atividade agropecuária. Essa organização passa pelo associativismo, cooperativismo e pela assistência técnica continuada, de qualidade, que ofereça acompanhamento ao produtor, dando direcionamento à atividade produtiva como um todo.

Temos na Bahia também o desafio de expandir a oferta de cursos profissionalizantes voltados para o Agro, para que os jovens, cada vez mais qualificados, possam ter acesso ao seu primeiro emprego já com um certificado, com a formação, mesmo que de nível médio, contribuindo para o segmento rural e, consequentemente, para a melhoria dos índices de desemprego no estado.


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