15/09/2023 às 10h03min - Atualizada em 15/09/2023 às 10h03min

A arte de conseguir emprego contatando chefes nas redes sociais

Alguns candidatos enviam seus currículos por e-mail e cruzam os dedos, esperando algum resultado. Outros estão sendo mais ousados e indo direto à fonte: por que não procurar diretamente o recrutador nas redes sociais? O segundo grupo tem se dado bem.

AB Notícia News
g1
Arquivo pessoal via BBC

Antes da redatora e diretora criativa Sarah Jenkins se tornar freelancer, ela passou três anos em uma pequena agência de publicidade — uma que ela cortejou por meio de "uma combinação de slides por DM e e-mail".

O grupo antigo será desativado. Mesmo que você já faça parte da nossa comunidade, é preciso se inscrever novamente.

Depois de admirar de longe o trabalho da agência, ela mandou uma mensagem diretamente para o diretor de criação, uma pessoa conhecida dela, pelo Facebook. Depois que o diretor respondeu positivamente, Jenkins, de 40 anos, residente em Missouri, nos Estados Unidos, enviou um e-mail ao fundador e CEO no mesmo dia.

 

Ela se encontrou com o CEO na semana seguinte e logo depois conseguiu um cargo de redatora sênior, graças aos seus anos de experiência trabalhando para uma agência maior. Jenkins conta que sua "audácia" de falar com o diretor sem "intermediários" a ajudou a conseguir o emprego.

"Eles não estavam tecnicamente contratando ninguém que se adaptasse às minhas habilidades naquela época. Mas eu tinha uma grande energia do tipo 'por que não?'."

Muitos candidatos estão ficando mais ousados, contornando as práticas tradicionais de contratação e indo direto à fonte. É uma estratégia cada vez mais comum que está ajudando alguns trabalhadores de todos os matizes – especialmente os mais jovens – a conseguir cargos cobiçados.

 

'Estender a mão e tocar alguém'

 

Gina Nichols, recrutadora da agência Hirefor, com sede nos EUA, diz que o fenômeno crescente é resultado do "acesso".

 

"As gerações mais velhas não tinham acesso às redes sociais, mas as gerações mais jovens têm todo o tipo de ferramentas digitais", diz Nichols.

 

"Agora publicamos uma vaga e você tem centenas de candidatos em questão de horas. Então, para se diferenciar em uma massa como essa, estender a mão e encostar em alguém — o que você tem a capacidade de fazer em múltiplas plataformas — é uma jogada inteligente."

O fenômeno é um resultado natural da percepção de gratificação instantânea que acompanha as redes sociais, afirma Akhila Satish, CEO da empresa de gestão de talentos Meseekna, sediada nos EUA.

"Acho que estamos em um mundo onde muitas coisas estão acontecendo mais rápido", diz ela. "E acho que o processo de contratação em geral é uma daquelas coisas em que o ritmo não mudou muito", diz.

Esse ritmo tradicionalmente lento pode frustrar alguns candidatos mais jovens, que estão habituados a estabelecer ligações rápidas por meio das redes sociais, explica Satish. Isso, por sua vez, os encoraja a entrar em contato por meio de canais não tradicionais para se conectarem mais rapidamente com quem tem a caneta na mão.

 

Jennifer Nash, coach e autora do livro Be Human, Lead Human, diz que o fenômeno também está ligado à natureza mutável da cultura de trabalho, que evoluiu rapidamente desde o início da pandemia de covid-19.

"A pandemia despertou o status quo de como o trabalho era feito, como as pessoas procuravam cargos e como os empregadores contratavam pessoas", diz Nash.

Agora, afirma ela, os candidatos a empregos se sentem capacitados para tornar o processo de contratação "mais parecido com uma parceria", em vez de uma provação unilateral e obscura.

"Há essa flexibilidade agora, e esta liberdade de dizer: 'Vou me destacar de uma maneira um pouco diferente: aparecendo da minha forma mais autêntica e contribuir com valor para esta organização'", diz Nash.


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