09/09/2018 às 16h41min - Atualizada em 09/09/2018 às 16h41min

Dívida pública deve ultrapassar 80% do PIB em 2020, prevê governo

De acordo com Marcos Mendes, do Ministério da Fazenda, se a dinâmica de crescimento da dívida pública não for interrompida nos próximos anos, pode haver volta de um cenário de hiperinflação

Tribuna da Bahia
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A dívida bruta deverá ultrapassar 80% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, estimou o governo federal na proposta orçamentária de 2019 enviada ao Congresso Nacional. Em julho, a dívida utilizada nas comparações internacionais, somava 77% do PIB. Mas o conceito não leva em conta os ativos dos países (no caso do Brasil, as reservas internacionais, que estão acima de US$ 370 bilhões).  

De acordo com Marcos Mendes, do Ministério da Fazenda, se a dinâmica de crescimento da dívida pública não for interrompida nos próximos anos, pode haver volta de um cenário de hiperinflação.

"Significa hiperinflação, desvalorizar o salário de todo mundo, principalmente dos mais pobres. Basicamente, o que está acontecendo na Venezuela. Subindo inflação, entra na espiral de depressão econômica. Acaba com o planejamento da pessoas. As pessoas não sabem quanto vai custar as coisas. Se não for controlado [o endividamento], esse é o destino", declarou.

Critério do FMI

A estimativa da equipe econômica para a dívida bruta nos próximos anos também não considera os títulos públicos na carteira do Banco Central, ao contrário do critério utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Esses títulos são utilizados para regular a quantidade de recursos disponíveis no mercado e, com isso, fazer com que a taxa básica de juros da economia fique no patamar que o BC deseja para atingir as metas de inflação. Atualmente, a taxa Selic na mínima histórica de 6,5% ao ano.

Pelo critério utilizado pelo FMI, que engloba os títulos que estão com o BC, o endividamento brasileiro deverá atingir um patamar ainda mais elevado, somando 92,7% do PIB em 2020.

Comparações internacionais

A dívida bruta brasileira fechou o ano passado em patamar bem acima da média do Brics (grupo formado por Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul), dos países da América Latina e também das nações classificadas como "emergentes", segundo dados do FMI.

De acordo com a instituição, a dívida brasileira somou 83,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim de 2017, contra 54,4% dos países dos Brics e 60,5% das nações da América Latina e 49% dos emergentes. Para 2020, a estimativa da instituição de crédito internacional para a dívida brasileira também é maior nessas comparações.

Por que a dívida cresce?

O aumento da dívida pública brasileira no passado está relacionado, entre outros fatores, com o alto patamar da taxa básica de juros, a Selic, que chegou a atingir, no passado, o pico de 45% ao ano (em 1999), mas que atualmente está na mínima histórica de 6,5% ao ano. A taxa média, entre o início de 1998 e o mês passado, é de 16% ao ano.

Nos últimos anos, porém, o principal fator que tem impulsionado a dívida pública são os rombos nas contas públicas - que registram déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar juros da dívida pública) desde 2014. A expectativa da equipe econômica é de que as contas continuem no vermelho, pelo menos, até 2022.

Para que as contas voltem ao azul e que, como consequência, a dívida bruta pare de crescer, o governo propôs, e aprovou no Congresso Nacional, o teto de gastos públicos - mecanismo pelo qual as despesas não podem subir mais do que a inflação do ano anterior.

Entretanto, a equipe econômica já admitiu, em diversas ocasiões, que será muito difícil cumprir o teto de gastos nos próximos anos, e impedir consequentemente o crescimento da dívida pública, sem a reforma da Previdência Social.

O governo chegou a encaminhar uma proposta para reformas as regras previdenciárias, mas desistiu diante da falta de apoio no Congresso Nacional e da intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. O tema vem sendo discutido pelos candidatos à Presidência da República. Por Alexandro Martello/G1


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