05/09/2018 às 10h57min - Atualizada em 05/09/2018 às 10h57min

Um em cada dois brasileiros não se exercita suficientemente, diz OMS

Levantamento de agência da organização das Nações Unidas estima que 1,4 bilhão de pessoas correm risco de saúde pela falta de atividade física - especialmente as mulheres.

BBC
Ociosidade entre a população brasileira afeta principalmente as mulheres: 53,3% delas não praticam atividades físicas regularmente (Foto: Pixabay)

Estudo Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado nesta terça-feira (4) confirma que o brasileiro - apesar do fenômeno das "musas fitness" e da rápida expansão das academias nas médias e grandes cidades - se exercita menos do que deveria.

O levantamento, feito com dados coletados nos últimos 15 anos, revela que praticamente uma em cada duas pessoas em idade adulta (47%) no país não pratica atividades físicas suficientemente.

Entre as mulheres, a ociosidade é ainda maior que a média, 53,3%, enquanto a prevalência de inatividade entre os homens é de 40.4%.

No mundo todo, 1,4 bilhão de pessoas que correm risco de saúde por causa da ociosidade, que pode aumentar a propopensão ao desenvolvimentos de doenças cardiovasculares, por exemplo, diabetes do tipo 2, demência e de alguns tipos de câncer.

Para chegar à estimativa, o órgão da ONU computou dados de 168 países e revisou 358 pesquisas populacionais feitas entre 2001 e 2016, sondando 1,9 milhão de pessoas.

No contexto global, o Brasil se encontra no grupo de países onde há maior ociosidade, superando nações como os Estados Unidos (40%), o Reino Unido (36%).

O estudo define como "atividade física insuficiente" o descumprimento da recomendação padrão da OMS, que aconselha que seja praticado pelo menos duas horas e meia de esforço moderado por semana ou 75 minutos de atividade intensa.

Em nível mundial, a falta de exercícios é um mal que atinge 32% das mulheres e 23% dos homens adultos.

 
Pesquisa da OMS registrou melhora apenas no leste e sudeste da Ásia (Foto: Pixabay)

Pesquisa da OMS registrou melhora apenas no leste e sudeste da Ásia (Foto: Pixabay)

Pesquisa da OMS registrou melhora apenas no leste e sudeste da Ásia (Foto: Pixabay)

Pesquisa da OMS registrou melhora apenas no leste e sudeste da Ásia (Foto: Pixabay)

Pesquisa da OMS registrou melhora apenas no leste e sudeste da Ásia (Foto: Pixabay)
 

Essa discrepância entre os sexos é um problema cultural, segundo os médicos da OMS, e revela uma questão de desigualdade. "Mulheres enfrentam mais barreiras sociais e culturais para participar de atividades físicas, particularmente nas horas de lazer", afirma Melody Ding, da Universidade de Sydney, na Austrália, coautora do estudo.

As tendências foram organizadas por regiões e, no caso da América Latina e Caribe, o estudo concluiu que houve uma piora significativa no intervalo de 15 anos pesquisado.

De 2001 a 2016, a parcela ociosa da população saltou de 33,4% para 39,1%.

A Oceania, onde apenas 16,3% da população se exercita pouco, foi a região mais bem colocada. Só foi registrada melhora, contudo, no leste e sudeste da Ásia, onde a proporção de pessoas inativas caiu de 26% em 2001 para 17% 15 anos depois. A boa notícia se deve principalmente à popularização do hábito de se exercitar entre os chineses.

Os países ocidentais ricos, de maneira geral, apresentaram piora nos níveis de sedentarismo, que passou de 30,9% em 2001 para 36,8% em 2016.

 

Inatividade física e dinâmica de desenvolvimento

 

"Diferentemente de outros grandes riscos à saúde, os níveis insuficientes de atividade física não estão diminuindo mundialmente. Na média, um quarto dos adultos não está alcançando os níveis de atividade física recomendados para uma boa saúde", alertou a principal autora do estudo, a médica Regina Guthold.

Citado no estudo da OMS, o pesquisador brasileiro e reitor da Universidade Federal de Pelotas, Pedro Hallal, acredita que o conceito de "atividade física insuficiente" não é a melhor forma de tentar expressar o nível de ociosidade física em uma determinada população.

Ele avalia que o mais correto seria falar em "inatividade física", e questiona as conclusões do estudo, que classifica como redundantes quando confrontados com levantamentos anteriores feitos pelo professor James F. Sallis, da Universidade da Califórnia em San Diego.


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