05/09/2018 às 10h23min - Atualizada em 05/09/2018 às 10h23min

Peter Gethin conseguiu única vitória na F1 em chegada mais apertada da história

Em Monza, em 1971, inglês derrotou Ronnie Peterson por apenas 0s01, com 0s6 separando os cinco primeiros colocados; Emerson Fittipaldi guiou Lotus turbina pela única vez num GP oficial

Globo Esporte Fred Sabino, Rio de Janeiro
Getty Images
O fim de prova mais emocionante da história da Fórmula 1 aconteceu num dia 5 de setembro, em 1971, no Grande Prêmio da Itália, em Monza. Na ocasião, o inglês Peter Gethin conseguiu sua única vitória na categoria após superar Ronnie Peterson por apenas 0s01 (na época, não havia cronometragem nos milésimos), com François Cevert, Mike Hailwood e Howden Ganley também cruzando a linha de chegada no mesmo segundo do vencedor. Algo que jamais se repetiria na principal categoria do esporte a motor no planeta.

Quando a F1 chegou a Monza para a antepenúltima etapa do campeonato de 1971, o título já estava decidido em favor de Jackie Stewart e da Tyrrell. Como sempre acontece quando um campeonato é decidido por antecipação, esperavam-se corridas mais abertas no fim da temporada, sem tanta pressão pela necessidade de se marcar pontos.

 
Emerson Fittipaldi pilota Lotus turbina no GP da Itália de 1971 (Foto: Getty Images)

Emerson Fittipaldi pilota Lotus turbina no GP da Itália de 1971 (Foto: Getty Images)

Emerson Fittipaldi pilota Lotus turbina no GP da Itália de 1971 (Foto: Getty Images)

Emerson Fittipaldi pilota Lotus turbina no GP da Itália de 1971 (Foto: Getty Images)

Emerson Fittipaldi pilota Lotus turbina no GP da Itália de 1971 (Foto: Getty Images)

Nos bastidores, quem chamava a atenção era a Lotus, que chegou a Monza com seu inovador - e literalmente turbinado - modelo 56B, que seria pilotado por Emerson Fittipaldi. A esperança era de que a alta potência pela turbina batizada de Pratt & Whitney fizesse a diferença no veloz traçado de Monza, que pela última vez foi usado sem nenhuma chicane. Além disso, a equipe se inscreveu com o singelo nome de World Wide Racing, para que a equipe não corresse risco de confisco de equipamentos, resquício do acidente fatal de Jochen Rindt em 1970, pelo fato de que Colin Chapman estava sendo processado e nem sequer foi à Itália, pois poderia ser preso.
 

Mas o carro tinha muitas dificuldades nas reduções de velocidade, pois não tinha o "freio-motor" por ser movido pela turbina de avião. Além disso, o peso elevado pela grande quantidade de querosene utilizada como combustível tornavam o modelo 56 difícil de equacionar. Emerson foi o 18º colocado no grid e em nenhum momento brigou pelas primeiras posições, terminando em oitavo, a uma volta do vencedor.

Nos treinos classificatórios, o motor que empurrou mesmo foi o Matra V12 de Chris Amon, autor da pole position. Jacky Ickx deu esperanças à torcida da Ferrari ao fechar a primeira fila, e mais dois carros com motor V12, os BRM de Jo Siffert e Howden Ganley, ficaram na segunda fila, com o bicampeão Stewart num discreto sexto lugar. Com outro BRM, Peter Gethin, que não tinha nenhum ponto no campeonato, era apenas o 11º colocado na largada...

 
Regazzoni liderou a corrida no começo em Monza, em 1971 (Foto: Getty Images)

Regazzoni liderou a corrida no começo em Monza, em 1971 (Foto: Getty Images)

Regazzoni liderou a corrida no começo em Monza, em 1971 (Foto: Getty Images)

Regazzoni liderou a corrida no começo em Monza, em 1971 (Foto: Getty Images)

Regazzoni liderou a corrida no começo em Monza, em 1971 (Foto: Getty Images)

Esperava-se uma gigantesca guerra de vácuo, já que, ainda sem grande interferência na aerodinâmica na velocidade em curva, os carros poderiam andar muito próximos aos outros nas velozes curvas de Monza. Ou seja, a promessa era de disputas o tempo todo. Foi exatamente isso que aconteceu.

Regazzoni levantou a torcida ferrarista e conseguiu partir da da quarta fila para assumir a liderança ainda na primeira volta. O suíço ficou à frente de Siffert e Stewart até o terceiro giro, quando Ronnie Peterson assumiu a liderança se aproveitando do vácuo à frente dele. Usando a mesma estratégia, Stewart tomou a ponta na sétima passagem, mas logo Peterson deu o troco. O escocês abandonou no 16º giro com problemas de motor, assim como Ickx e Regazzoni, para desespero dos tifosi.

 
 
Peterson, Cevert, Hailwood e Gethin lado a lado em Monza (Foto: Getty Images)

Peterson, Cevert, Hailwood e Gethin lado a lado em Monza (Foto: Getty Images)

Peterson, Cevert, Hailwood e Gethin lado a lado em Monza (Foto: Getty Images)

Peterson, Cevert, Hailwood e Gethin lado a lado em Monza (Foto: Getty Images)

Peterson, Cevert, Hailwood e Gethin lado a lado em Monza (Foto: Getty Images)

Com os favoritos fora, a disputa pela vitória ficou entre as zebras. Mike Hailwood, vindo do fim do grid na sua estreia efetiva como piloto de Fórmula 1 após os títulos na motovelocidade, François Cevert, Peterson, Siffert, Ganley, Amon, Gethin e Jackie Oliver passaram a formar um único pelotão, com todos trocando constantemente de posições pela guerra de vácuo.

No fim, seriam oito líderes nas 55 voltas de prova, um número espetacular e que jamais seria repetido em Monza desde então. Destes, o que mais liderou foi Peterson com sua March - o sueco, em sua segunda temporada completa na F1, tentava garantir o vice-campeonato mundial.

 
Gethin à frente de Peterson, Hailwood, Cevert e Ganley no GP da Itália de 1971 (Foto: Getty Images)

Gethin à frente de Peterson, Hailwood, Cevert e Ganley no GP da Itália de 1971 (Foto: Getty Images)

Gethin à frente de Peterson, Hailwood, Cevert e Ganley no GP da Itália de 1971 (Foto: Getty Images)

Gethin à frente de Peterson, Hailwood, Cevert e Ganley no GP da Itália de 1971 (Foto: Getty Images)

Gethin à frente de Peterson, Hailwood, Cevert e Ganley no GP da Itália de 1971 (Foto: Getty Images)

 

Siffert saiu da briga porque o câmbio ficou encravado em quarta marcha, e o proverbial azar de Amon entrou em ação novamente quando seu visor do capacete simplesmente se soltou - o neozelandês teve de tirar o pé e ficou bem mais para trás.

A disputa pela vitória então ficou restrita a Gethin, Peterson, Cevert, Hailwood e Ganley, este um pouquinho mais atrás, mas ainda relativamente próximo. Gethin tomou a ponta na 52ª volta, mas Peterson recuperou o primeiro lugar na abertura da última volta. Mas quem levou mesmo a melhor foi Gethin, que, depois de ter passado em quarto na abertura da última volta, usou o vácuo para se recuperar e levantou o braço para comemorar a vitória antes mesmo de cruzar a linha de chegada. Peterson, Cevert, Hailwood e Ganley terminaram no mesmo segundo.