25/11/2019 às 17h30min - Atualizada em 25/11/2019 às 18h49min

1º Simpósio do Câncer no Brasil, do Projeto Driblando o Câncer, pede acesso ao SUS

Garantir o acesso da população ao diagnóstico e tratamento do câncer pelo SUS é possível integrando o sistema público ao privado, o que propicia aumento da eficiência e diminuição dos custos para os cofres públicos

DINO


Foi a fala defendida pelo médico Yussif Ali Mere Jr, presidente da FEHOESP - Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo - no 1º Simpósio do Câncer no país - Novembro Azul - organizado pelo Projeto Driblando o Câncer, na Câmara Municipal de São Paulo. O evento reuniu especialistas, jogadores e ONGs para debater a grave situação do câncer no Brasil, que atinge 600 mil pessoas/ano.

Segundo o presidente da FEHOESP, todo o conhecimento médico está disponível para tratamento do câncer. "O que precisamos é entregar isso para a população. E eu só vejo um caminho viável: usar o sistema de saúde suplementar, já que os governos não possuem infraestrutura. Não precisamos construir hospitais. O poder público precisa investir mais e ampliar o modelo assistencial de credenciamento da rede privada e filantrópica. Hoje o Ministério da Saúde gasta apenas R$ 4 bilhões/ano com clínicas e hospitais credenciados. Valor ínfimo diante das necessidades do atendimento", avalia.

As diversas lideranças de ONGs de pacientes com câncer presentes levantaram a questão do acesso ao SUS como principal problema do paciente. "Nosso papel é estar mais perto das pessoas com informação e conhecimento, mas a dificuldade de acesso é grave. A Lei dos 60 dias não funciona", alertou Clarisia Ramos, presidente da UNACCAM.

Enquanto Denise Blaques, diretora institucional do Instituto Lado a Lado pela Vida destacou a importância da informação na vida das pessoas, contando que a ONG criou a campanha Novembro Azul no Brasil.

A deputada Valéria Bolsonaro, presidente da Frente Parlamentar de Combate ao Câncer na Alesp, presente, destacou que tem visitado muitos centros de atendimento ao câncer no estado e que espera encaminhar soluções para o setor.


Oncologista defende a prevenção


Hoje no Brasil, 75% dos casos ou ¾ das pessoas chegam ao atendimento médico-hospitalar com quadro de metástase. Este é o quadro que mais leva à morte no câncer, células cancerígenas que se desprendem do tumor original e se disseminam para outros órgãos, afetando o funcionamento dos mesmos.

Segundo o oncologista Gilberto de Castro Júnior, professor da Faculdade de Medicina da USP, participante da mesa do 1º Simpósio do câncer no país, a melhor saída é a prevenção primária, adotando-se hábitos saudáveis de vida. Siga as recomendações do médico aqui.
Dicas para prevenir-se contra o câncer

1) Não fume, não fume, não fume - vamos reduzir em 1/3 a mortalidade por câncer, diminuindo o tabagismo na população;
2) Dieta rica em legumes e verduras, pouca carne vermelha, pouca gordura e pouco açúcar;
3) Existem vacinas que evitam infecções como o caso do HPV e a Hepatite B. Mantenha a carteira de vacinações em dia;
4) Exercício físico e perda de peso. Quanto menos gordura e menos pesada for a pessoa, menor o risco;
5) Importante se proteger do sol das 10h00 às 15h00. E usar sempre protetor solar e barreira mecânica (chapéu, óculos, roupa);
6) Diagnóstico precoce ( Mamografia para as mulheres a partir dos 40 anos, Papanicolau desde quando iniciar a atividade sexual, dosagem do PSA para homens a partir dos 50 anos , e Colonoscopia para todos a partir dos 50 anos );
7) E autocuidado: alguma lesão no seu corpo, alguma bolinha, alguma ferida que não cicatriza, procurar o médico. Não negligencie os sinais que seu corpo está dando.


Jogador e médico dão lição de superação


O jogador Fabiano Rodrigues, ex-Athlético Paranaense - campeão brasileiro 2001, ex-São Paulo, Fenerbahçe Turquia e Genoa da Itália, atual secretário de Esportes de Cajamar - falou sobre a importância do esporte e da atividade física, com hábitos saudáveis de vida, para prevenção do câncer e destacou o papel do futebol como fator de inclusão social e superação. Ele contou sua ascensão de menino carente da comunidade a astro do futebol na Europa, em uma trajetória de luta e vitória. "Acredito na força do futebol como energia motriz para também mobilizar a população contra o câncer. Estarei no Parque São Jorge, dia 15, driblando o câncer", destacou o atleta.

Gil Santos, presidente da Craques Master, realizador do evento, destacou a história do futebol no Brasil, mostrou os números do esporte no país, que movimenta R$ 16 bilhões por ano, tendo 30 milhões de praticantes (aproximadamente 16% da população total), 800 clubes profissionais, 13 mil times amadores e 11 mil atletas federados. "O Projeto Driblando o Câncer usa toda essa força do futebol para trazer mudanças no atual cenário da doença no país", avalia.

O oncologista Dr. Davi Jing Jue Liu, médico oncologista pela Unifesp, que atua no Instituto Nise Yamaguchi, ficou emocionado ao compartilhar a mesa com pessoas tão competentes e tão fortes na luta contra o câncer. Ele se identificou com a experiência de vida do jogador Fabiano e contou que, imigrante da China com os pais, morava em uma favela, mas teve força e determinação para estudar e tornar-se médico. Disse que o câncer é uma luta de todos. Não só dos médicos, mas de toda sociedade civil e dos governos. E ele se colocou à disposição do Projeto para somar.

Sob outra perspectiva, o urologista Júlio Máximo, além de destacar a importância da campanha e de se discutir o Novembro Azul, levantou a bandeira dos outros cânceres, em especial aqueles relacionados às DSTs, muitas vezes deixados de lado.

O Driblando o Câncer promoverá, em 2020, uma série de jogos de futebol pelo país e realizará inúmeros debates sobre o câncer a fim de mobilizar e conscientizar a opinião pública.

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