19/10/2022 às 18h13min - Atualizada em 19/10/2022 às 18h13min

Vídeo flagra criança armada em bairro de Salvador e pesquisadora aponta não cobertura do Estado: ‘papel social de garantir segurança falhou’

Cena chamou atenção nas redes sociais e levantou a questão sobre a aliciação de crianças e adolescentes para o tráfico de drogas

AB Notícias News
iBahia
Reprodução

Um vídeo de uma câmera de segurança flagrou uma criança armada correndo em meio a um grupo de homens – também armados – em Mussurunga, bairro de Salvador, na noite de terça-feira (18). A cena chamou atenção nas redes sociais e levantou a questão sobre a aliciação de crianças e adolescentes para o tráfico de drogas.  

 

Na ocasião, moradores relataram que houve uma troca de tiros no local. Nas imagens é possível identificar que são todos jovens, mas um deles é uma criança. 

 

A Polícia Militar informou em nota que houve um tiroteio na região conhecida como Vila Verde, que fica a cerca de 1,2 km de onde houve o flagrante do grupo armado, no setor I de Mussurunga II. A PM disse que esteve no local, fez buscas, mas não encontrou os suspeitos. 

Crianças no tráfico

 

Uma pesquisa feita pelo Observatório de Favelas, organização localizada no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, mostrou que 13% das pessoas inseridas na comercialização de drogas ilícitas tinham entre 10 e 12 anos no ano de 2018, número duas vezes maior do que o registrado em 2017, por exemplo. 

Para Luciene Santana, cientista social e pesquisadora da Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas, quando uma criança ou um adolescente entram neste universo é porque o Estado falhou.  

“Quando aconteceu um processo como esse quer dizer que o papel social de cumprir com a segurança daquela criança falhou. Eu acho que esse é o primeiro ponto e o fundamental de entender que a sociedade o estado que tinha que entrar com saúde, com educação, com segurança, com moradia e com a proteção de todas as crianças”, analisa.  

 

Diante dessa falha, a opção que sobra para essas crianças é o tráfico de drogas. “Essa questão de ausência de políticas públicas e ausência de proteção faz com que essas situações [criança inserida no tráfico e armada] aconteçam”, reafirma. 

Luciene defende que a não cobertura do Estado deixa uma brecha para que essas crianças sejam aliciadas. “Falta um acompanhamento na comunidade, de como está essa criança, de como está a educação, de como tem sido a relação com essas famílias”, pondera. 


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