11/10/2022 às 12h17min - Atualizada em 12/10/2022 às 00h01min

Prevenção e vitória contra o Câncer de Mama por Médica e Paciente curada

"Quando tive o diagnóstico, chorei muito, porque o câncer ainda é um tabu em nossa sociedade..."

SALA DA NOTÍCIA Celio Miranda dos Santos
Imagem Livre Canva .com

O câncer de mama é o segundo mais comum entre as mulheres no Brasil. Só em 2021 foram estimados 66.280 novos casos. Não são só números. São histórias de pessoas e famílias que nunca mais foram as mesmas depois do diagnóstico. 

“Quando tive o diagnóstico, chorei muito, porque o câncer ainda é um tabu em nossa sociedade e essa palavra remete a sentença de morte. (...) Não consegui fazer planos” foi o relato da consultora de imagem pessoal, Daiane Rodrigues, 33 anos. 

Ela recebeu seu diagnóstico com 28 anos, o que não é muito comum. Estima-se que 10% dos casos de câncer aparecem antes dos 40 anos. O que gerou dúvida no primeiro ginecologista que Daiane procurou. Ao sentir um caroço no exame de toque, ela procurou uma primeira opinião médica que diagnosticou apenas como uma glândula de gordura. 

Não satisfeita com o resultado, Daiane solicitou um ultrassom. A mamografia ainda não é indicada para mulheres de 28 anos. O resultado do ultrassom identificou um nódulo sólido, e logo após o resultado de uma biópsia, solicitada por um mastologista, deu o diagnóstico de mama invasivo grau 2 (em uma escala de 3 a 1, o grau 2 é um estágio intermediário, sendo considerado câncer de classificação moderadamente diferenciado).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, 60% das mulheres que são atendidas pelo SUS chegam aos consultórios com um quadro já avançado. O diagnóstico tardio é um dos principais motivos para menor sobrevida das pacientes. Por isso, o câncer de mama é o câncer que mais mata mulheres no país. Mas se ele for identificado no início, a chance de um bom prognóstico é maior. 

A questão é: muitas mulheres não fazem o exame de rotina, seja por falta de informação ou de acesso aos exames de mamografia, por exemplo. Além disso, a demora na marcação de exames pela rede pública ainda é uma realidade. 

 

Outubro Rosa: conscientização em um mês, cuidado o ano todo!

A campanha internacional Outubro Rosa é uma oportunidade de conscientização do controle do câncer de mama. 

Durante o mês de outubro, a celebração da data tem o objetivo de compartilhar informações sobre a doença e dar maior acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento. 

“Eu descobri o tumor exatamente após a campanha. Talvez se a campanha não estivesse tão recente, eu não teria feito o autoexame e procurado profissionais.” Conta Daiane.

A campanha teve início na década de 1990, com a Fundação Susan G. Komen for the Cure. Mas foi em 2018 que o Brasil instituiu o mês de conscientização sobre o câncer de mama, com a Lei nº 13.733

Outubro Rosa é o mês onde devem ser desenvolvidas palestras, eventos e atividades educativas a respeito do câncer de mama. Além da veiculação de campanhas, disponibilizando para toda população informações em folders, banners e outros materiais ilustrativos. 

Diagnóstico e tratamento 

Para a médica Victoria Romualdo, especialista em ginecologia e obstetrícia, a principal importância da campanha Outubro Rosa é a possibilidade de um diagnóstico precoce. Dessa forma é possível um tratamento curativo e menos mutilante para as pacientes, tendo um impacto menor na vida delas. 

Ela ainda completa: "O quadro ideal é quando o paciente é assintomático. Ele faz a mamografia de rotina e identifica a microcalcificação e daí vamos resolver. Esse é o ideal.”

A mamografia é o principal exame para diagnóstico do câncer de mama, em conjunto com o exame clínico feito por um profissional capacitado. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que a partir dos 40 anos deve ser feita a mamografia anualmente. 

Já o Ministério da Saúde recomenda a partir dos 50 anos, no intervalo de dois anos. Nos seus atendimentos, Victoria segue o recomendado pela Sociedade Brasileira de Mastologia. “Temos evidências científicas que mostram que dois anos ainda é um período longo quando se quer pensar um tratamento mais precoce”

Mas a médica também alerta para a importância de ficar atento a sinais como: 

  • aparecimento de massas e nódulos palpáveis; 
  • descarga papilar espontânea (secreção pelo mamilo); 
  • nódulos a região da axila;
  • ou “machucadinhos” na mama. 

A chance de cura do câncer depende muito do estágio do diagnóstico.  A médica também pontua que o tipo de tumor, e o acesso e a continuidade ao tratamento também influenciam diretamente na eficácia dos tratamentos. 

 

9 atividades que mais expõem trabalhadoras ao câncer 

De acordo com uma cartilha do INCA, existem alguns tipos de atividades (profissões) que podem expor mais ainda as trabalhadoras ao câncer de mama: 

Radiologia; 

esterilização de materiais médico-cirúrgicos e hospitalares; 

produção e aplicação de agrotóxicos organoclorados; 

fabricação de transformadores elétricos; 

reparos elétricos; 

esterilização industrial de produtos farmacêuticos e veterinários, de alimentos, de especiarias e de ração animal; 

elaboração de aditivos para plastificantes, tintas e adesivos;

carregamento e distribuição de óxido de etileno; 

atividades noturnas.

 

Sobre as principais medidas de prevenção que essas trabalhadoras podem adotar, a médica Victoria Romualdo destaca o uso do EPI O principal cuidado é não esquecer o uso de EPI. Que é uma das coisas negligenciadas. Na pandemia vimos a importância dos Equipamentos de Proteção Individual para as equipes da saúde, mas devemos considerar isso em todas as profissões.” 

Além do uso regular dos EPI 's, a médica acrescenta a importância de hábitos saudáveis, como: atividade física frequente, boa alimentação e qualidade no sono. No caso dos trabalhos noturnos essa observação deve ser reforçada. 

“Na minha experiência, eu também incluiria as atividades que colocam o trabalhador exposto a um alto nível de estresse. É um ambiente propício ao desenvolvimento de doenças crônicas degenerativas, o que aumenta o risco do desenvolvimento do câncer de mama também.” Acrescenta a médica.

 

Tratamento e autoestima 

É natural que o diagnóstico de câncer traga um grande impacto emocional ao paciente. Nosso corpo é diretamente afetado pela nossa mente e sentimentos, por isso, procurar um apoio emocional e psicológico é um passo muito importante no tratamento. 

Ao longo do tratamento de Daiane, ela conta que se sentiu cansada, debilitada, e ver amigas de tratamento, aparentemente curadas, que tiveram recidiva a doença e acabaram não resistindo foi assustador. 

Mas a fé foi um dos pilares emocionais que ela usou durante todo o tratamento.

“Sou uma mulher de muita fé, e mudar a perspectiva me ajudou e me ajuda até hoje. Olhar para o câncer como uma sentença de morte ia me deixar sem esperança, então o enfrento como uma oportunidade de crescimento”. 

A autoestima é uma das grandes preocupações das pacientes. Alguns casos precisam de medidas mais agressivas, como a retirada da mama. Além da fraqueza e perda dos cabelos durante os tratamentos. Daiane conta que usou a autoestima a seu favor. 

“Apesar de passar pelo câncer, usava makes, lenços, brincos e salto. Me ajudava a ter autoconfiança para enfrentá-lo. Isso fez com que mudasse minha área de atuação. Era gestora de RH, fazendo psicologia no 5° período na época. Decidi sair do meu trabalho, trancar a faculdade, fazer curso de coaching para ressignificar o câncer, e investir na área da beleza, como consultora de imagem e estilo. E hoje digo que encontrei minha missão de vida.”


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