29/09/2022 às 16h50min - Atualizada em 29/09/2022 às 22h18min

Inadimplência do cartão de crédito: Classes mais baixas são as mais afetadas

Economista da NoFront alerta que, em geral, o cartão é usado por famílias para a sobrevivência

SALA DA NOTÍCIA Redação
Imagem de Michal Jarmoluk por Pixabay

De acordo com dados do Serasa Experian, o Brasil tinha 66,8 milhões de inadimplentes em junho de 2022. O número é um novo recorde de brasileiros com contas atrasadas, até então o maior número de devedores registrado foi em 2016, quando o levantamento começou. Segundo a pesquisa, a categoria de bancos e cartões é a responsável por grande parte das dívidas, totalizando 27,8%.

Segundo a pesquisa Rendimento de Todas as Fontes - 2021, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), R$1.353 é o valor, em média, que cada integrante de um lar brasileiro recebeu, em 2021, esse é o menor valor da série histórica, que começou em 2012. Com menos dinheiro no bolso, muitas famílias recorrem ao uso do cartão de crédito. 

A economista e CEO da NoFront - Empoderamento Financeiro, Gabriela Chaves, lembra que essas famílias usam o cartão para as necessidades básicas. “As classes mais baixas usam o cartão como forma de complementar a renda, sem ostentação, nem para atividades de lazer. Elas usam principalmente no supermercado como forma de lidar com o efeito da inflação que corrói o poder de compra e afeta mais quem ganha menos”, comenta.

Com alta inflação, elevado número de desempregados no país e a renda diminuindo, o comprometimento do salário das famílias é com as necessidades básicas para sobreviver, por isso, as classes mais baixas são as mais afetadas com a inadimplência. “A pessoa não vai deixar de comer para pagar cartão de crédito”, ressalta a economista. 

Gabriela também lembra que essa é uma modalidade muito disponível para os brasileiros, mas que existem poucas informações para que as famílias compreendam como usar de forma correta e lidar com as taxas. “A educação financeira é um dispositivo importante para redução da inadimplência, ao ensinar as pessoas a lidar com essa modalidade, conseguimos garantir um crédito mais responsivo que vai melhorar e beneficiar um mercado inteiro, inclusive os agentes que concedem crédito”, argumenta Gaby. 

Além disso, ela também ressalta que as instituições não pensam em soluções para os gastos com a alimentação, não existe nenhuma taxa de juros diferenciada para as pessoas que recorrem ao crédito por conta de necessidades primárias. É necessário a criação de produtos financeiros que pensem a realidade das pessoas.

“O sistema financeiro tem tecnologia e infraestrutura para pensar em produtos e soluções. Será que é certo uma pessoa pagar a taxa de cartão de crédito, que é altíssima, quando na verdade ela só ta utilizando esse crédito para comprar comida?”


 


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